Desde 28 de julho está circulando uma pequena e interessante nota sobre animais de estimação na Suíça, sendo que a chamada para esta notícia é um peixe, especificamente um kinguio, dentro (como sempre) de um aquário bola. Neste país e desde setembro de 2008 quando entraram em vigor as novas leis sobre o direito dos animais, é considerado crime (sim, crime de crueldade contra animais) manter um único e solitário exemplar de kinguio em aquário. Como?

Manter um kinguio sozinho é crime na Suíça.Exatamente isto que você leu. O governo suíço considera que é cruel forçar um kinguio a viver em isolamento por serem kinguios “animais sociais”, que apreciam e necessitam da companhia de outros de sua espécie. Buscando proteger o bem estar animal e especificamente o bem estar deste peixe, se quiser ter kinguios, no mínimo dois. Um só é burlar a lei. Ainda sobre peixes, estão também previstos nesta legislação os métodos aceitos para eutanásia.  

Como aqui não é Europa, não moramos na Suíça e nem chegaremos tão cedo a legislar sobre a propriedade de animais de estimação (se chegarmos a isto), só o que nos resta é resolvermos a situação por conta própria. Enquanto lá a manutenção do bem estar animal é sujeita a leis e punições, por aqui contamos uns com os outros no sentido de disseminar informações e conhecimento para a melhoria de vida de nossos pets de nadadeiras.

Às vezes a coisa é até mais simples do que imaginamos, só questão de ampliar a busca. Explico: quando montamos uma fauna, não é raro que o foco se restrinja a uma pesquisa de pH e temperatura. Escolhemos peixes que nos agradam e que compartilhem os mesmos intervalos de conforto destes dois parâmetros, colocamos todos no aquário e damos o assunto por encerrado, na certeza de que tudo ficará bem. Mas e o resto? Como assim, que resto? 

Se eu quero um peixe que vive bem em cardume, preciso providenciar um grupo e não um único indivíduo. Da mesma forma, se quero peixes que reconhecidamente são tímidos e assustadiços, preciso oferecer um local que possam usar como refúgio para ficarem menos expostos. Se o peixe tem hábitos noturnos, necessitará de tocas e esconderijos onde possa ficar durante o dia. Se tiver o hábito de se enterrar no substrato, é melhor que eu coloque areia fina do que basalto para ele não se machucar. São aspectos, minúcias e sutilezas que atendem determinadas necessidades próprias de cada espécie e que contribuem para sua qualidade de vida. Conhecer as características comportamentais dos peixes que deseja ter também é fundamental para manter um ambiente pacífico e sem estresse.  Não parece, mas o estresse contínuo afeta profundamente a saúde e desenvolvimento dos peixes. 

Enfim, conhecer o que cada espécie precisa para viver bem  é valorizar e respeitar animais que estão sob nossa responsabilidade e que dependem totalmente das escolhas que fazemos para viverem bem ou mal. Inclusive, a única verdade absoluta e inquestionável que conheço no aquarismo é: "o aquário é meu, faço o que quiser". Não custa optar por fazer o melhor. Creio que não precisamos de leis para manter bem nossos peixes de estimação. Empenho em aprender, boa vontade para usar estas informações em nossas montagens e a solidariedade em dividir o conhecimento uns com os outros já nos faz melhores. A turma de guelras e nadadeiras agradece.

Agora vou alimentar meus sempre mortos de fome, que os cinco (estou cumprindo a legislação suíça de bem estar animal) já estão amontoados na lateral do aquário fazendo uma pressão básica para jantar mais cedo.

Sobre o autor:
Solange Nalenvajko
Autor: Solange Nalenvajko
Solange Nalenvajko, mais conhecida como Xica, é natural de Curitiba-PR e aquarista desde 2010, época em que começou a estudar e planejar o que chamou de "seu primeiro aquário de verdade", daí para diante foi puro amor pelo hobby. Sua paixão e alvo de maior dedicação sempre foram os Kinguios ou "Gordos" como gosta de chamar, em geral mantidos em aquários com plantas naturais e de baixa manutenção. Uma das pessoas mais carismáticas do AqOL, é formada em Administração de Empresas pela FAE, atualmente ocupa a posição de Rainha do Lar convivendo com a nobreza.