No próximo dia 15 de Outubro de 2016, um sábado, acontecerá a terceira edição do Encontro Brasileiro de Aquarismo ou EBA como é mais conhecido, mas o que é esse tal EBA? O que ele tem de tão diferente dos tantos encontros de aquarismo que o pessoal faz por aí?

 

Antes, um pouco de história:

O EBA nasceu em 2014, da necessidade do Concurso Brasileiro de Aquapaisagismo ter um evento que suportasse a cerimônia de premiação de seus campeões. Ops... acabei de perceber que para falar do EBA, precisamos falar desse concurso também.

Então vamos falar do Concurso Brasileiro de Aquapaisagismo. Esse concurso é o CBAP, um concurso de aquapaisagismo que nasceu em 2004, época em que os primeiros concursos internacionais de aquapaisagismo começava a sugir (na época me recordo apenas do IAPLC e do AGA Contest) e a participação de brasileiros neles era muito tímida, quase imperceptível. O CBAP foi criado por aquaristas aqui do AqOL como forma de incentivar a participação de brasileiros nesses concursos estrangeiros, nosso raciocínio era que se os brasileiros tivessem um concurso interno para praticar e ir perdendo a "timidez", logo arriscariam mostrar seus trabalhos em concursos internacionais. Estávamos certos! Após a criação do CBAP, a participação de brasileiros em concursos internacionais começou a aumentar ano a ano, junto com o crescimento do Concurso Nacional e hoje o Brasil talvez seja a maior potência ocidental do aquapaisagismo.

Pronto. Agora podemos voltar ao EBA (Encontro Brasileiro de Aquarismo)? Quase!

De 2004 a 2010, o CBAP foi quase 100% virtual, não havia uma cerimônia de premiação física, simplesmente o resultado era divulgado no site após o julgamento dos aquários por fotos e os campeões vinham buscar seus troféus e prêmios. Até que em 2011 fomos convidados pelo pessoal do Encontro de Aquarismo Bauru, o maior encontro de aquarismo da época, para incluir a premiação do CBAP como parte da programação. Foi tão legal que essa parceria aconteceu em tanto em 2011 como em 2012, porém organizar esse tipo de evento é algo bastante cansativo, praticamente um trabalho voluntário e as pessoas possuem projetos pessoais que em certa parte da vida precisam ser priorizados, resumindo, o ano de 2012 foi o último ano do Encontro de Aquarismo Bauru e novamente o Concurso Brasileiro de Aquaipaisagismo (CBAP) ficava sem um evento físico. Foi então que em 2013 resolvemos organizar um evento destinado somente ao Concurso e em parceria com a loja Aquários Sol Nascente de Campinas-SP, o evento foi um sucesso, 100% voltado para aquários plantados e nos deixou bastate animados!

 

Agora vem o EBA!

Chegamos em 2014 e começamos os preparativos para a segunda edição do evento na cidade de Campinas, porém ele precisava de um nome, foi aí que surgiu EBA (Encontro Brasileiro de Aquarismo) e aconteceu a primeira edição oficial do EBA, agora devidamente batizado e com algumas mudanças, a principal delas foi não se restringir somente à aquários plantados, apesar de ter como principal atrativo, a premiação do Concurso Brasileiro de Aquapaisagismo. Eu imaginava que o evento agregaria muito mais valor ao aquarismo de nosso país se reunisse diferentes tribos para que houvesse a troca de informações entre elas, por isso em 2014 o EBA, em seu primeiro ano, teve dois assuntos como tema, os aquários plantados e os aquários de jumbos (peixes grandes). Esse ano, em viagem à feira Interzoo 2014, na Alemanha, tive o prazer de conhecer o Felipe Weber Mendonça, do extinto Ministério de Pesca e Aquicultura e ele nos ajudou a conseguir o anfiteatro Dom Gilberto da PUC-Campinas (pensa em um lugar "chik"...).

Estamos quase lá!

Em 2015, não foi diferente, a fórmula de reunir tribos diferentes do aquarismo havia sido muito legal e não tinhamos porque não repetir, os temas escolhidos dessa vez foram os aquários plantados e os aquários marinhos. Para o segundo tema, como não era uma área que dominávamos muito, chamamos o pessoal do site Brasil Reef para falar sobre o assunto. Foi bem legal, não vou dizer que houve a integração entre os dois públicos, platéia de água doce e salgada, que eu gostaria, mas tudo correu bem, na mais perfeita harmônia e quem foi, saiu aparentemente muito satisfeito.

