Essa pergunta tem alimentado bastante a curiosidade dos aquaristas. O tamanho de uma espécie é uma informação útil, principalmente antes de se levar qualquer peixe para casa. É uma grande satisfação encontrar aquários bem cuidados, com peixes crescidos, no seu máximo potencial de desenvolvimento. Um dos grandes erros do aquarista iniciante é tentar criar um espécie jumbo (sabendo ou não que ela cresce bastante) em um tanque incompatível ao seu crescimento mínimo (para não dizer pleno). O resultado da falta de espaço, caso não venha a perder o peixe, é a sua atrofia, quer dizer, ele não atingir nem a média de seu desenvolvimento, permanecendo como um juvenil (é o que se faz comumente com carpas, pacus, tilápias, cascudos, balasharks, bótias, etc criados em aquários pequenos).
Kinguio adultoBem, as fichas de peixes de aquário sempre trazem a informação do comprimento, embora às vezes isso passe despercebido por quem pesquisa na Web sobre as diversas espécies. A medida fornecida, algumas vezes, indica o tamanho médio que cada espécie atinge, ou que é normalmente encontrada em idade adulta. Em outras fontes, divulga-se o comprimento máximo que o peixe alcança. Por exemplo, essa dubiedade é notória com a espécie comum de peixe japonês ou dourado, o Carassius auratus, de cauda dupla (como a das carpas). Ele possui um tamanho médio de 10-15 cm em aquários caseiros, mas já se tem caso desse mesmo peixe ter atingido 59 cm em grandes viveiros. Na versão Ryukin do Peixe Dourado, com cauda de três pontas e o corpo mais comprimido, a média é de 10-12cm, mas há relatos de terem atingido 30-35cm, os maiores. Os Tubarões Bala, na maioria dos aquários caseiros não ultrapassam os 25 cm, mesmo vivendo em tanques de 1000L ou mais. Na natureza, e em grandes criatórios, chegam a mais de 35cm. Cito ainda o nosso conhecido lambari, nome comum do Astyanax bimaculatus, família dos Caracídeos, que em aquário chega a 10-12cm, mas tem sido visto com mais de 20cm, em grandes lagos e rios da América do Sul (pessoalmente, já vi um de 16 cm). Acima, um Kinguio de tamanho considerável.
No caso de peixes menores, não há tanta diferença entre natureza e cativeiro, quando se fala em tamanho máximo. Mas mesmo esses peixes “menores” não deixam de causar surpresas a muitos aquaristas, como os Espada-Sangue ou Verde (Xiphophorus sp.), que são vistos normalmente com 7-8 cm em aquários, mas podem alcançar os 13 cm em grandes tanques. Os Tetras Cardinais adultos chegam a 3 cm, os maiores, mas já presenciei esse peixes em uma loja que mediam quase 5 cm. Como eram de estimação, estavam indisponíveis para venda.
Claro que no ambiente natural de rios, riachos, lagos, igarapés ou pântanos, há muito mais espaço para os peixes nadarem, e existe mais variedade de alimento, também. Em aquário, devemos considerar que é preciso um volume e tamanho mínimos de tanque para se criar um peixe com comodidade, mesmo que ele não atinja seu tamanho máximo, e dependa quase exclusivamente dos seus donos para ter comida. Sendo bem realista, a maioria dos peixes criados em aquários não consegue atingir seu máximo crescimento, sobretudo por causa da falta de espaço dos tanques ou de alguma carência alimentar.
Oscars e Tucunarés de portes semelhantesA verdade é que a maioria dos criadores domésticos não dispõe dos tanques mínimos para cada espécie, nem fornece os melhores alimentos do mercado, por causa do seu custo elevado. Felizmente, grande parte dos peixes de aquário poderá atingir seu máximo desenvolvimento em cativeiro, em recipientes adequados para seu tamanho. Fica claro que o crescimento dos peixes não depende apenas de espaço e volume de água em seu habitat. A alimentação e a saúde são fatores de suma importância também. Peixes famintos e doentes em um grande viveiro podem crescer menos que outros da mesma espécie vivendo em um amplo aquário com alimentação balanceada e com todos os cuidados. De modo que nem é preciso dizer que os tamanhos fornecidos nos sites e livros de aquarismo não são absolutos, pois a criação pode tornar o peixe maior ou menor que a média. Em sentido inverso, existe quem duvide de alguns comprimentos máximos informados em sites oficiais, sobretudo quando nunca conseguiu que seu peixe chegasse àquele porte relatado, ou nunca viu um exemplar tão grande. Por exemplo, gente que cria Oscars  (Astronotus ocelatus) pode se admirar que o seu tenha chegado a 25cm no aquário, mas nunca viu um de 47 cm, conforme o que se informa nos sites (os Oscars ou Apaiaris são pescados nos rios e igarapés da Amazônia). Gostaria muito, de experiência própria, ver Bótias Palhaço de 30 cm, ou Bótia Modesta de 25 cm, Barbos Conchônios de 15 cm ou um Ituí Cavalo de 47 cm (conforme os sites indicam). Acima, Oscars criados em tanques de milhares de litros e com o mesmo tamanho dos Tucunarés.
Por fim, vale salientar que a medida de uma espécie adulta pode variar quanto ao gênero, ou seja, as fêmeas e os machos podem ser menores ou maiores entre si. Como exemplo, registro o caso das Coridoras, em que as fêmeas são um pouco maiores que os machos da mesma idade, ou os Betas, com machos maiores que as fêmeas, em geral, assim ocorrendo também com a maioria dos ciclídeos africanos. Porém, na grande parte dos peixes de aquários, tanto machos quanto fêmeas diferem pouco quanto ao tamanho adulto.
Sobre o autor:
Katsuzo Koike
Autor: Katsuzo Koike
Katsuzo Koike, aquarista e laguista incurável, é natural de Recife-PE e professor com doutorado em História. Filho do piscicultor japonês Johei Koike, ex-professor da Universidade Rural de Pernambuco, seu gosto pelo aquarismo começou na década de 70 por influência de seu pai, que durante a sua infância, sempre o levava ao Centro de Piscicultura da UFRPE para acompanhar a criação de diversas espécies de peixes, tendo crescido sempre próximo à esse meio. Prioriza sempre a qualidade de vida dos seres em relação à beleza e ao paisagismo do aquário.