Insetos e outros artrópodes de água doce

Discussões gerais sobre os peixes e invertebrados de água doce, abordando assuntos específicos como comportamentos, morfologia, reprodução, alimentação etc.

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Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 25 Abr 2010, 23:54

Olá a todos!! Bom... deixa eu contar a história deste álbum. Sempre gostei desses monstrinhos, e muitas vezes via gente em fóruns de aquarismo com dúvidas na identificação dessas criaturinhas.

Já sou um antigo freqüentador do fórum Era de Aquários, desde 2006, e inicialmente montei o álbum lá. A maioria das fotos são minhas, mas várias também foram cedidas por colegas foristas (todos autorizaram o uso das fotos), inicialmente do Era, e depois do AqOL e também do FórumAquário.

Além do álbum propriamente dito, montá-lo tem sido uma experiência bem interessante, trocando e-mails e MPs, fazendo sem querer essa ponte entre os diversos fóruns de aquarismo brasileiros, tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes entre si...

Agora que o álbum lá do Era tomou forma, decidi publicá-lo também aqui, nada mais justo, já que várias das fotos foram gentilmente cedidas pelo pessoal daqui.


Foquei mais em insetos, tem também umas aranhas e alguns crustáceos. Num primeiro momento pensei em fazer um álbum bem geral de invertebrados, mas pensando bem excluí vermes, esponjas, briozoários, hidras e etc. Também excluí seres microscópicos. Camarões não estão aqui também, tem um monte de especialistas por aí, gente bem mais gabaritada do que eu, com muitos bons textos escritos, idem para caramujos.

O texto foi compilado de várias fontes da net, alguns estão destacados com links. A estrutura do texto foi baseada neste guia australiano, gratuito, muito bom por sinal.

Novamente agradeço aos colegas que disponibilizaram suas fotos, inclusive seu uso em outros fóruns que não freqüentam. Agradeço também o espaço aqui para mostrar este meu “projetinho”...

Ah, e claro, contribuições (fotos ou correções no texto) são sempre muito bem vindas!

Um grande abraços a todos!! :wink:
Última edição por Walther em 07 Ago 2010, 07:42, editado 1 vez no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 25 Abr 2010, 23:55

Libélulas (insetos da ordem Odonata, subordem Epiprocta)

A ordem Odonata é dividida em duas sub-ordens, Zygoptera (donzelinhas) e Epiprocta (libélulas, até há muito pouco tempo atrás classificada como Anisoptera). Existem cerca de 5000 odonatas no mundo, e cerca de 250 espécies descritas no estado de São Paulo, segundo este artigo. Todas as odonatas são predadores, tanto suas ninfas quanto os insetos adultos. Todos os adultos são alados. As ninfas são aquáticas, exceto por algumas poucas espécies com ninfas terrestres.

Tamanho: até 5 cm.

Identificação: Animais com as seis patas bem visíveis, grandes olhos, corpo achatado e relativamente curto, vivem no substrato. Corpo menos alongado do que ninfas de donzelinhas. Ao contrário destas, não possuem guelras externas na extremidade do abdômen. Ao invés, possuem espículas e orifícios no abdômen que levam a uma câmara branquial interna.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas paradas ou com correnteza. Como muitos outros insetos, são bioindicadores de qualidade de água. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores. Algumas espécies têm ovos envoltos em material gelatinoso, formando uma fita. À medida que se desenvolvem, realizam ecdises (troca de exoesqueleto), passando por 10 a 12 estágios de ninfa. O tempo de desenvolvimento da ninfa é bastante variável. Chegado o momento, a ninfa sai da água, procura um substrato sólido e o adulto emerge, geralmente de madrugada.

Alimentação e respiração: Invertebrados, pequenos peixes e girinos, geralmente ficam imóveis e capturam alimentos que se aproximam. Capturam suas presas usando uma mandíbula retrátil, na realidade um ‘labium’ que recobre a porção ventral da cabeça. Trocas gasosas na câmara branquial interna, não necessitam vir à superfície para respirar.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos. Voraz predador, pode se alimentar de alevinos e peixes pequenos. Por outro lado, é predado por peixes maiores.