 

O EBA 2016 (15/10/2016)

Finalmente chegamos em 2016, no final do ano anterior eu havia comunicado que deixaria tanto o EBA como o CBAP para o pessoal que está chegando agora, cheio de vontade de mostrar serviço. É... nem tudo acontece como planejamos, as pessoas que a gente acha que estão com essa vontade toda, talvez não estivessem e na última hora eu precisei reassumir o evento, com o apoio de alguns colegas, porém me mantendo na coordenação da mesma forma.

Aqui eu vou abrir um parêntese que acho válido, até porque essa não é uma queixa de ninguém, pelo contrário, é a aceitação do meu próprio erro. Subir no palco, ser paparicado por aí, ser visto como referência de algo é muito legal mas passar meses ou semanas numa correria alucinante vendo centenas de detalhes para que tudo saia da melhor forma possível sem nenhum ganho financeiro não é algo para a maioria. Às vezes a gente até acha que é para a gente, mas quando começa o estresse, vê que não é e isso é a coisa mais normal do mundo, hoje, analisando com calma, percebo que eu criei expectativas, expectativas que eram minhas e não das pessoas que eu escolhi e que doidos como o Marne Campos do AqOL, CBAP e EBA, como o Rony Suzuki que organizou o Aqualon e o CPA por tantos anos, o saudoso Mauricio Xavier, sua esposa Midori Yamato e Gilberto Takeo que organizaram o EAB em Bauru-SP também por vários anos, além de alguns alguns outros, que por muitas vezes chegaram a colocar dinheiro do bolso para que o evento acontecesse, deveriam ser estudados, pois é difícil descrever o que faz esse povo agir dessa forma. Fechei o meu parêntese.

Estamos em 2016, certo? Mais presicamente a 10 dias do EBA 2016. Esse ano, resolvemos atender o pedido de dezenas de paulistanos que se deslocavam da capital para o interior à cada EBA e levamos o evento para a casa deles. Com a ajuda do meu colega Fabricio Rufino, levamos o EBA para a USP, mais precisamente a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, podendo contar com um belíssimo anfiteatro para 250 pessoas, além de uma área onde queremos oferecer várias novidades ao aquaristas, sair um pouco da fórmula tradicional dos encontros. Eu lembrei que a parte que eu mais gosto do EBA hoje em dia é o coffee-break onde posso rever amigos com "um pouco" mais de calma e essa era uma velha reinvindicação do pessoal, um espaço maior para confraternização, então esse ano, se tudo correr conforme o esperado (e vai correr! Até plantei arruda no aquário!), teremos exposição de peixes jumbos exóticos no saguão de entrada do local, técnicos de grandes empresas do aquarismo expondo seus produtos e tirando dúvidas sobre lançamentos, alguns aquários plantados etc. Para que fosse possível desfrutar de tudo isso adequadamente, aumentamos a duração do EBA que antes era somente no período da tarde e agora começará a partir das 10h da manhã. No final teremos o já tradicional e sempre muito aguardado sorteio de prêmios para quem comprou convites do evento! Isso, é claro, contando com já tradicionais palestras e uma mesa redonda com especialistas onde todo mundo poderá tirar dúvidas.

Isso será o EBA, não simplesmente um dia de ficar vendo palestras, mas um dia para encontrar amigos, dar risada, zoar daquela alga cavalar que você viu no aquário dele e/ou parabenizá-lo pelo maravilhoso aquário que ele tem na sala e serviu como inspiração para você, tirar dúvidas com o seu "ídolo", entregar aquela muda de coral cheia de aiptasia para o seu amigo ou aquela planta com vários focos de peteca disfarçados, tirar foto com o pessoal e dizer que estava em um evento de aquarismo no Facebook para os seus amigos acharem que você é nerd, ajudar outro aquarista a convencer a namorada(o) a permitir mais um aquário na sala, chamar a galera dos marinhos de "enjoados" e o pessoal dos plantados de "povo da plantinha", sair de lá louco para remodelar seu aquário inteiro, mesmo que você não aguente esperar o dia seguinte e vire a noite molhando o chão de casa, ver o babaca do Marne Campos chorar lá no palco e dizer que esse ano é o último dele na organização do EBA, zoar aquele seu amigo que até aquele momento só ganhou um pote de ração de 10g enquanto você ganhou um filtro canister ou um skimmer no sorteio de prêmios, enfim, sair de lá perguntando quando va ter tudo isso novamente e se lamentando porque será só daqui a um ano!

