Quantas pessoas não começaram no aquarismo com um aquário de uns dois litros habitado por uma beta macho? Realmente, depois que a mania do peixinho dourado no aquário redondo em cima do piano deu uma folga, o beta vem ganhando bastante espaço nas casas das pessoas. Conhecido também como peixe de briga, o beta é o protagonista de verdadeiros combates onde pessoas inescrupulosas apostam num possível vencedor. No Brasil, felizmente esse hábito é desconhecido, pelo menos com os betas.
No mundo científico é conhecido como Betta splendens, é um peixe não muito exigente, podendo ser mantido em um aquário sem aeração, devido a sua capacidade de retirar oxigênio do ar atmosférico, característica comum nos anabantídeos. Plantas são muito bem vindas, principalmente as mais altas, pois servem de descanso para o peixe que precisa subir à superfície sempre que for respirar e se cansa muito devido ao tamanho de suas nadadeiras.
Colocá-lo num aquário de vidro de maionese, como indicam os lojistas, é um erro, peixe nenhum gosta de viver confinado a dois litros de água, e com certeza num aquário maior, seu peixe ficará bem mais bonito e saudável, a temperatura deve estar próximo aos 26ºC e o pH levemente ácido. Se for da vontade do aquarista ter um beta macho num aquário comunitário, poderá faze-lo sem problemas, com tanto que a água não seja muito agitada e não hajam peixes mais agessivos, evite colocar mais de um macho se o aquário não tiver pelo menos um metro de comprimento, fêmeas costumam conviver em grupo, perfeitamente.
A reprodução é bem fácil e pode até render uns trocados ao aquarista.
Coloque um macho num aquário de uns 20L, com uma coluna d'água de no máximo 10cm, temperatura em torno de 28ºC e pH levemente ácido, o uso de uma bombinha aeradora bem fraca é recomendado pois os filhotes respiram dentro d'agua no começo, para estimular o macho, coloque uma fêmea no aquário, mas separados por um vidro. Ele deve começar a construir um ninho de bolhas na superfície, nessa fase, plantas de superfície são bastante úteis para manter a consistência do ninho, outro truque é deixar o aquário tampado para aumentar a umidade e deixar o ninho mais resistente.
Depois que o ninho estiver cobrindo boa parte da superfície, retire a divisória, e fique atento, pois o macho deve machucar bastante a fêmea durante todo o ritual, até que com "abraços" ele recolhe os ovos e os fertiliza, a fêmea deve ser retirada do aquário depois disso.
O macho pegará um por vez no fundo do aquário e o depositará no ninho de bolhas, a eclosão deverá ocorrer após 24 ou 48 horas e o macho se encarregará de cuidar dos filhotes. Fique atento ao momento que os pequeninos começarem a sair do ninho e nadarem na horizontal, pois a partir daí o pai pode começar a devorá-los e será a hora de tirá-lo do aquário.
A alimentação dos alevinos é feita através de ração própria para esse fim, naúplios de artêmia, infusórios etc. Depois é só esperar e conforme eles forem crescendo ir distribuindo nos aquários. A alimentação é basicamente carnívora, devendo oferecer-lhe além da ração básica, fígado e coração de boi, tubifex, artêmia salina etc.
Fotografias: Marcelo Drummond
| Nome científico: | Betta splendens |
| Origem: | sudeste asiático |
| pH: | 6,6 a 7,0 |
| Temperatura: | 26ºC |
| Dureza: | 8 DH |
| Tamanho adulto: | 7cm |
| Tamanho do aquário: | 40L |
| Alimentação: | carnívoro |
| Reprodução: | ovíparo |
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