Curiosidades:
- A língua assassina do Alien, personagem da série de filmes desenhada pelo suíço H.R.Giger foi baseada na boca de uma ninfa de libélula.
- Apesar de geralmente rastejarem no substrato, podem nadar rapidamente expulsando água da sua câmara retal, um mecanismo semelhante a uma propulsão a jato.
- Existem registros de libélulas voando a velocidades de até 56 km/h.
- Uma espécie européia realiza migrações em massa, cobrindo distâncias de até 800km, da Espanha à Irlanda.
- Insetos com metamorfose incompleta têm suas fases imaturas chamadas de ninfas (e não larvas). Ninfas aquáticas (como das libélulas) podem ser chamadas também de Náiades, que são as ninfas aquáticas da mitologia grega.
- Existe uma espécie sueca que passa 20 anos como ninfa, e a forma adulta vive somente alguns dias.
- "Libélula" também tem uma etimologia interessante, é o diminutivo de libra, a balança, uma alusão à sua forma de voar, pairando no ar.

Ninfa de libélula, possivelmente Pantala flavescens, cerca de 3 cm, coletado em Vinhedo, SP.
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Ninfa de Brachymesia furcata, cerca de 1,6 cm, coletado em Vinhedo, SP.
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Junto a uma pequena ninfa de efêmera.
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Grande exúvia, fotografada em Poços de Caldas (MG).
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 25 Abr 2010, 23:56

Donzelinhas (insetos da ordem Odonata, subordem Zygoptera)

No Brasil todos os insetos da ordem Odonata são chamados popularmente de “libélulas”, apesar de que em vários outros países é feita a distinção entre as duas subordens, inclusive em Portugal. Deixei aqui a denominação de Donzelinhas (em inglês “Damselfly”, em oposição a “Dragonfly” para as libélulas verdadeiras), mais utilizada em Portugal, porque são dois grupos com características bem próprias. A distinção dos adultos é bem simples, enquanto as libélulas verdadeiras mostram grandes olhos que têm contato entre si, corpo mais robusto e pousam com as asas abertas, as donzelinhas são mais esbeltas, têm olhos grandes mas afastados, e pousam com asas fechadas, como uma borboleta. Geralmente são insetos menores do que os do outro grupo. Também são predadores, tanto suas ninfas quanto os insetos adultos.

Tamanho: até 3,5 cm.

Identificação: Lembram bastante as ninfas de libélulas, mas têm corpo mais alongado e três guelras externas na extremidade do abdômen, parecidas com pênas.

Habitat e ciclo de vida: Muito semelhante à das libélulas.

Alimentação e respiração: Também muito semelhante à das libélulas. Também possuem a mandíbula retrátil.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos. Pode se alimentar de alevinos e peixes pequenos, mas o risco é menor do que ninfas de libélulas, pelo seu reduzido tamanho. É predado por peixes maiores.

Curiosidades:
- Por não possuírem a câmara branquial interna, não conseguem a “propulsão a jato” das ninfas de libélulas. Ao invés, usam as guelras caudais para nadarem, semelhante à nadadeira caudal de um peixe.

Ninfa de donzelinha Ischnura fluviatilis, cerca de 2 cm, coletado em Vinhedo, SP.
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Ao fundo da primeira imagem, uma pequena barata d´água.
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Momento mágico: Fêmea adulta submersa depositando ovos numa planta.
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Ninfa de donzelinha, fotos de Judison (Era de Aquários).
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A metamorfose final no inseto adulto:
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 25 Abr 2010, 23:57

Efêmeras (insetos da ordem Ephemeroptera)

Em inglês são chamadas de "Mayfly", porque no hemisfério norte se tornam adultas em grande número na Primavera, no mês de Maio. Existem cerca de 2200 espécies no mundo. São os insetos alados mais primitivos que existem, registros fósseis datam do período Carbonífero Tardio, há cerca de 300 milhões de anos. As ninfas são aquáticas, e os adultos insetos alados.

Tamanho: até 3 cm.

Identificação: Animais com as seis patas bem visíveis, corpo achatado e alongado, vivem no substrato. Possuem três cerdas longas na extremidade do abdomen, e guelras filamentosas ou achatadas na região lateral do abdomen. Dois grandes olhos compostos numa cabeça arredondada, partes bucais bem proeminentes. Antenas longas e finas. Podem ser confundidos com ninfas de Donzelinhas, que também têm três estruturas longas no final do abdomen.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em grande variedade de corpos d´água, sem ou com correnteza. São fortes bioindicadores de qualidade de água. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores. Chegado o momento, a ninfa se dirige à superfície, e o adulto emerge, geralmente de madrugada. Porém, este emerge numa forma imatura, chamada "sub-imago", já alada, que realiza uma última muda para a forma definitiva, com maturidade sexual. É o único inseto cuja forma alada realiza ecdise. Costumam se tornar adultos simultaneamente, formando grandes aglomerações. Cerca de 50 espécies se reproduzem por partenogênese. Ninfas geralmente rastejam no fundo, mas podem nadar utilizando as cerdas abdominais.

