Insetos e outros artrópodes de água doce

Discussões gerais sobre os peixes e invertebrados de água doce, abordando assuntos específicos como comportamentos, morfologia, reprodução, alimentação etc.

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Walther
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:04

Bloodworm (insetos da ordem Diptera, família Chironomidae)

Na realidade a denominação “bloodworm” é somente para algumas larvas destes mosquitos, que têm cor vermelha pela presença de hemoglobina. De qualquer forma, acho que é o nome mais comum pelo qual nós aquaristas teremos contato com estes animais. São larvas de pequenos mosquitos inofensivos, muito comuns.

Tamanho: Larvas de até 3 cm, geralmente menores.

Identificação: Suas larvas são alongadas e cilíndricas, semelhantes a vermes. Cabeças esclerotizadas e bem delimitadas. Não possuem patas verdadeiras, somente dois pares de pró-patas, no primeiro segmento torácico, e também no último abdominal. Apesar da vermelha ser a mais conhecida, possuem cores variáveis. Muitas constroem tocas tubulares usando debris, vivendo no seu interior. Nadam mal, geralmente se rastejam no substrato.

Habitat e ciclo de vida: Grupo heterogêneo, possui espécies com larvas aquáticas, terrestres e até marinhas. Muito resistentes a poluição, algumas vivem até em águas contaminadas de minas ácidas. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores. Possuem metamorfose completa, passando por uma fase de pupa de onde emerge o inseto adulto.

Alimentação e respiração: Debris orgânicos e microinvertebrados, embora algumas espécies sejam predadores. Algumas espécies que vivem em água corrente constroem teias para capturar debris. Larvas respiram ar através de difusão, não necessitando ir à superfície. A presença de hemoglobina permite algumas espécies viverem em ambientes pobres em oxigênio. Adultos têm boca atrofiada, a maioria não se alimenta. Algumas sugam água e néctar.

Perigo para humanos ou peixes: Todas inofensivas, para peixes ou humanos. São inclusive populares como alimento vivo. Porém, com o crescente uso de formas industrializadas como alimento para peixes, existem relatos de reações alérgicas (algumas até graves) em humanos, desencadadas por bloodworms liofilizados ou congelados.

Curiosidades:
- Os adultos emergem da pupa simultaneamente, formando grandes enxames, quando podem até representar perigo a animais e humanos, pelo risco de asfixia. Até 70000 insetos por metro cúbico já foram registrados.
- Quando adultos emergem no Lago Victória, na África, são capturados com redes e usados na alimentação humana, na forma de bolos. É uma importante fonte de proteínas para a população local.
- Duas espécies são descritas na Antártida, sendo o recorde de larvas de insetos não parasitas encontrados mais ao sul do planeta. Também é o grupo aquático dominante no Ártico.
- Existe uma espécie da Flórida, Dicrotendipes thanatogratus, cujo nome é a tradução literal de Grateful Dead, uma banda de rock.

Larva de quironomídeo da subfamília Chironominae, este sim um "Bloodworm". Cerca de 11 mm, coletado em Vinhedo, SP.
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Viviam em tocas tubulares feitas de debris:
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A cor vermelha só se desenvolve com o crescimento da larva. À esquerda, uma larva em estágio inicial, ainda pálida. À direita a pupa, também com a cor vermelha.
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Outra pupa, bem vermelha, e o saco de ovos em espiral.
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Outro tipo de saco de ovos, de outra espécie.
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Pupa:
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O inseto adulto. Esta espécie possui asas curtas, se limitando a deslizar na superfície da água.
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Larvas de quironomídeo da subfamília Tanypodinae. Cerca de 8 mm, coletado em Itatiba, SP.
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Pupa:
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Outra espécie, as tocas tubulares numa folha, à esquerda.
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Última edição por Walther em 01 Nov 2010, 14:10, editado 3 vezes no total.
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Walther
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:05

Mosquitos fantasma (insetos da ordem Diptera, família Chaoboridae)

Esse grupo engloba mosquitos não-hematófagos (exceto uma única espécie), com larvas e pupas aquáticas de características bem marcadas. Os adultos são mosquitos voadores, inofensivos.

Tamanho: até 1,3 cm.

Identificação: Larvas alongadas, nadam na horizontal. Corpo bastante transparente, daí o nome em inglês de “phantom midge”. Destacam-se estruturas arredondadas metálicas, que são sacos contendo ar (tubos traqueais expandidos), usadas para flutuação na água. Quando vistos de cima, podem ser confundidos com diminutos alevinos de peixes, com olhos escuros. Antenas preênseis adaptadas para capturar presas. Quando ameaçados, nadam com movimentos de contorção semelhantes a outros mosquitos. Pupas mantêm aspecto translúcido, e são mais alongadas do que outras pupas de mosquitos, ficando em posição vertical.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas paradas e límpidas, durante o dia as larvas se situam mais próximas ao substrato, durante a noite apresentam um movimento migratório em massa para junto da superfície. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores, formando massas gelatinosas arredondadas ou em espiral, dentro do qual podem ser vistos os diminutos ovos. Possuem metamorfose completa, passando por uma fase de pupa de onde emerge o inseto adulto.