Fotos de onde será o EBA 2016:

 

Para finalizar, algumas perguntas que eu faria se nunca tivesse ouvido falar do EBA e encontrasse comigo mesmo (como as perguntas seriam para mim, eu já respondi):

 

O EBA é pago?

Resp.: Sim.

 

Por que? O pessoal do AqOL pretende ficar rico com ele?

Resp.: Não, mas precisamos que os organizadores não coloquem dinheiro do próprio bolso como já foi comum em eventos sobre aquarismo no passado, o que acabou inviabilizando muitos deles.

 

Quanto custa para participar do EBA?

Resp.: Depende do lote, quanto antes você comprar, mais barato vai pagar. Esse ano, por exemplo, o primeiro lote (lote 0) começou em R$35,00, atualmente estamos no terceiro lote (lote 2) e o convite está em R$50,00, que com certeza não será o último lote, então, apesar de haver venda no dia, eu recomendo comprar antecipadamente por aqui.

 

Vale pagar R$50,00 num convite para o EBA?

Resp.: Aí vai de cada um, se pararmos para pensar que um ingresso para uma seção de cinema está mais de R$30,00 por 2 horas de diversão e se você pegar uma pipoca chega nos R$50,00... O EBA é das 10:00h as 18:00h, tem um delicioso coffee break (não estamos falando de bolacha água e sal com suco de pacotinho, quem já foi sabe) e ainda há sorteio de produtos ao final do evento onde MUITA gente leva para casa bem mais que o valor pago no convite, eu diria que só aí ele já se justifica financeiramente. Se pensarmos pelo lado da paixão pelo aquarismo, que é um dia onde você encontra dezenas de pessoas que já trocou uma mensagem em algum fórum, já usou o aquário daquela pessoa como fonte de inspiração para o seu ou acompanhou o desenvolvimento do aquário dele passo a passo. Aí eu diria que vale muito a pena, porém é claro que vai de cada um. Cada um de nós sabe onde o calo aperta, como dizia minha mãe.

 

Então não parece tão caro, mas não entendo por que o pessoal tem todo esse trabalho se não ganham nada com isso.

Resp.: Sabe que as vezes eu também não entendo? Porém quando eu chego lá na frente e vejo aquele pessoal todo reunido, falando do que tanto gosta com pessoas que adoram ouvir sobre aquele mesmo assunto, quando vejo o brilho nos olhos de cada aquarista ao ver seu "ídolo" respondendo à sua dúvida pessoalmente, alí, olho no olho, quando vejo as risadas do pessoal e as fotos sendo postadas em grupos, redes sociais e fóruns de aquarismo, quando vejo a vibração do pessoal do aquapaisagismo no momento que o resultado do CBAP começa a ser revelado do décimo colocado até, finalmente, o campeão daquele ano... Aí eu entendo o porquê de todo esse trabalho, meses de correria, as insanas semanas que antecedem o encontro e até os relacionamentos abalados pelo estresse de algumas situações. Aquele é o DIA DO AQUARISTA, o que eu mais amo fazer na vida é ser aquarista, na verdade não me imagino não sendo um e aquele é o meu dia, aquele é o nosso dia!

 

Onde será o EBA 2016? Onde eu compro o meu convite antecipado para pagar mais barato?

Resp.: Dentro da USP em São Paulo, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. Os links abaixo contém mais informações úteis:

- COMPRA DE CONVITES ANTECIPADOS (melhor preço)

- PÁGINA DO EVENTO DE 2016 NO FACEBOOK

- PÁGINA DO EBA NO FACEBOOK

Sobre o autor:
Marne Campos
Autor: Marne Campos
Marne Campos, natural de Campinas-SP, é aquarista desde 1990 quando, aos 7 anos de idade, ganhou o seu primeiro aquário e se apaixonou completamente pelo aquarismo. Bacharel em Análise de Sistemas pela PUC-CAMPINAS e técnico em Eletro-Eletrônica pela UNICAMP, criou o projeto Aquarismo Online em 1999, além outras iniciativas ligadas ao aquarismo que vieram logo em seguida, entre elas a idealização do CBAP (Concurso Brasileiro de Aquapaisagismo) onde ocupou o cargo máximo por 12 anos. Dedica-se à aquários plantados desde 1998, tendo como principal área de interesse atualmente, a manutenção de ambientes aquáticos por longos períodos.