Alimentação e respiração: Se alimentam de detritos e algas. Algumas poucas espécies são predadores. Adultos não têm boca ou sistema digestório. Trocas gasosas cutâneas, ou nas brânquias externas. Alguns se posicionam na correnteza, para receber oxigenação do fluxo de água. Não gostam de águas turvas, o que dificulta a troca gasosas nas suas brânquias.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos e peixes. É predado por peixes maiores.

Curiosidades:
- O nome "Efêmera" é justificado, possuem vida bem curta na forma adulta, geralmente alguns dias. Existem espécies cujas fêmeas vivem somente alguns minutos.
- O primeiro registro escrito de Efêmeras foi feito por Aristóteles, que viveu entre 384 e 322 a.C. Ele testemunhou a emergência de adultos de corpos d´água e teceu comentários sobre sua curta vida.
- Podem ser bastante abundantes, existem relatos de até 10.000 insetos por metro quadrado. Perto do Rio Mississippi, nos Estados Unidos, chegam a causar problemas deixando o tráfego de veículos perigoso, devido ao grande volume de animais mortos nas rodovias, deixando-as escorregadias.
- No Lago Erie (região dos Grandes Lagos), são tão numerosos que são detectados em radares meteorológicos.
- Na região do Rio Sepik, na Papua Nova Guiné, são coletados em grandes quantidades para consumo humano.

Ninfa de Efêmera, Baetidae, cerca de 2,5 cm, coletado em Monte Verde, MG.
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Lado a lado com uma ninfa de Donzelinha, com os quais são frequentemente confundidos. À direita, um adulto (na realidade, um "sub-imago"). Completou a metamorfose durante as fotos, no detalhe, a muda da ecdise (exuvia).
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Pequeninas ninfas coletadas numa lagoa em Vinhedo, SP (cerca de 9 mm). À esquerda, da família Caenidae, e à direita, Baetidae.
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Caenidae, note as grandes brânquias do segundo segmento abdominal com aspecto opercular, parecem pequenas asas (em inglês são conhecidos como "squaregills"). Pequenas e resistentes a poluição, são uma das poucas efêmeras que não podem ser usadas como bioindicadores.
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Baetidae.
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Última edição por Walther em 21 Mai 2010, 22:58, editado 1 vez no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 25 Abr 2010, 23:57

Perlas (insetos da ordem Plecoptera)

Existem cerca de 1700 espécies de plecópteros no mundo. São insetos primitivos com ninfas aquáticas, os adultos são insetos alados. Em inglês são chamadas de "Stonefly".

Tamanho: até 1,5 cm.

Identificação: Animais com as seis patas robustas e bem desenvolvidas, corpo achatado e alongado, vivem no substrato. Um par de antenas longas, e um par de longos filamentos (cerci) na extremidade do abdomen. Muitos possuem também um tufo de brânquias na extremidade do abdomen, e algumas poucas espécies as possuem na região lateral. Ninfas mais desenvolvidas têm também um par de pequenas asas em desenvolvimento na região dorsal, envoltas em um pequeno estojo. Adultos lembram bastante as ninfas, só que têm asas maiores. Lembram Efêmeras, mas suas asas ficam dobradas nas costas, e não erguidas.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas paradas ou com correnteza. Preferem águas frias. Algumas poucas espécies neozelandesas têm ninfas terrestres. Também são fortes bioindicadores de qualidade de água, extremamente sensíveis à poluição. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores, ou na superfície, ou em estruturas submersas, com mergulhos dos adultos. Ninfas se desenvolvem por um período de um a quatro anos, daí se rastejam para fora da água, a fim de completar sua metamorfose. Adultos têm vida curta, de semanas.

Alimentação e respiração: Se alimentam de detritos e materiais em decomposição, poucas espécies são carnívoras. Alguns adultos não se alimentam, outros se alimentam de material vegetal. Trocas gasosas cutâneas, ou nas brânquias externas na extremidade do abdomen. Podem se posicionar na correnteza, ou realizar movimentos vibratórios para fazer a água circular na região das brânquias.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos e peixes. Predado por peixes maiores.

