No nosso dia-a-dia de aquaristas, entramos em contato com uma enorme variedade de plantas e peixes, que chegam a milhares de espécies. Dependendo da região onde moramos, ou até mesmo de uma pessoa para outra, o mesmo peixe pode ter dezenas de nomes. Por exemplo, o mesmo peixe pode ser chamado de oscar, apaiari, acará dorminhoco, etc., dependendo da região onde você more ou até mesmo da pessoa com quem esteja conversando. Em muitos casos, fica muito difícil obter informações ou discutir sobre um determinado peixe ou planta, já que nem mesmo sabemos de qual ser estamos falando. 

Se isso no nosso hobby já é difícil, imaginem então na comunidade científica internacional, com milhões de organismos, e consequentemente milhões de nomes populares no mundo todo. Buscando resolver esse problema, o cientista Carollus Linnaeus (conhecido em português como Lineu) criou em 1758 o sistema de nomenclatura e classificação científica, que com algumas alterações permanece até hoje.

Lineu classificou as espécies de seres vivos em reinos, filos, classes, ordens, famílias, gêneros e espécies, sendo que a medida que se “desce” na classificação mais parecidos os seres vivos vão ficando entre si, até chegarmos à espécie.     

Uma espécie é um conjunto de indivíduos muito parecidos entre si, com o mesmo número de cromossomos, e a capacidade de se reproduzirem entre sí e gerarem descendentes férteis. Para designar uma espécie, Lineu convencionou que deveria ser usada a nomenclatura binomial, ou seja, a espécie tem “nome e sobrenome”, sendo o primeiro nome o gênero e o segundo, a espécie. Por exemplo:

1 - Paracheirodon axelrodi
2 - Paracheirodon simulans
3 - Paracheirodon innesi

4 - Apistogramma cacatuoides
5 - Apistogramma gephyra
6 - Apistogramma pulchra

Os peixes 1, 2 e 3 pertencem ao mesmo gênero, Paracheirodon, ou seja, tem muitas características em comum, mas não pertencem à mesma espécie, e por isso não podem reproduzir entre si gerando descendentes férteis. O mesmo acontece com os peixes 4, 5 e 6 do gênero Apistogramma.     

Na nomenclatura científica convencionou-se ainda que todos os nomes dos seres vivos, além de conter gênero e espécie, devem ser escritos em latim, e de preferência em itálico, negrito ou sublinhados. Isso porque o latim é uma “língua morta”, e por isso não sofrerá mais alterações, ao contrário de outras línguas, que estão em constante mudança.    

Em alguns casos, pode haver ainda um "segundo sobrenome" que indica a variedade, uma subdivisão dentro da espécie, mas que permite a reprodução entre sí, ou seja, entre as variedades da mesma espécie, gerando descendentes férteis. Exemplo:

7 - Tropheus duboisi "maswa"
8 - Tropheus duboisi "kigoma"

9- Apistogramma cacatuoides "Triple Red"
10 - Apistogramma cacatuoides "Orange Flash"

Os peixes 7 e 8 são de variedades diferentes, "maswa" e "kigoma" respectivamente, mas pertencem ao mesmo gênero e espécie, e podem se reproduzir normalmente entre sí gerando descendentes férteis.

Resumindo, o nome científico normalmente é composto por gênero e espécie (Ex.: Paracheirodon axelrodi) e em alguns casos gênero, espécie e variedade (Ex.: Apistogramma cacatuoides "Triple Red"). Muitos aquaristas acham difícil e complicado a nomenclatura científica dos peixes e plantas. Claro que é mais fácil falar “Neon cardinal” do que Paracheirodon axelrodi ou “Oscar” do que Astronotus ocellatus, mas vale a pena fazer um esforço e procurar aprender a usar os nomes científicos, já que eles facilitam muito a procura de informações e o intercâmbio entre pessoas de diversas regiões e países, principalmente em buscas na Internet.

Fotografias: Ana Cláudia, Heidge Fukumasu, Magáli Otaki e Marne Campos

Sobre o autor:
Autor: Alex Ribeiro