Alimentação e respiração: Larvas são predadores de microinvertebrados. Curiosamente a grande maioria dos adultos não se alimenta, vivendo de reservas obtidas durante a fase larval. Algumas poucas exceções se alimentam de néctar, e existe uma espécie hematófaga. Larvas obtêm oxigênio diretamente da água, não necessitando ir à superfície.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivas para humanos e peixes. São predadas por peixes.

Curiosidades:
- Semelhante a alguns quironomídeos, no lago Nyasa (África), o Chaoborus edulis forma grandes enxames que emergem simultaneamente do lago, aos milhões, chegando a obscurecer janelas, dificultar o trânsito local, e até obrigando as pessoas a usar máscaras improvisadas. Têm vida curta, ao morrerem formam volumosas massas flutuantes no lago, coletadas na costa pela população local, que fazem massas compactas vendidas em mercados locais para alimentação humana na forma do chamado "Bolo Kunga".

Larva de Chaoborus sp., coletado em Minas Gerais, todas as fotos cortesia de betinha_chan (Era de Aquários).
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Larva e pupa:
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Pupa:
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Saco de ovos:
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Walther
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:05

Mosquitos dixídeos (insetos da ordem Diptera, família Dixidae)

É um pequeno grupo que engloba diminutos mosquitos não-hematófagos, próximos dos Chaoboridae, com larvas aquáticas. Os adultos são mosquitos voadores, inofensivos. Cerca de 400 espécies no mundo.

Tamanho: até 1,0 cm.

Identificação: Larvas alongadas, vivem na superfície da água. Não possuem sifão respiratório, mas uma estrutura alongada no abdome chamada de lobo pós-espiracular. Pró-pernas no primeiro, ou nos dois primeiros segmentos abdominais, o que caracteriza este grupo. A cabeça fica virada para cima, em hiperextensão. Nadam com movimentos de contorção na superfície da água, usando a região branquial como apoio na própria face inferior do filme superficial (hiponêuston). Um interessante artigo aqui. Quando repousam na margem, permanecem numa posição bem característica, fletidos numa forma de "U invertido".

Habitat e ciclo de vida: O gênero Dixa prefere correnteza, e o Dixella vive em águas paradas. Flutua imediatamente abaixo do filme superficial, semelhante aos Anopheles. Daí seu nome em inglês, "meniscus midge" (algo como "mosquito da tensão superficial"). Diferentes de outros mosquitos, a fase de pupa se dá fora d´água, fixa em algum substrato. Os ovos também são depositados em locais secos, marginais. Adultos são maus voadores, permanecendo próximos aos corpos d´água.

Alimentação e respiração: Larvas são filtradores, usando cerdas nas regiões bucais para obter alimento. Larvas obtêm oxigênio do ar, usando o lobo pós-espiracular.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivas para humanos e peixes. São predadas por peixes.

Larva de Dixella sp., coletado em Vinhedo, SP, cerca de 8 mm, mostrando a típica postura em "U invertido".
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Note a posição da cabeça, em hiperextensão.
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Larva rabo-de-rato (insetos da ordem Diptera, subordem Syrphidae, geralmente a espécie Eristalis tenax)

São larvas de algumas espécies de moscas-das-flores da família Syrphidae. Em inglês, os adultos são chamados de “hover fly” devido à sua habilidade de pairar no ar, semelhantes a um beija-flor. São grandes moscas com padronagens e cores imitando abelhas e vespas (negras com faixas brancas, amarelas e laranjas), com os quais são frequentemente confundidos (mimetismo batesiano).

Tamanho: até 3 cm, sem o sifão.

Identificação: Larvas com corpo cilíndrico, semelhantes às larvas da mosca comum, mas com aspecto translúcido e enrugado, com pregas transversais. Sifão respiratório longo e fino, na cauda do animal. O sifão tem aspecto tubular, e é composto de três segmentos telescópico. Funciona como um “snorkel” de mergulho, permitindo que a larva respire ar enquanto submersa. O sifão possui pelos hidrófobos na extremidade. Em repouso, o sifão tem o comprimento aproximado do corpo da larva (cerca de 2 cm), mas pode ser bastante estendido, atingindo até 15 cm. A pupa tem um aspecto muito parecido com a larva, também com sifão, mas seu corpo é mais curto e largo. Possui dois apêndices torácicos semelhantes a chifres, que auxiliam na sua respiração. Sua cauda não é móvel, permanecendo fixa numa posição curvada para o dorso. Ficam em local seco, por oito a dez dias, enterrados pouco abaixo da superfície.