Curiosidades:
- Uma espécie norte-americana já foi coletada a 80 metros de profundidade, na região dos Grandes Lagos.
- Algumas poucas espécies ápteras como o do Lago Tahoe ("Capnia" lacustra) ou Baikaloperla são os únicos insetos que tem todo seu ciclo de vida submerso.

Ninfa de Perla, família Gripopterygidae, cerca de 1,5 cm, coletado em Monte Verde, MG. O tufo de brânquias na extremidade do abdomen caracteriza este grupo.
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Mimetismo fantástico. Acima dele, uma pequena ninfa de Libélula.
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Pequenina ninfa de Perla, família Perlidae, cerca de 4 mm, coletado em Monte Verde, MG. Note as brânquias laterais no abdomen.
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Pequena ninfa de plecóptero, imagem cedida por Josa.
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Última edição por Walther em 09 Ago 2010, 08:37, editado 1 vez no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 25 Abr 2010, 23:58

Tricópteros (insetos da ordem Trichoptera)

A ordem possui 10000 espécies, distribuídas em 40 famílias. Adultos são terrestres, insetos voadores, mas as larvas e pupas são aquáticas.

Tamanho: larvas de até 4,0 cm.

Identificação: Larvas alongadas, segmentadas, com seis patas curtas no tórax e um par de pró-pernas no segmento final do abdômen. Esclerotizadas, semelhantes a larvas de besouros. Produzem seda na região bucal, que utilizam para construírem casulos móveis, semelhantes a tubos, que envolvem seu corpo e carregam quando se locomovem. Algumas espécies constroem ninhos fixos. Adultos lembram mariposas. Embora as diferentes espécies de larvas possuam anatomia muito semelhante, podem ser identificadas através do casulo, utilizando materiais altamente específicos. Algumas usam somente seda, outras gravetos, outras partículas de areia do substrato, etc. Uma chave de identificação de espécies brasileiras pode ser vista aqui.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em diversos ambientes, águas paradas ou com correnteza. Toleram algum grau de salinidade, mas são sensíveis a poluição, sendo bons bioindicadores de qualidade da água. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores. Possuem metamorfose completa, passando por uma fase de pupa, dentro do próprio casulo. A própria pupa emerge do casulo, nada até a superfície, onde termina sua metamorfose.

Alimentação e respiração: Larvas têm alimentação bem variável, algumas são detritófagas, outras herbívoras, outras ainda constroem teias para filtrar partículas, outras são predadoras. Cada um destes grupos são altamente especializados nos respectivos tipos de alimentação. Adultos se alimentam de néctar. Larvas obtêm oxigênio diretamente da água, através de guelras ou difusão.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivas para humanos e peixes. São predadas por peixes.

Curiosidades:
- Existe uma família com larvas marinhas que deposita seus ovos numa espécie específica de estrela-do-mar. Passam sua fase de larva dentro do intestino destes animais.
- Estes insetos são frequentemente mencionados pelo zoólogo Richard Dawkins como exemplo da sua teoria do “Fenótipo Expandido”, já que o padrão dos seus casulos são determinados geneticamente. Ou seja, informações genéticas se expressam além dos limites do corpo do organismo.

Larva de tricóptero, provavelmente Amazonatolica hamadae, todas as fotos cortesia de joviman (Era de Aquários). Coletados num riacho em Penedo, RJ.
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Larva da família Hydropsychidae, cerca de 13 mm, coletado em Monte Verde, MG. Este grupo não produz tocas, utiliza sua seda para criar teias e abrigos fixos.
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Larva e pupa, exemplar da mesma família, imagens cedidas por Josa.
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Diminuta larva da família Hydroptilidae, possivelmente do gênero Oxyethira. Cerca de 5 mm, coletado em Monte Verde, MG. Esta família é bastante interessante, são bem pequeninos, são chamados até de "Microcaddis". Possuem o que se chama hipermetamorfose, com fases larvares bem diferentes entre si, somente a última fase produz a toca, que neste gênero é feita somente de seda.
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Junto a um outro tricóptero, da família Hydropsychidae.
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Última edição por Walther em 09 Ago 2010, 08:34, editado 1 vez no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 25 Abr 2010, 23:58

Lacraia d´água (insetos da ordem Megaloptera, família Corydalidae, subfamília Corydalinae)

São insetos primitivos com grandes larvas aquáticas, de aspecto ameaçador. No Brasil são chamados popularmente de Lacraia d´água, ou pelo nome em inglês, “hellgrammite” (etimologia incerta, uma hipótese proposta é Hell + Grim + Mite, algo do tipo "Ácaro Ameaçador do Inferno" :shock: ). Em MG larvas de Corydalidae também são chamados de Julião.

