Paratilapia polleni Nome científico: Paratilapia polleni
Nome popular (BR): Ciclídeo de Madagáscar
Nome popular (ING): Madagascar cichlid

 

Família: Cichlidae
Distribuição geográfica: Leste africano
Comportamento: Territorial, pode ser agressivo com peixes territoriais de mesmo porte.
Tamanho adulto: 25 cm
pH: 7,0 a 8,0
Temperatura: 24 a 28oC
Dimorfismo sexual: Machos são bem maiores que fêmeas.
Alimentação: Ração, artêmia salina, branchonetas, tubifex, pequenos peixes etc.
Aquário mínimo recomendado: 300 litros
Reprodução: Ovípara
Adequado para plantado? Não.
Biótopo:  
Informações adicionais:  

Saiba mais sobre a espécie:

Trata-se de um espécime endêmico da ilha de Madagáscar, ilha situada a leste de Moçambique, em pleno oceano Índico, e separada do continente africano pelo canal de Moçambique. Esta ilha é a quarta maior ilha do mundo, com uma área de 587 041 km² (dimensão ligeiramente maior que a da França).

O gênero Paratilapia é o ciclídeo mais comum em Madagascar e pode ser encontrado em toda a ilha, apesar de algumas espécies hoje em dia já se encontrarem em risco de extinção, principalmente devido à pesca, pois é um peixe muito apreciado na culinária pelos habitantes locais.

No aquarismo, há pelo menos quatro espécies que circulam pelos aquários mundiais:

1) Paratilapia polleni;

2) Paratilapia bleekeri;

3) Paratilapia typus (também chamada de Paratilapia sp. "Andapa")

4) Paratilapia sp. "East Coast Small Spots" (podendo ser traduzida como Paratilapia sp. "da Costa Leste com Pequenas Pintas"); é esta a espécie que mais se encontra à venda no Brasil, ainda que o nome dado seja Polleni.

Paratilapia sp. “East Coast Small Spots”.

Esta última espécie é aquela que mais encontramos nas lojas de aquarismo em todo o mundo, usando o nome de Paratilapia polleni (aquela que tenho e que encontramos à venda no Brasil). Trata-se de um peixe bem preto e com pequenas pintas claro-azuladas ao longo do corpo.

Nesta espécie vemos com facilidade um macho chegar aos 25 cm de comprimento (por vezes mais), enquanto a fêmea raramente ultrapassa os 15 a 17 cm. Ainda assim, é a espécie menor das Paratilapia de Madagascar. Em seis meses de vida, um macho chega quase aos 20 cm, enquanto a fêmea nesse mesmo tempo não ultrapassa os 10 cm.

Apesar de menor, quase metade do tamanho do macho, a fêmea apresenta quase sempre os melhores padrões e cores, contrariamente à maioria dos ciclídeos centro-americanos ou africanos.

Hábitos de caça e comportamento social.

São uma espécie que caça na superfície da água ao escurecer e ao amanhecer, precisamente no crepúsculo, de modo a tirar vantagem da sua coloração, que a torna quase invisível às suas presas. Talvez por isto, pela sua atividade predadora acontecer com pouca luz, tem olhos bastante grandes, maior do que outros ciclídeos, segundo alguns estudos evolucionistas acerca da espécie. É, por conseguinte, piscívoro na natureza, mas no aquário como de tudo, desde comida congelada, viva, flocos e granulado.

O seu comportamento em aquário é, no mínimo, uma caixa de surpresas, pois há muitas vezes comportamentos distintos de espécime para espécime. Certo é que o macho, e até devido ao seu maior tamanho, é mais territorial e agressivo do que a fêmea, principalmente com os espécimes da sua espécie, fêmeas inclusive.

O peixe é bastante tímido inicialmente e com frequência vemos espécimes ficarem sem comer e sem "aparecer" quase uma semana, depois de os colocarmos no nosso aquário. Ao fim desse tempo, e aos poucos, começam a afirmar-se no espaço do aquário e a comerem como qualquer ciclídeo de grande porte, isto é, como bestas.

São considerados dos cilícios mais violentos do aquarismo, juntamente com os ciclídeos africanos e as tilápias. O próprio nome Paratilapia deriva do grego clássico para + tilaria, ou seja "ao lado" da tilápia, próximo da tilaria (semelhante a ela).

Tamanho do aquário, decoração e companheiros.

Apesar do tamanho algo grande e do ar assustador da espécie quando atinge a maturidade, são passíveis de serem cuidados em aquários relativamente pequenos (200 litros e 120 cm de comprimento). Evidentemente, referimo-nos a um exemplar nesse espaço, jamais devemos colocar mais do que um macho por aquário, independentemente do tamanho do aquário.