Habitat e ciclo de vida: Ovos brancos, alongados, e envoltos por material adesivo, são depositados alinhados próximo à superfície da água, ou em meio a material em decomposição. Vivem em águas estagnadas, pobres em oxigênio, com alto conteúdo orgânico, enterrados no substrato. É bastante tolerante a poluição, vivendo em fossas e esgotos. Metamorfose completa, três fases de larva. Duas ou três gerações por ano. Adultos se alimentam de pólen e néctar, preferem flores de cor amarela, são importantes agentes polinizadores. Espécie cosmopolita, encontrado em todos os continentes exceto Antártida, tanto em locais de clima quente como frio.

Alimentação e respiração: Larvas detritívoras, se alimentam de material orgânico em decomposição, de origem animal ou vegetal. Respiram ar com o sifão.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para peixes e outros animais aquáticos. O texto a seguir não é recomendado para “estômagos sensíveis”, descreve a acidental hospedagem destas larvas em seres humanos: Existem casos esporádicos de Pseudomiíase Gastrointestinal Humana relacionadas a esta larva, com casos registrados inclusive no Brasil. São sempre associadas a péssimas condições de higiene, as larvas se desenvolvem no intestino, sendo posteriormente eliminadas junto às fezes. Não se sabe ao certo se ovos são ingeridos junto à água contaminada ou alimentos estragados, ou ainda se os ovos são depositados próximo ao ânus do paciente, e migram para o interior do reto. Existem muitos outros casos registrados de larvas se desenvolvendo em outras cavidades corporais, como nariz, ouvido, vagina, etc, todos relacionados a precárias condições de higiene (eu avisei!).

Curiosidades:
- Provavelmente as descrições bíblicas de abelhas surgindo de animais mortos são desta espécie, cujas larvas podem se desenvolver em carcaças, e os adultos lembram abelhas.
- Em alguns países são criados para serem usados como iscas de pesca, especialmente em países frios, na pesca no gelo.
- Existe um relato em literatura científica de neotenia e pedogênese destas larvas, ou seja, a maturidade sexual na fase larvar, e a produção por partenogênese de filhotes, sendo descrito neste artigo a geração de sete a trinta cópias.
- Machos são territoriais, vivem toda sua vida num território bem estabelecido, o qual defende vigorosamente.
- O Eristalis tenax adulto imita com perfeição o aspecto da abelha melífera européia (Apis mellifera).

Larva de Eristalis tenax, coletado numa poça d´água num bosque em campos de Jordão (SP), em água de chuva acumulada num pedaço de caixa d´água quebrada.
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Última edição por Walther em 13 Dez 2011, 21:47, editado 1 vez no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:05

Mosquitos-garça (insetos da ordem Diptera, família Tipulidae)

Esse grupo engloba grandes mosquitos não-hematófagos,que alcançam até 8,0 cm de envergadura de asas na forma adulta. Mosquitos com pernas longas, finas e quebradiças, daí seu nome em inglês, “crane fly”. Nem todas as larvas e pupas são aquáticas.

Tamanho: larvas de até 5,0 cm.

Identificação: Larvas alongadas semelhantes a vermes. Rastejam no substrato com movimentos semelhantes a lagartas. Possuem um par de espiráculos escuros na extremidade da cauda, usadas para respiração. Esta região pode ser margeada por seis estruturas flácidas semelhantes a tentáculos, com pêlos, fato que ajuda na sua identificação. Cabeça pequena, arredondada e retrátil nos primeiros segmentos torácicos.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em diversos ambientes, águas paradas ou com correnteza. Toleram salinidade e poluição. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores. Possuem metamorfose completa, passando por uma fase de pupa de onde emerge o inseto adulto. Algumas espécies são semi-aquáticas.

Alimentação e respiração: Larvas se alimentam de algas e material em decomposição. Adultos se alimentam de néctar. Larvas obtêm oxigênio do ar, ou possuem respiração cutânea.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivas para humanos e peixes. São predadas por peixes.

Curiosidades:
- Existe uma espécie no Alasca que se reproduz uma vez a cada cinco anos, devido ao clima frio.

Larva de Dictenidia pictipennis fasciata, espécie japonesa, todas as fotos cortesia de vitortakai (Era de Aquários).
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Pupa de outra espécie, coletada em Caraguatatuba, SP.
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Um inseto adulto, fotografado em Vinhedo, SP.
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Moscas do Brejo, Moscas "Matadoras de Caramujos" (insetos da ordem Diptera, família Sciomyzidae)

Pequenas moscas, com a maioria das larvas aquáticas ou semi-aquáticas. Algumas poucas espécies com larvas terrestres. Cerca de 600 espécies no mundo. Em inglês chamadas de "Marsh fly" ou "Snail-killing fly".

Tamanho: larvas de até 2,0 cm.