Tamanho: até 9 cm.

Identificação: Larva achatada e alongada, acastanhada, pode ter grandes dimensões. Corpo segmentado, mandíbulas bem desenvolvidas. Seis patas articuladas nos segmentos torácicos, mas os segmentos abdominais têm oito pares de filamentos longos laterais, além de um par de falsas pernas anais, dando uma aparência semelhante a uma centopéia.

Habitat e ciclo de vida: Ovos são postos nas margens de cursos d´água límpidos e bem oxigenados, onde as larvas se desenvolvem. Geralmente encontrados sobre rochas e troncos. Metamorfose completa, formam pupas em ambiente terrestre, geralmente nas margens dos locais onde as larvas cresceram, de onde emerge o adulto alado. As pupas são bem ativas, com patas funcionais e mandíbulas idem. Adultos alados, com mandíbulas desproporcionalmente grandes, principalmente nos machos, chegando a 2,5 cm (usados em rituais de acasalamento), sendo por isso chamados de “king bug”. Permanecem como larvas por alguns anos, mas a vida adulta é extremamente curta, não passa de uma semana. Adultos não se alimentam.

Alimentação e respiração: Vorazes predadores, se alimentam de insetos aquáticos e outros invertebrados. Guelras externas lateralmente aos segmentos abdominais que parecem penas.

Perigo para humanos ou peixes: As larvas têm fortes mandíbulas, sua mordida é bastante dolorosa, podendo causar ferimentos cortantes. Voraz predador, pode se alimentar de alevinos e peixes pequenos. Por outro lado, é predado por peixes maiores.

Curiosidades:
- É um inseto bastante conhecido por pescadores, usados como isca. Nos Estados Unidos, crianças coletam estas larvas como um teste de coragem: introduzindo suas mãos no meio do lodo no fundo do rio, esperando estes animais morderem seus dedos, para daí capturá-los.
- Possui uma das maiores taxas de crescimento dentre insetos, com aumento na sua biomassa em mais de 1000 vezes da primeira à última forma larvar. Isto se deve à sua capacidade de manter um metabolismo constante mesmo com variações na temperatura ambiental, comparável a animais homeotermas, fato extremamente incomum em um inseto.

Lacraia d´água, imagens cedidas por Josa. Exemplar coletado em Rio dos Cedros, SC.
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Última edição por Walther em 20 Jul 2010, 16:46, editado 1 vez no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 25 Abr 2010, 23:59

Barata d´água (insetos da ordem Hemiptera, família Belostomatidae)

Existem cerca de 150 espécies no mundo, e os maiores hemípteros pertencem a este grupo.

Tamanho: até 10 cm.

Identificação: Grandes insetos achatados e acastanhados, realmente lembram uma barata. Patas dianteiras adaptadas como garras para caçar presas, as quatro demais patas achatadas, adaptadas para natação. Dois filamentos respiratórios retráteis na extremidade do abdômen. Antenas bem curtas.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas paradas ou com pouca correnteza, entre as plantas aquáticas. São sensíveis a poluentes. Ovos podem ser depositados em galhos submersos, ou na região dorsal do macho. Podem voar, procurando corpos d´água com melhores condições. São atraídas pela luz, sendo conhecidas em inglês também como “electric-light bug”.

Alimentação e respiração: Ferozes caçadores, se alimentam de invertebrados, pequenos peixes e girinos, caçam eventualmente até rãs. Injetam um anestésico nas presas, e sugam seus fluidos. Podem ter comportamento canibal. Respiram ar na superfície através dos filamentos na extremidade do abdômen, acumulam bolsões de ar sob as asas.

Perigo para humanos ou peixes: Sua picada é muito dolorosa, sendo até chamadas de “toe-biters” em inglês. O dano é proporcional ao tempo de picada, em raros casos, pode haver lesão tecidual, devido às enzimas proteolíticas. Voraz predador, se alimenta de peixes e outros animais.

Curiosidades:
- São usados como alimento em países asiáticos, em especial na China e Tailândia, onde é considerada uma iguaria. São pescados usando armadilhas com luz negra, para atraí-los.