Apreciam rochas, troncos, cascas de coco (enquanto não crescerem demasiado) e vasos, onde se possam esconder. As plantas também são bem-vindas, principalmente de superfície, mas não devem ser enterradas no substrato. Pode-se prender as plantas nos troncos, nos cocos ou plantar previamente em pequenos vasos.

Seus parceiros de aquário podem também ser bem diversificados, pois eles são ótimos companheiros de Haps, e Aulonocaras mais agressivas, assim como de alguns ciclídeos centro-americanos (infelizmente, não são bons companheiros de Mbunas). Por si só, isto mostra bem a capacidade que eles têm de viver bem em uma variabilidade enorme de pH. Por outro lado, a mudança de pH deve ser feita com paciência, lentamente, pois embora vivam bem em ph de 6.8 a 8.0, ressentem-se mais do que os outros ciclídeos das variações bruscas de pH ou de temperatura (se bem que também haja relatos de Paratilapia vivendo na natureza com 12° C e com 40° C).

Também compartilham bem o espaço com Bótias e Labeos, caso estes espécimes não sejam pequenos. Evidentemente, peixes menores são vistos como alimento.

Cuidados a ter.

É, contudo, uma espécie sensível ao Oodinium, pelo que devemos ter cuidado com as quedas repentinas de temperatura ou mudanças bruscas de pH. A minha fêmea ficou doente no transporte da loja para casa (que durou duas horas no inverno de Curitiba), embora tenha recuperado rapidamente com um tratamento simples.

Outro dos problemas que vejo ser referido em vários artigos, é alguma tendência deste peixe para contrair a "doença dos buracos na cabeça". Não consegui, contudo, verificar se existe alguma ligação com um gH demasiado baixo. Seja como for, parece provado que uma dieta forte em vitamina C evita que o peixe contraia essa doença.

Dimorfismo sexual.

Como já aqui foi dito, os machos são bem maiores do que as fêmeas e estas, contrariamente ao usual nos ciclídeos, são mais coloridas do que os machos.

Os machos com o tempo ficam com uma protuberância na cabeça, à imagem do que acontece com a espécie Green Terror. As barbatanas dos machos também são mais alongadas, e a das fêmeas mais arredondadas.

Reprodução.

Trata-se de uma espécie que não acasala com a mesma facilidade de outros ciclídeos. Um dos problemas maiores na tentativa de reprodução desta espécie em cativeiro é a tendência que eles têm para comerem os ovos. Dificilmente (a não ser que seja um aquário gigante) se conseguirá a reprodução em aquários com outros peixes. Por outro lado, a movimentação exterior ou excesso de luz, induzirá ao mesmo comportamento por parte do casal, o de comer os ovos.

Um aquário ideal deve possuir substrato fino e fácil de ser cavado, troncos e/ou rochas para servir de local para a desova, a água deve ser mais ácida, quente e mole, plantas flutuantes na superfície são recomendadas para ajudar a controlar um pouco a luminosidade.

O cortejo entre o casal começará muitos dias antes que aconteça a desova. O macho ficará com uma coloração escura intensa (a fêmea também ficará com coloração similar logo antes de desovar) e se exibirá para a fêmea. Essas exibições incluem uma “encaração” (cada um dos peixes fica cara com cara com o outro). O casal cavará então um grande abrigo no substrato do seu território, onde a desova ocorrerá. Nesse momento o casal ficará muito agressivo, e se existir qualquer outro peixe no aquário, poderá ser facilmente agredido ou morto pelo casal protetor.

A fêmea colocará os ovos diretamente no substrato, em uma cavidade de um tronco ou, embora mais raramente, nas raízes de plantas que serão expostas previamente pelo casal ao remover o substrato. Os ovos possuem um longo filamento agregado a eles, formando uma longa ‘linha’ de ovos. Os ovos depositados raramente ultrapassam os quinhentos, embora em alguns caso possam chegar a mil. Os ovos eclodirão por volta de dois dias. Os alevinos estarão nadando livremente depois de seis ou sete dias e aceitam náuplios de artêmia, microvermes e alimentos desidratados triturados. Neste momento, os alevinos podem ser retirados para crescerem em um aquário separado. Recomenda-se usar filtro interno de espuma ou então colocar perlon na entrada de água do filtro externo para evitar sugar os filhotes. Se eles forem deixados com os pais, ambos defenderão a ninhada e isso pode durar de 3 a 4 semanas depois dos alevinos começarem a nadar livremente. Eles crescem lentamente, demorando cerca de dois meses para chegar a uns três cm. Os jovens costumam ser canibais, por conseguinte o melhor será separá-los por tamanhos diferentes, até porque as fêmeas podem ser identificadas muito cedo por terem um tamanho menor.

Escrito por Paulo José Miranda.