Identificação: Corpo alongado, fusiforme com as extremidades afiladas. Corpo flácido e carnoso, rugoso e pregueado, semelhante a couro, porém translúcido. Curtos tubérculos arredondados em cada segmento corporal. Extremidade caudal margeada por estruturas flácidas semelhantes a tentáculos. Cabeça pequena, arredondada e retrátil nos primeiros segmentos torácicos. Adultos têm cores vivas, geralmente corpo alongado de cor amarelada ou acastanhada. Proeminentes antenas direcionadas para frente.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas estagnadas, em charcos e pântanos, ou próximo às margens de lagoas e rios com pouca correnteza. Geralmente vivem flutuando imediatamente abaixo da superfície da água (hiponêuston). Para isto fazem uso de pêlos impermeáveis na região posterior, além de uma grande bolha de ar no seu estômago. Alguns depositam seus ovos em objetos pouco acima da superfície d´água, outros depoisitam ovos diretamente na concha de caramujos vivos. Quando nascem, estas larvas entram na concha do caramujo e se alimentam de seus tecidos sem causar sua morte imediata. A pupação muitas vezes se dá no interior de uma concha de caramujo.

Alimentação e respiração: Larvas predadoras, se alimentam quase que exclusivamente de caramujos e seus ovos. Durante a fase larval, uma única larva vai se alimentar de cerca de 24 caramujos. Adultos se alimentam de néctar. Larvas obtêm oxigênio do ar, ou possuem respiração cutânea.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivas para humanos e peixes, mas são predadores de caramujos, inclusive ornamentais. São predadas por peixes.

Curiosidades:
- Espécies deste grupo são usadas como agentes de controle biológico de caramujos hospedeiros de doenças humanas, como a Fascíola e a Esquistossomose.

Larva de Sciomyzidae, espécie desconhecida, cerca de 20 mm. Coletado em Vinhedo, SP.
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Mostrando os movimentos peristálticos.
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Esta espécie vivia na superfície da água, nadava de uma forma bem diferente, flexionando e estendendo sua região cefálica, como na foto abaixo, enquanto mantinha o resto do corpo flutuando. Parecia um braço amputado de algum zumbi de filme de terror nadando sozinho... :lol:
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Última edição por Walther em 13 Dez 2011, 21:54, editado 4 vezes no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:06

Borrachudos (insetos da ordem Diptera, subordem Simuliidae)

Existem cerca de 1500 espécies no mundo, e cerca de 40 no Brasil. Conhecidos também por "pinhum", "pium" ou "promotor", são pequenas moscas de cor escura, fêmeas adultas picam humanos, sendo famosos principalmente no litoral por serem bastante numerosos e com a picada bastante incômoda. Picam durante o dia. Sua picada é indolor, mas causam uma forte reação no local, com intensa coceira e inchaço e dor. Diferente dos mosquitos, deixam uma característica marca avermelhada no local da picada.

Tamanho: até 0,7 cm.

Identificação: Corpo cilíndrico, com a região abdominal mais larga. Cabeça esclerotizada, pró-pernas macias no tórax. Um par de grandes cerdas em forma de leque na cabeça, usadas para filtrar alimentos. Um círculo de pequenos ganchos na extremidade do abdomen, usadas para se fixar em algum objeto. Desta região, produzem seda, que auxiliam na sua fixação. Se forem deslocados, e ficam livres na correnteza, usam a seda para criar uma teia, e ficam pendurados neste fio, usando-a para retornarem a uma posição adequada (artifício muito semelhante à de uma aranha). Pupas têm um aspecto bem típico, ficam alojadas em um casulo com formato de cone, cujo ápice fica aderido em algum objeto. A cabeça se situa junto à abertura, da qual se originam finos tentáculos. Os adultos são pequenas moscas que sugam sangue, geralmente de cor preta.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas límpidas com correnteza. São sensíveis a poluição e salinidade. Adultos liberam ovos na superfície, ou mergulham para depositá-los no substrato. Larvas aquáticas, pupas idem, adultos são insetos voadores. Larvas se movimentam com movimentos alternados de flexão e extensão, como algumas lagartas, usando as garras anais e as pró-pernas no tórax. Mas na maior parte do tempo ficam fixas a algum objeto submerso.

Alimentação e respiração: Larvas filtradoras, usam as cerdas em leque para capturar debris e microalgas. Adultos se alimentam de néctar, e fêmeas de muitas espécies são hematófagas. Larvas obtêm oxigênio através de difusão, usando guelras anais. Pupas também, usando os tentáculos filamentosos da região cefálica.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos ou peixes, são predados por peixes. Fêmeas hematófagas são vetores da oncocercose, e de várias doenças veterinárias.

Curiosidades:
- Algumas espécies africanas podem voar por até 65 km procurando comida.
- Possuem uma bactéria simbionte no seu intestino, que permite metabolizar celulose, fato bem incomum em insetos (semelhante a cupins, porém nestes há uma "tripla simbiose", a degradação é feita essencialmente por protozoários intestinais, estes últimos tendo bactérias simbiontes).
- Além da oncocercose, muitos estudos sugerem alguma conexão entre picadas de borrachudos e o pênfigo foliáceo (“fogo selvagem”), uma grave doença dermatológica auto-imune, com formação de bolhas e descamação.