Barata d´água, Lethocerus grandis, exemplar de coleção. Cerca de 10 cm, coletado em Bertioga, SP.
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Com as asas abertas.
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Detalhe da cabeça e boca.
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Pequena Barata d´água (1,8 cm), coletado em Vinhedo, SP.
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Na realidade, este inseto foi coletado ainda como ninfa, e seu desenvolvimento foi acompanhado em um pequeno aquário:
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Note o aspecto metálico na região ventral do abdomen, devido ao suprimento de ar que estas ninfas levam junto aos pêlos desta região. Animais adultos armazenam ar debaixo de suas asas, mas as ninfas ainda não as possuem.
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A ecdise no inseto adulto. A exuvia (exoesqueleto da fase anterior de ninfa) na primeira imagem, e o inseto adulto ainda pálido na segunda.
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O adulto.
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Um macho com ovos nas costas. Na terceira imagem, junto a uma pequenina ninfa.
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Outro macho com ovos nas costas, fotografado num riacho em Garuva, SC.
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Última edição por Walther em 30 Out 2010, 09:18, editado 2 vezes no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 25 Abr 2010, 23:59

Bicho-pau d´água (insetos da ordem Hemiptera, família Nepidae, subfamília Ranatrinae)

Insetos alongados, com pernas finas e longas, daí seu nome popular. Também chamados de "Louva-a-deus d´água" pelo mesmo motivo. Outro nome popular é "Alfaiate".

Tamanho: até 10 cm.

Identificação: Insetos longos e esguios, pernas finas e longas. Patas dianteiras adaptadas como garras para caçar presas. Antenas finas e curtas, quase imperceptíveis. Dois filamentos respiratórios na extremidade do abdômen. Nadam mal, preferem se locomover ao fundo.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas paradas ou com pouca correnteza, entre as plantas aquáticas. São sensíveis a poluentes. Ovos são depositados em plantas submersas. Podem voar, procurando corpos d´água com melhores condições.

Alimentação e respiração: Ferozes caçadores, se alimentam de invertebrados, pequenos peixes e girinos. Respiram ar na superfície através do par de filamentos respiratórios na extremidade do abdômen. Acumulam ar sob suas asas.

Perigo para humanos ou peixes: Sua picada é bastante dolorosa, apesar de acidentes serem raros. Voraz predador, se alimenta de peixes e outros animais.

Bicho-pau d´água, Ranatra sp., foto cortesia de Marne Campos (Aquarismo Online - AqOL). Tem também uns barqueiros notonectídeos nas fotos.
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Ranatra sp., coletado em Vinhedo, SP. O inseto maior, que mede 5 cm:
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Outros animais menores que foram coletados no mesmo local:
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Alguém lembra de "Charlie´s Angels"? (rsrsrs). Todos os "gravetos" nesta imagem são insetos, inclusive o maior no centro da foto (o abdomen do Ranatra maior).
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Última edição por Walther em 30 Out 2010, 09:07, editado 1 vez no total.
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Re: Insetos e outros artrópodes de água doce

Mensagempor Walther » 26 Abr 2010, 00:00

Percevejos Gelastocorídeos (insetos da ordem Hemiptera, família Gelastocoridae)

Este grupo engloba cerca de 100 espécies no mundo, são pequenos percevejos semi-aquáticos. Não têm nome popular em português, em inglês são chamados de "Toad bug", pela sua cor e aspecto rugoso, lembrando um sapo, além de viverem às margens d´água e poderem saltar.

Tamanho: até 1,5 cm.

Identificação: Diminutos percevejos de cor ocre, aspecto rugoso. Patas dianteiras adaptadas para caça, semelhante às baratas d´água, mas demais patas não são adaptadas, e realmente são maus nadadores. Grandes olhos, protrusos, pequenas antenas grossas ocultas sobre a cabeça.

Habitat e ciclo de vida: Não são verdadeiramente aquáticos, colonizando regiões marginais de corpos d´água. Podem voar, procurando habitats com melhores condições.

Alimentação e respiração: Ferozes caçadores, se alimentam de pequenos invertebrados, geralmente caçam emersos, não se alimentando de animais aquáticos. Não são bem adaptados à submersão, levando somente pequeno suprimento de ar junto aos seus pêlos abdominais.

Perigo para humanos ou peixes: Sua picada é dolorosa, mas acidentes são bem raros. Sendo essencialmente terrestres, não oferecem perigo a peixes.

Gelastocorídeo, Nerthra sp., coletado em Vinhedo, SP, animal com cerca de 10 mm.
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