Todo aquarista consciente deseja que seu aquário tenha uma vida saudável, pelo menos na medida do possível. Uma ambientação adequada somada a boa convivência entre as espécies do aquário é capaz de promover as lindas imagens que tanto alegram os amigos hobbistas. No entanto, o que se nota nos fóruns e sites de aquarismo é a falta de compreensão ou experiência de alguns criadores em reconhecer ou “ler” no comportamento de seus peixes alguns problemas que aparentemente não tinham motivo para ocorrer, mas que de repente começam a acontecer. Peixes parados demais, um nado irregular, agitação ou agressividade, além de outras mudanças inesperadas de comportamento podem constituir sinais indicadores de problemas no aquário.

Certo que cada espécie tem uma forma de se comportar no aquário em seus padrões típicos. Sabemos da importância de conhecer as formas naturais de cada espécie agir ao nadar, ao se alimentar, ao se esconder, ao conviver com outros peixes. Esse saber é conquistado com o decorrer do tempo, observando determinada espécie em sua vida cotidiana. Mas o que proponho discutir neste artigo são os comportamentos estranhos dos peixes, desde sua chegada ao aquário, na fase de adaptação ao novo lar, até a época em que surge algum problema como uma doença ou mesmo quando fatores diversos no ambiente alteraram a sua postura no tanque. Reconhecer algumas posturas e comportamentos estranhos nos peixes que criamos pode ajudar a tomarmos as medidas mais adequadas para tentar resolver as questões.

Ocorre que nem toda postura “estranha” (na nossa ótica) é sinal de distúrbio. Não se pode reclamar que suas piranhas estejam muito agressivas. Um amigo reclamava que seu cascudo limpa-vidro quase não saía do lugar e por isso estaria doente. Assim, ele mexia no peixe com uma redinha, para ele se “movimentar”. Mal sabia que repetindo isso várias vezes por dia estava a estressar o pobre coitado. Outros não sabem que as bótias, com certa freqüência, parecem deitar no fundo do tanque e que tal comportamento não é anormal. O Chalceus finge-se de morto sob grande ameaça. Já vi quem questionasse por que seu peixe betta passava horas na mesma posição no tanque. Ora, quem não sabe que bettas não são peixes ativos?

Outro colega, após comprar uma bótia modesta, achou ruim que ela quase não aparecesse no aquário, já que ficava sempre dentro de uma pedra marinha que ele tinha. Terminou por retirar a toca, deixando o peixe tão estressado que ele acabou saltando fora do tanque por uma pequena fresta. Isso poderia acontecer com um lábeo frenatus também. Cito outro caso engraçado. Um criador dizia que seus peixes mudaram de atitude de repente, estavam quietos demais e tal... depois relatou o pequeno detalhe: há uma semana havia colocado um Oscar albino de quinze centímetros dentro do tanque!

Portanto, analisaremos aqui certos comportamentos de distúrbio em que os peixes demonstram uma situação crítica, estressante ou doentia, que em geral são recorrentes em muitos aquários.

 

Isolamento, peixe parado em um canto. Peixes que se isolam e não se mexem, se isso não for natural para a espécie, apresentam problemas. Em geral ficam parados, ofegantes, murchos e sem coloração viva. É normal que um animal recém colocado em um aquário muito novo (às vezes até sem tempo de ciclagem) fique em um canto parado e sem cor. É preciso acompanhar os parâmetros da água do tanque e sempre observar o peixe, para ver se ele muda de postura.

Por exemplo: um peixe tropical em água muito fria, tipo 18 graus ou menos, tende a se movimentar menos. A inanição é comumente causada por presença de estresse, devido a grandes alterações de ambiente e água, como no caso do pH, ou por problemas de presença de cloro, pouca oxigenação e muito nitrito e amônia na água. Também a falta de tocas, para as espécies que gostam de se esconder ou falta de companhia da mesma espécie, quando esta é de cardume, e até deficiência alimentar. Para ilustrar, não se aconselha comprar apenas um barbo ouro, pois este tenderá a ficar escondido, parado. O que ainda pode gerar tal comportamento é a presença de peixes hostis ou territoriais, que terminam constrangendo os de outras espécies a ficarem encolhidos em um canto.