Larva de borrachudo, cerca de 7 mm, coletado em Monte Verde, MG. Espécie desconhecida curiosamente não tem as cerdas em leque na cabeça.
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Mosquito-pólvora (insetos da ordem Diptera, família Ceratopogonidae)

Esta família também engloba pequenos mosquitos hematófagos, mas de um grupo distinto dos Culicídeos. São pequenos mosquitos escuros, daí seu nome popular. Também chamados de mosquitinho do mangue, porque nos manguezais aparecem com abundância, e maruim, denominação de origem indígena. Também são vetores importantes de doenças, humanas e veterinárias.

Tamanho: até 1 cm.

Identificação: Suas larvas podem ser aquáticas ou semi-aquáticas. As aquáticas lembram larvas dos quironomídeos, com aspecto de vermes segmentados, porém menores. As semi-aquáticas têm o corpo lobulado e com cerdas, semelhantes a lagartas de mariposas. Também mostram padronagem de cores mais rica, visando mimetismo. Também possuem pró-pernas na porção cefálica e caudal, o que ajuda na sua identificação. Pupas lembram bastante a de quironomídeos, mas em menor escala.

Habitat e ciclo de vida: Maioria das espécies são semi-aquáticas, vivendo em terrenos alagados ou barrentos, ou ainda em margens de corpos d´água. Algumas são totalmente aquáticas. Vivem relacionados tanto a corpos d´água com ou sem correnteza, algumas em água salobra. Resistentes a poluição. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores. Possuem metamorfose completa, passando por uma fase de pupa de onde emerge o inseto adulto.

Alimentação e respiração: Debris orgânicos e microinvertebrados, embora algumas espécies sejam predadores. Pupas não se alimentam, apesar de serem bem ativos. Fêmeas adultas da maioria das espécies se alimentam de sangue, inclusive de seres humanos. Larvas respiram ar através de difusão, não necessitando ir à superfície.

Perigo para humanos ou peixes: As larvas e pupas são inofensivas para humanos. Porém vale lembrar que fêmeas adultas são importantes vetores de doenças, como muitas arboviroses e filarioses. Inofensivo também para peixes.

Curiosidades:
- Existe uma espécie que na forma adulta parasita libélulas, fixando-se na raiz das suas asas, e sugando seu sangue. Outra espécie se alimenta de sangue da região abdominal de outros mosquitos hematófagos, após estes terem se alimentado.
- Em inglês algumas espécies são conhecidas como “no-see-ums”, pelo seu pequeno tamanho, quase invisíveis a olho nu, mas com picadas bastante incômodas.

Larvas de Mosquito-pólvora, em uma criação de Dáfnias. São bem pequeninos, note a comparação com algas filamentosas. Note que lembram bastante larvas de quironomídeos.
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A pupa.
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A diminuta pupa, com uma larva de mosquito Aedes...
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...e com uma pupa de quironomídeo.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:06

Mosca de praia (insetos da ordem Diptera, família Ephydridae)

Esta família inclui pequenas moscas escuras que vivem em locais alagados, muito frequentes no litoral, daí seu nome. São adaptados a viverem em locais extremamente inóspitos, sendo comumente vistos em pequenos lagos salgados da praia, se alimentando de animais mortos trazidos pela maré.

Tamanho: até 1 cm.

Identificação: Suas larvas podem ser aquáticas ou semi-aquáticas. Semelhantes à larvas da mosca doméstica comum, translúcidas e fusiformes. Cápsula cefálica ausente, podem ter uma cauda bifurcada na extremidade, terminando em tubos respiratórios. Rastejam no substrato com movimentos peristálticos, ou vivem na superfície. Pupas fusiformes, têm um longo par de tubos respiratórios, característicos desta família.

Habitat e ciclo de vida: Possuem grande tolerância a habitats extremamente inóspitos, como fontes termais sulfurosas altamente alcalinas e lagos salinos. Dessa forma esses dípteros apresentam uma ampla distribuição geográfica. Locais comumente vistos são brejos, margens de lagoas e rios e litoral marinho. Grande maioria das espécies com larvas aquáticas ou semi-aquáticas. Resistentes a poluição. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores. Possuem metamorfose completa, passando por uma fase de pupa de onde emerge o inseto adulto.

Alimentação e respiração: Bastante variada, materiais orgânicos variados, alguns são filtradores, outras são minadoras de plantas aquáticas, e ainda outras parasitóides de ovos de aranhas ou de rãs. Algumas poucas são predadoras. Larvas respiram através de difusão, não necessitando ir à superfície.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivas tanto para humanos quanto peixes. Alguns adultos são saprófagos, podendo carrear patógenos.

