Há exatamente uma semana, falei aqui sobre o "Caso Dory", abordando o tema da preocupação mundial após o lançamento do filme "Procurando Dory (2016)" e a esperada corrida às lojas de aquarismo atrás do peixe que Walt Disney escolheu para representar a personagem, o Paracanthurus hepatus ou Blue Tang, assim como aconteceu quando o filme "Procurando Nemo  (2003)" foi lançado e o Peixe Palhaço (Amphiprion ocellaris) praticamente desapareceu das lojas. Só tinha uma grande diferença entre um caso e outro que gerou tanta polêmica, enquanto o Peixe Palhaço é reproduzido em cativeiro em larga escala, todos os exemplares de Blue Tang são capturados na natureza antes de ir para os aquários de todo o mundo.

Filhotes de P. hepatus com 52 diasHoje, felizmente, trago uma notícia boa em relação à esse tema, que ainda está longe de resolver o caso mas já nos deixa mais tranquilos quanto à ele.

O Risign Tide Conservation, uma entidade sem fins lucrativos dedicada à conservação de ambientes marinhos e o Laboratório de Aquicultura Tropical da Universidade da Flórida (EUA), anunciaram essa semana, o que eles consideram o primeiro caso de sucesso na reprodução do Paracanthurus hepatus em cativeiro. Na verdade, o peixe já havia sido reproduzido em catveiro anteriormente porém com uma taxa média de sobrevivência de apenas 4 dias, o melhor caso até então foi um grupo de larvas que sobreviveu por 21 dias, o que não pode ser considerado um sucesso.

Segundo os cientistas, a maior dificuldade está nas exigências da espécie que, como dito anteriormente, são bem grandes em relação à qualidade da água e sua manutenção em geral, eles necessitam de uma "água perfeita". Até mesmo a alimentação dos pais influencia, pois se eles não foram devidamente alimentados "durante a gestação", os filhotes tendem a não sobreviver e morrer logo nos primeiros dias. Além disso, são nos três primeiros dias que a larva começa a desenvolver os olhos e a boca e qualquer problema durante essa fase pode matar o peixe em poucas horas.

Diferente dos casos anteriores, os pesquisadores anunciaram que atualmente mantém um grupo de filhotes com 52 dias, que é quando o peixe começa a desenvolver traços de sua coloração azul característica. Isso representa um novo capítulo na missão de reproduzir as espécies marinhas em cativeiro e substituir a captura dos indivíduos na natureza por indivíduos criados para fins ornamentais e até de conservação da espécie em caso de algum problema com o seu habitat natural.

Como disse, ainda não é a solução do problema e não é por isso que mudo a minha posição sobre a "Dory" não ser um peixe para qualquer aquarista manter em seu aquário, sendo a sua aquisição recomendada somente à aquaristas experientes, com possibilidades de manter um aquário adequado às suas necessidades. Além disso, esse é só o começo de um processo longo até que a reprodução da espécie em cativeiro em larga escala seja uma realidade, o que deve acontecer entre 5 e 10 anos, sendo otimista.

Fonte: Rising Tide Conservation

Sobre o autor:
Marne Campos
Autor: Marne Campos
Marne Campos, natural de Campinas-SP, é aquarista desde 1990 quando, aos 7 anos de idade, ganhou o seu primeiro aquário e se apaixonou completamente pelo aquarismo. Bacharel em Análise de Sistemas pela PUC-CAMPINAS e técnico em Eletro-Eletrônica pela UNICAMP, criou o projeto Aquarismo Online em 1999, além outras iniciativas ligadas ao aquarismo que vieram logo em seguida, entre elas a idealização do CBAP (Concurso Brasileiro de Aquapaisagismo) onde ocupou o cargo máximo por 12 anos. Dedica-se à aquários plantados desde 1998, tendo como principal área de interesse atualmente, a manutenção de ambientes aquáticos por longos períodos.