Amigos, vamos falar um pouco sobre os cuidados que devemos ter ao inserirmos novos animais em nossos aquários. 

Ao adquirirmos um peixe, uma planta ou um coral, dificilmente temos conhecimento das condições a que estes animais estavam submetidos nas lojas, importadores ou quarentenários. Mesmo comprando ou trocando o animal com um amigo ele pode ter algum patógeno que até mesmo nosso amigo desconhece, já que pelo equilíbrio do aquário dele o problema não se manifesta. A lista pode ser imensa, para citar apenas alguns temos o íctio, planárias, bugs, esporos de algas indesejadas, entre outros. 

Para evitarmos a contaminação de nossos aquários devemos tomar alguns cuidados básicos. A seguir relato de forma resumida o protocolo que utilizo em meu aquário marinho para o acréscimo de qualquer vida de qualquer procedência, lembrando que este protocolo serve ainda para que o animal recupere-se do transporte. Não raro o processo de transporte enfraquece e estressa o animal, baixando sua imunidade e deixando-o mais propenso a doenças e brigas no aquário. 

Meu protocolo consiste basicamente em um período de observação, descanso e alimentação. Meu padrão inicial é de três dias e, se neste período não identificar nada fora do comum, inicio o processo de aclimatação e posterior transferência para o aquário. Sei de aquaristas que utilizam períodos diferentes, que variam de um até quinze dias. 



O processo.


Montagem de uma quarentena com água do próprio aquário.
Colocação do animal na quarentena e observação contínua de seu comportamento; normalmente após o segundo dia ele já estará mais calmo.
Alimentação com ração de boa qualidade e aplicação de produtos contra pragas comuns aos corais (ver abaixo). 
Aclimatação por gotejamento com equipo de soro hospitalar para equilibrar os parâmetros; sendo um procedimento lento, ocorrerá por todo o dia.
Transferência.
Caso algo seja identificado, inicio o tratamento conforme a necessidade. 



A minha quarentena.


Caixa plástica de 20 litros com uma pequena bomba de circulação, um aquecedor e um abrigo. (1)

1. Recipiente para quarentena   Recipiente para quarentena


Utilizo também um filtro hang on com um sachê de mídia biológica. Este sachê é mantido no sump do aquário principal para que fique permanentemente colonizado, pronto para ser usado quando monto a quarentena. Ao final da quarentena eu “cloro” esta mídia para esterilizar e a recoloco novamente no sump. Aliás, após o fim da quarentena “cloro” todo o material utilizado.

Exemplo: Chelmon rostratus (Cooperband).

O peixe chega e é colocado ainda na embalagem no recipiente de quarentena (2) para equalizar as temperaturas. Procuro manter o mais próximo possível o pH da água da quarentena ao da água em que veio o peixe. Se necessário uso produtos para aproximar os valores de pH antes de liberar o peixe. 

Aqui o amigo em observação. Ficará ao menos três dias alimentando-se e recuperando-se do estresse do transporte. Também observo o surgimento de possíveis doenças e presença de parasitas. (3)

2. Peixe sendo aclimatado ainda dentro do saco   3. Peixe liberado dentro do recipiente de quarentena

Se tudo estiver bem, após esses três dias começo com o gotejamento, que durará cerca de dois dias, para equilibrar lentamente o pH e demais parâmetros. 

Caso o peixe ou coral apresente algum problema, inicio o tratamento mais adequado. 

No caso do Cooper (que é um peixe mais delicado) ainda o mantive por mais um dia dentro de uma criadeira no reef, para os parceiros irem conhecendo e se acostumando com ele sem brigas. 



Algumas dicas do aquarista Léo Carvalho. 

“1 Estou usando ultimamente o Revive pois sempre que uso caem alguns outros seres que não caem nos dois primeiros medicamentos. O Programplus  (melbemicina) mata os artrópodes e tão somente eles, o que é muito bom pois consiste em 70% de todas espécies do planeta huauhauhuah, já o Ascaridil (levamisol) mata apenas os vermes platelmintos ou seja, os vermes chatos como as planárias. Esses dois remédios matam o que há de pior para as acroporas que são os Redbug e os AEFW ( planárias) porem há outras pragas que pouco conhecemos e o Revive de certa forma mata diversos outros organismos de uma forma mais generalizada. Sempre que banho os corais no Revive vejo diversos bichinhos caindo no pote de fundo branco, inclusive os vermes de vogo, que são vermes mas não platelmintos e não morre com facilidade no Levamisol, eu já testei a eficacia do ascaridil contra o verme de fogo e demora muitas horas para que haja a morte, quase 8 horas. Embora o Verme de fogo não seja uma praga de coral cito ele como forma genérica de outras vidas não atingidas pelos dois primeiros medicamentos.

2. Faço exatamente os mesmos procedimentos para todos os tipos de corais, pois as pragas apesar de diferentes são muito semelhantes. Os white bugs comuns nas euphillias são também artrópodes semelhantes aos red bug e a medicação apresenta a mesma eficácia sobre eles, assim como as planárias que se alimentam dos tecidos de todos lps e softs morrem tão facilmente como o AEFW sob o efeito do ascaridil.

3 As tridacnas realmente para mim são um mistério, não sei nada sobre elas, nunca testei as medicações. Gostaria que alguém pudesse nos ajudar sobre isso.” 
[sic]



No caso onde o animal a ser inserido é muito sensível e exige uma aclimatação lenta, recomendo utilizar a aclimatação por gotejamento, onde os parâmetros da água em que o animal chegou são equilibrados lentamente aos do aquário. Importante neste método é ir retirando a água velha à medida que a água nova vai entrando, já que a água da embalagem está saturada de amônia. 

Os equipamentos são:
- Aquário de quarentena.
- Equipo de soro hospitalar.
- Abrigo (dependendo da espécie).

Vamos ao passo a passo.
Chegada dos animais, neste caso Lysmata wurdemanni (camarão bailarino). (4)

4. Chegada de novos animais


Colocação no aquário de quarentena, com a água da embalagem de transporte. (5)
Aqui o gotejamento, equilibrando lentamente os parâmetros. (6)

5. Animais dentro do recipiente de quarentena   6. Sistema de gotejamento

 
O aquário é mantido dentro de uma caixa plástica, evitando transbordamento no chão. 

7. Ideia para evitar o transbordamento   Visão do sistema completo

Para maiores informações e debates sobre os diferentes métodos de quarentena e aclimatação, consulte o tópico Protocolo de Quarentena - Como faço, no Fórum AqOL.

 

Sobre o autor:
Marcio Vargas
Autor: Marcio Vargas
Marcio Rama de Vargas, natural de Caxias do Sul-RS, é aquarista desde 1992, quando aos 12 anos montou o primeiro aquário com Cardinais, de lá pra cá já manteve vários aquários dos mais diversos tipos e tamanho. Administrador de Empresas por formação, trabalha há 8 anos em um complexo de Usinas Hidroelétricas e administra uma escola de Idiomas, é também acadêmico de Ciencias Contábeis e pai de dois Aquaristas. Um dos idealizadores do Encontro Gaúcho de Aquarismo - Aquachurras e organizador das quatro primeiras edições do evento. A partir de 2013 passou a dedicar-se ao aquarismo marinho, porém ainda mantém um plantado low tec e um nano de camarões, atualmente os aquários dos filhos.