Curiosidades:
- Vivem em ambientes bastante inóspitos. A espécie Helaeomyia petrolei é o único animal que vive naturalmente em poças de petróleo cru. Ephydra brucei vive em fontes termais e gêisers onde a temperatura ultrapassa 45 graus Celsius.

Larva de Mosca de Praia, Ephydra sp., imagens cedidas por MatheusP. A larva foi descoberta numa criação abandonada de Artêmia (ambiente de alta salinidade).
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Outra espécie, foi coletado num pequeno lago que havia sido desinfectado com água sanitária, para matar larvas de mosquito da Dengue!
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Sua pupa, note o longo par de chifres respiratórios.
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Pupa de outra espécie, num paludário de água salobra.
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Mosquito-de-banheiro (insetos da ordem Diptera, família Psychodidae, subfamília Psychodinae)

São pequenos mosquitos pilosos, frequentemente encontrados em banheiros, daí seu nome. Também conhecidos como Mosca-dos-filtros, mosquito-chambinho, ou ainda tabelinha. No Brasil, ocorrem principalmente quatro espécies, três do gênero Psychoda e uma do gênero Telmatoscopus.

Tamanho: até 1 cm (larvas).

Identificação: Larvas semi-aquáticas, com aspecto de vermes segmentados, apresentando finas cerdas. Não possuem olhos ou pernas. Cabeça pequena, arredondada e escura, menor do que o corpo. Cada segmento corporal apresenta uma ou mais bandas retangulares dorsais, bastante úteis na sua identificação. Porção terminal afilada, formando um sifão respiratório escuro. Os adultos são pequenos mosquitos de cores opacas, corpo e pernas recobertos com pêlos longos. As asas são grandes, têm forma de folhas, também cobertas de cerdas. Antenas longas, também plumosas. Lembram muito mais pequenas mariposas do que mosquitos.

Habitat e ciclo de vida: Larvas semi-aquáticas, vivendo em terrenos alagados ou barrentos, ou ainda em margens de corpos d´água. Bastante comuns em banheiros, onde se reproduzem nos ralos e encanamentos de esgoto. Os ovos são depositados emersos, próximo à superfície da água. Possuem metamorfose completa, passando por uma fase de pupa de onde emerge o inseto adulto.

Alimentação e respiração: Debris orgânicos, algas, fungos e bactérias, nos esgotos, as larvas se alimentam daquele material orgânico que se desenvolve na superfície de encanamentos. Adultos se alimentam de água suja, ou néctar. Larvas respiram ar através do sifão.

Perigo para humanos ou peixes: São inofensivas para humanos e outros animais. Porém, por viverem em ambientes contaminados, os adultos podem carrear patógenos no vôo. A família Psychodidae inclui também espécies hematófagas, muitas delas importantes vetores de doenças humanas, como o mosquito Flebótomo, mas estes pertencem a outra sub-família.

Curiosidades:
- Larvas destes animais desempenham um papel importante nas estações de tratamento de esgoto industrial.
- Adultos são péssimos voadores, conseguem voar somente algumas dezenas de centímetros de cada vez, em vôos erráticos.

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Larvas de Mosquito-de-banheiro, nas margens de um pequeno lago.
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Larvas que surgiram num paludário salobro.
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Uma pupa, uma exúvia da pupa e um inseto adulto recém metamorfoseado.
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O inseto adulto.
Última edição por Walther em 10 Out 2011, 10:11, editado 5 vezes no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:07

Besouro d´água (insetos da ordem Coleoptera, família Gyrinidae)

30% de todas as espécies animais do planeta são besouros. Existem 19 famílias de besouros que vivem em ambientes aquáticos, seja somente na fase larval, seja na fase adulta. Uma chave de identificação de besouros aquáticos brasileiros adultos pode ser encontrada aqui, aqui e aqui . Girinídeos são aquáticos tanto na sua fase larval quanto adulta.

Tamanho: adultos com até 1,5 cm.

Identificação: Pequenos besouros ovóides que vivem na superfície da água, flutuando através da tensão superficial. Nadam muito rapidamente, realizando manobras impossíveis. Cor escura, geralmente negra e brilhante. Primeiro par de patas longas, especializadas em capturar presas. Demais patas curtas, modificadas como nadadeiras.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas paradas ou com pouca correnteza. Gregários, vivem em grandes colônias, às vezes compostos por mais de uma espécie diferente (existe uma descrição de até 13 espécies coexistindo nos Estados Unidos). Copulam na superfície da água, e ovos são postos em plantas aquáticas. Besouros adultos se reproduzem somente uma vez na vida. A fase de pupa é a única fora da água, a larva se rasteja para a margem, constrói um ninho e forma a pupa. Quando o adulto emerge, este volta para a água. Podem voar, procurando ambientes com melhores condições.