 

Nado irregular. Alguns peixes, por natureza, possuem um nado estranho, como os Kinguios telescópios. Mas até esses peixes podem apresentar comportamentos irregulares, por exemplo, quando nada de cabeça para baixo ou sempre de lado. Já a posição de ponta-cabeça é normal para o Chilodus punctatus. Nado irregular é geralmente resultado de alguma doença bacteriana ou mesmo pela falta de nadadeiras, perdidas por doença ou por ataques de outros peixes, que geraram ferimentos. Um tipo comum de nado irregular é quando o peixe faz movimentos de "parafuso", girando em torno de si mesmo. Isso indica alguma doença grave, virótica, bacteriana ou outra em estado avançado, geralmente já tendo atingido o sistema nervoso do peixe. Dificilmente este peixe vai se recuperar, forçando o criador a pensar em algum tipo de eutanásia, infelizmente.

 

Sugando ar na superfície d´água. Ora, às vezes é normal que certas espécies, como molinésias, espadas, lebistes, kinguios e bettas fiquem assim, pelo menos na hora da refeição, quando a ração fica boiando na superfície. Peixes como as agulhinhas também vivem na superfície. Mas em geral, pode ocorrer que os peixes estejam assim porque o oxigênio do tanque esteja quase no final e a qualidade da água esteja péssima. A tendência é virem a morrer em poucas horas. Por isso, o melhor nesse caso seja retirar os habitantes para outro ambiente mais equilibrado ou tentar uma troca parcial, de emergência, mas com água descansada de alguns dias. A situação complica para quem, por inexperiência ou falta de espaço e possuindo apenas um aquário em casa, é acometido por uma emergência fora de hora: as perdas serão inevitáveis. Colocar os peixes em água que sai direto da torneira é morte certa, como sabemos. É bom manter sempre outro tanque,  pouco habitado e bem equilibrado, para certas emergências no aquário principal. Pode levar meses, mas um belo dia o criador vai precisar muito dele.

 

Peixe se esfregando em superfíciesPeixe “se coçando” em pedras, substrato, plantas e vidro. Também é outro comportamento recorrente, irritando os peixes, sobretudo provocado por doenças parasitárias que atacam ao longo do corpo ou nas guelras. O íctio é uma das moléstias que causam esse comportamento, de grande incômodo para os peixes. E não é preciso nem que os pontos brancos estejam visíveis para o peixe estar com a doença. É preciso iniciar logo algum tratamento, para evitar uma infestação maior. Fungos e até presença de cloro na água podem levar os habitantes do aquário a se esfregarem nos objetos e plantas, como ainda os vermes lérnea (na verdade um crustáceo), que também geram coceira e irritação nos peixes.

 

Peixe esfregando o bico no vidro, freneticamente. Muitas vezes, um peixe que mudou de um ambiente maior e vai para um bem menor pode tomar essa atitude. Já vi casos de peixes criados em grandes viveiros (tipo lagos) ou que coletados na natureza, ao passarem para aquário, estranhar ver sua imagem no vidro. Há quem diga que um excesso de oxigenação na água pode gerar certa excitação e o peixe fica como que querendo “furar” o vidro do aquário. Se diminuir as borbulhas do filtro ou da bomba, esse comportamento pode acalmar.

 

Peixes com respiração ofeganteRespiração alterada, como ofegante. Este é outro sintoma de doença, estresse ou má qualidade da água. Peixes ficam muito agitados na hora de captura. É normal, por causa da “canseira” que sofrem. Luz muito forte ou grande claridade incidindo sobre espécies que gostam de locais sombrios, tendem também a gerar essa postura estressante por exemplo em cascudos em geral, lábeos, dojôs, peixes albinos, entre outros. É preciso estudar cada espécie, para deixá-la o mais confortável possível no tanque. A falta de oxigenação é outro fator de respiração alterada. Mas o pior são as doenças (íctio, oodinium, etc) que deixam os peixes não apenas ofegantes, mas também sem querer comer, no fundo ou na superfície do tanque. Busque o tratamento certo, para a situação não piorar.

 

Por fim, reafirmo que a experiência com peixes de aquário nos ensina a detectar os mais variados problemas, apenas basta ter atenção redobrada com eles. Lembre-se que cada espécie tem suas formas de reagir ao que acontece a sua volta. Por isso, fique atento ao comportamento de seus peixes.

 

 

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Sobre o autor:
Katsuzo Koike
Autor: Katsuzo Koike
Katsuzo Koike, aquarista e laguista incurável, é natural de Recife-PE e professor com doutorado em História. Filho do piscicultor japonês Johei Koike, ex-professor da Universidade Rural de Pernambuco, seu gosto pelo aquarismo começou na década de 70 por influência de seu pai, que durante a sua infância, sempre o levava ao Centro de Piscicultura da UFRPE para acompanhar a criação de diversas espécies de peixes, tendo crescido sempre próximo à esse meio. Prioriza sempre a qualidade de vida dos seres em relação à beleza e ao paisagismo do aquário.