Alimentação e respiração: Adultos comem basicamente invertebrados que caem na superfície da água. Larvas são vorazes predadoras, também se alimentam de pequenos invertebrados. Os adultos respiram ar, quando mergulham armazenam um suprimento de ar em baixo das suas asas. Larvas possuem brânquias laterais.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos, besouros adultos também são inofensivos para peixes. Entretanto, larvas de espécies maiores podem predar alevinos e peixes pequenos.

Curiosidades:
- Estes besouros são bem mais numerosos no hemisfério sul, sendo considerado uma evidência do supercontinente Gondwana.
- Cada olho composto é dividido em dois, com cada metade especializada em enxergar simultaneamente fora e dentro d´água.

Besouro d´água, possivelmente Gyrinus sp., cerca de 10 mm, coletado em Vinhedo, SP.
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Repousando num galho, e numa folha morta.
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Outro provável Gyrinus sp., coletado em Monte Verde, MG.
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Walther
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:07

Besouro d´água (insetos da ordem Coleoptera, família Hydrophilidae)

São os besouros aquáticos mais comuns, e os maiores besouros são deste grupo. Não existem nomes populares específicos deste grupo em português, sendo denominados genericamente de besouros d´água. A maioria dos membros desta família também é aquática tanto na sua fase larval quanto adulta, embora alguns sejam semi-aquáticos.

Tamanho: adultos com até 5,5 cm.

Identificação: Também possuem forma oval, achatados, mas vivem à meia água. O aspecto mais comum é negro e brilhante, mas podem ter padronagens e cores variadas, e podem ser foscos. Membros com proporção usual, ao contrário dos Gyrinidae. Muitos possuem longos palpos maxilares, estruturas bucais longas, frequentemente confundidas com antenas, que são curtas e achatadas. A distinção com besouros da família Dyticidae não é fácil, sinais úteis são o aspecto curto das antenas, os palpos bucais e o padrão de nado: nadam com movimentos alternados das patas traseiras, ao contrário dos Dyticidae, onde há sincronia. As larvas são alongadas, com fortes mandíbulas.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em diversos ambientes, águas paradas ou com correnteza. Toleram salinidade, e até certo grau de poluentes. Nadam, mas são maus nadadores, dando a impressão de estarem andando freneticamente à meia água, com movimentos alternados das patas. A fase de pupa é a única fora da água, a larva se rasteja para a margem, constrói um ninho e forma a pupa. Quando o adulto emerge, este volta para a água. Podem voar, procurando ambientes com melhores condições. São atraídas pela luz, não raro invadindo casas.

Alimentação e respiração: Adultos são detritófagos e carniceiros, se alimentando de material em decomposição. Algumas poucas espécies se alimentam também de pequenos animais. Larvas são vorazes predadoras, se alimentam de pequenos invertebrados, muitas delas apresentando comportamento canibal. Os adultos respiram ar, armazenam um suprimento de ar na região ventral do seu corpo, junto a pêlos hidrófobos, chamado de plastrão. Este plastrão fica com um belo efeito metalizado quando visto de baixo d´água, e é uma forma de diferenciar estes besouros dos Dyticidae. Várias espécies também levam um suprimento de ar junto aos seus pêlos abdominais, deixando um aspecto metálico na região ventral quando submersos. Larvas podem possuir brânquias, absorvendo oxigênio diretamente da água, ou possuírem tubos traqueais, indo à superfície de tempos em tempos para obter ar.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos, e a grande maioria dos besouros adultos também são inofensivos para peixes. Entretanto, larvas de espécies maiores podem predar alevinos e peixes pequenos.

Curiosidades:
- São usadas como alimento ou remédio na China.
- Muitas espécies são usadas também como controle biológico de pragas de agricultura, além de larvas de mosquito.

Besouro d´água, exemplar de coleção, Hydrophylus sp.. Cerca de 5 cm, coletado em Peruíbe, SP.
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Besouros d´água, os três da esquerda são da família Hydrophilidae, o da direita Dyticidae.
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Besouro d´água invadindo aquário, foto cortesia de bragil (Era de Aquários).
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Anacaena sp., uma diminuta espécie (3 mm), arredondada, parece uma joaninha. Vivem em grupos. Coleado em Vinhedo, SP.
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Na imagem da esquerda tem também um percevejo Veliidae.
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Outra espécie, também muito pequena, com cerca de 2 mm, coletado em Monte Verde, MG.
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Outro Besouro d´água, fotos cortesia de Ricoso (Era de Aquários). Coletado em Pará de Minas, MG.
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Exemplar coletado em Nova Iguaçu, RJ. Cortesia de sergious(FórumAquário).
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Besouro fotografado em Poços de Caldas (MG), mede cerca de 2 cm.
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Visão ventral, mostrando o plastrão.
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Este aqui com um estoque particularmente grande de ar.
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Outra espécie menor, co-habitava o mesmo córrego do besouro anterior.
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Imagens ventrais mostrando seu plastrão.
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Última edição por Walther em 09 Mai 2011, 14:01, editado 1 vez no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:07

Besouro d´água (insetos da ordem Coleoptera, família Haliplidae)

Outro grupo mais incomum de besouros aquáticos, também sem nomes populares específicos em português. Larvas e adultos aquáticos, existem cerca de 180 espécies no mundo.

Tamanho: adultos com até 0,5 cm.

Identificação: Besouros ovais, sua principal característica morfológica é a presença de grandes placas nas coxas posteriores, que utilizam para armazenar o ar que respiram debaixo de água. Geralmente amarelados ou acastanhados. Geralmente asas com pequenas depressões sequenciais formando linhas. Olhos protrusos das cabeças pequenas. Membros com proporção usual, com cerdas para natação, e um par de antenas médias e finas. Larvas alongadas, com longas cerdas laterais.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em meio à vegetação ribeirinha, são maus nadadores, evitando a submersão. Nadam com movimentos alternados das pernas. A fase de pupa é a única fora da água, a larva se rasteja para a margem e forma a pupa. Quando o adulto emerge, este volta para a água. Podem voar, procurando ambientes com melhores condições.

Alimentação e respiração: Adultos são onívoros, se alimentando de pequenos invertebrados e algas. Ao contrário da maioria dos demais besouros, as larvas são vegetarianas, se alimentando de algas. Os adultos respiram ar, armazenam um suprimento em baixo das suas asas, e carregam um ar suplementar sob suas grandes placas nas coxas, que recobrem quase todo seu abdome inferior. Larvas respiram por brânquias externas.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos e peixes, inclusive as larvas.

Besouro d´água, Haliplus sp.. Cerca de 0,5 cm, coletado em Monte Verde, MG.
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Outra espécie de Haliplus sp., cerca de 0,5 cm, coletado em Monte Verde, MG.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:08

Besouro “Tigre d´água” (insetos da ordem Coleoptera, família Dytiscidae)

Também não existem nomes populares específicos deste grupo em português, embora em muitos países sejam chamados de “Tigres d´água”, pelo caráter predatório, em especial das larvas. Membros desta família são aquáticos tanto na sua fase larval quanto adulta.

Tamanho: adultos com até 4 cm.

Identificação: Também possuem forma oval, achatados, vivem à meia água. O aspecto mais comum é negro e brilhante, mas podem ter padronagens e cores variadas. Membros com proporção usual, semelhante aos Hydrophilidae, com os quais são frequentemente confundidos. Sinais úteis na distinção são as antenas longas e segmentadas, e o padrão de nado, nadando com movimentos sincrônicos das patas traseiras, como remos. Alguns adultos possuem ventosas no primeiro par de patas, usadas para capturar presas. As larvas são alongadas, com fortes mandíbulas, de aspecto agressivo. Possuem a extremidade do abdômen mais alongado, com cerdas que são utilizadas para respiração.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em diversos ambientes, águas paradas ou com correnteza. Resistentes, toleram salinidade e poluentes. São encontrados inclusive em alguns ambientes inóspitos, como lagos ácidos. A fase de pupa é a única fora da água, a larva se rasteja para a margem, constrói um ninho e forma a pupa. Quando o adulto emerge, este volta para a água. Podem voar, procurando ambientes com melhores condições.

Alimentação e respiração: Tanto os adultos quanto as larvas são predadores, se alimentando de invertebrados, pequenos peixes e girinos. Adultos e larvas respiram ar, os adultos armazenam um suprimento em baixo das suas asas, e as larvas possuem tubos traqueais, indo à superfície de tempos em tempos para obter ar.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos, mas são predadores vorazes, se alimentando de alevinos e peixes pequenos. Geralmente não são predados por peixes, pois quando são ameaçados secretam uma substância de gosto ruim.

Curiosidades:
- Também são usadas como alimento ou remédio na China.

Besouro “Tigre d´água”, exemplar de coleção. Coletado no litoral de SP.
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“Tigre d´água”, talvez a mesma espécie do exemplar acima, fotos cortesia de Ricardo Koszegi Ronsini (Fórum Aquário).
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Larva de “Tigre d´água”, foto cortesia de Marcio_Moraes (Era de Aquários). No detalhe, a comparação de escala com o dedo.
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Pequeno besouro “Tigre d´água”, provável Laccophilus sp., com cerca de 2 mm. Coletado em Vinhedo, SP. Note a escala com a larva de mosquito
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Larva de “Tigre d´água”, Hydacticus sp., com cerca de 18 mm. Coletado em Monte Verde, MG.
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Outro Besouro “Tigre d´água”, foto cortesia de Ricoso (Era de Aquários). Coletado em Pará de Minas, MG.
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Larva de “Tigre d´água”, Dytiscus sp., com cerca de 25 mm. Coletado em Vinhedo, SP.
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No exato momento em que captura uma larva de Anopheles. :shock:
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Última edição por Walther em 04 Jul 2010, 10:16, editado 1 vez no total.
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