Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Discussões gerais sobre os peixes e invertebrados de água doce, abordando assuntos específicos como comportamentos, morfologia, reprodução, alimentação etc.

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Walther
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Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Walther » 07 Ago 2010, 07:45

Olá a todos!! Originalmente este álbum começou como fichas fazendo parte do meu outro álbum de artrópodes, esse aqui. Só que as fichas de caranguejos começaram a ficar cada vez maiores, e achei que estava fugindo um pouco do objetivo principal daquele álbum, que era a identificação dos pequenos seres alienígenas que podemos encontrar nos nossos aquários e lagos.
Desta forma, decidi que valia a pena montar um álbum à parte.

Além do álbum propriamente dito, montá-lo tem sido uma experiência muito rica, além de vários colegas foristas (Era, AqOL, FA), contactei vários biólogos e fotógrafos naturalistas para enriquecer este álbum, os quais agradeço de coração. Todos eles me receberam muito bem, e cederam o uso gratuito das suas fotos, mesmo aqueles que atuam profissionalmente com fotografia.
Muito Obrigado a todos vocês!!

E novamente reforço o pedido que fiz no meu outro álbum, contribuições (fotos ou correções no texto) são sempre muito bem vindas!

Um grande abraço a todos!! :wink:
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Walther
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Re: Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Walther » 07 Ago 2010, 07:47

Caranguejos de Água Doce (Trichodactylus) (crustáceos decápodes da infraordem Brachyura, família Trichodactylidae, gênero Trichodactylus)

Também chamados de “caranguejo de rio”, “goiaúna” e “guaiaúna”. Em alguns lugares da Bahia ainda é conhecido como “gajé”. É o caranguejo dulcícola mais comum, de ampla distribuição geográfica, ocorrendo desde as bacias costeiras da faixa leste do Brasil até a bacia do alto Paraná e na Argentina, sempre em rios da drenagem Atlântica.

Tamanho: carapaça de até 5 cm.

Identificação: Cefalotórax de altura média, arredondado. Olhos pequenos, antenas curtas. Grandes quelípodos. Geralmente de cor marrom-escura avermelhada. É o gênero mais comum de caranguejo dulcícola, pode ser diferenciada de outros gêneros (como o Dilocarcinus) baseada na forma do abdômen (segmentação de todos os somitos), e a escassez de dentes na margem da carapaça (até 5). Uma chave de identificação muito boa pode ser vista aqui.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em riachos límpidos, geralmente montanhosos, mas podem ser coletados também em lagoas e represas. Vive entre rochas ou vegetação aquática. Hábitos noturnos, permanece entocado durante o dia. Como todos os demais crustáceos, realizam mudas (ecdises) durante o crescimento, abandonando a carapaça antiga (exuvia). Logo após a muda, seu exoesqueleto ainda não é totalmente rígido, sendo vulnerável a ataques. Todo seu ciclo de vida se dá em água doce. Produzem poucos ovos de grandes dimensões, apresentam desenvolvimento pós-embrionário direto, onde as fases larvais completam-se ainda dentro do ovo. Na eclosão são liberados indivíduos jovens e com características semelhantes ao adulto. Os jovens são protegidos e carregados pelas fêmeas sob o abdome, caracterizando cuidado parental.

Alimentação e respiração: Onívoros, geralmente se alimentam de detritos e animais mortos. Brânquias internas, obtêm oxigênio da água, não necessitando vir à superfície para respirar. Porém, suportam algum tempo fora d´água, principalmente se houver umidade.

Perigo para humanos ou peixes: Não são agressivos, ao contrário dos Dilocarcinus. Porém possuem garras potentes, e acidentes podem ocorrer. Sua manutenção em aquários é controverso, muitos relatam sucesso na manutenção de espécimes pequenos, mesmo em tanques comunitários, com plantas e peixes pequenos. Ficam vulneráveis após a ecdise, até a solidificação completa do exoesqueleto, e podem ser predados por peixes maiores nesta ocasião.

Curiosidades:
- Como os demais crustáceos, possuem capacidade de regenerar membros perdidos. Membros novos se formam no local onde havia o original, mas ocultos pelo exoesqueleto, sendo expostos somente no momento da ecdise. Membros grandes (como a quela) podem precisar de várias mudas para atingir as dimensões originais.
- Comestíveis, são importante fonte de alimentação para populações ribeirinhas.

Trichodactylus fluviatilis, foto cortesia de Britzke.
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Trichodactylus fluviatilis, foto cortesia de Germano Woehl Junior (Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade). Fotografado em um riacho da Serra do Mar - Corupá (SC).
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Trichodactylus petropolitanus, todas as fotos cedidas por rodcamilo (Aquarismo Online - AqOL). Coletado na Represa de Itupararanga, Piedade/SP.
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Diminuto caranguejo, provável Trichodactylus sp., cortesia de Van Haute (Era de Aquários). Coletado em Santa Albertina, SP.
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Trichodactylus sp., foto cortesia de Germano Woehl Junior (Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade). Fotografado em RPPN Santuário Rã-bugio – Guaramirim (SC).
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Última edição por Walther em 15 Ago 2010, 08:35, editado 1 vez no total.
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Re: Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Walther » 07 Ago 2010, 07:48

Caranguejos de Água Doce (Dilocarcinus) (crustáceos decápodes da infraordem Brachyura, família Trichodactylidae, gênero Dilocarcinus)

Outro gênero bastante comum, sem nomes populares específicos em português. Também têm ampla distribuição geográfica na região central da América do Sul, principalmente no noroeste de São Paulo, onde é utilizado como isca para pesca.

Tamanho: carapaça de até 6 cm.

Identificação: Lembra bastante os demais caranguejos dulcícolas brasileiros, também têm cor marrom avermelhada. Morfologicamente, pode ser diferenciada dos Trichodactylus pelo aspecto menos segmentado do abdômen, com fusão de somitos, a presença de vários dentes pontiagudos na margem da carapaça, e a margem da carapaça entre os olhos lisa. A diferenciação com alguns outros gêneros mais incomuns (como os Poppiana) é mais difícil, e é baseada em detalhes do gonopódio. Veja esta chave de identificação aqui.

Habitat e ciclo de vida: Hábitos semi-aquáticos, constroem tocas nas margens de rios e represas, contribuindo de forma significativa na erosão destas margens. Hábitos noturnos. Como os demais crustáceos, realizam mudas (ecdises) durante o crescimento. Logo após a muda, seu exoesqueleto ainda não é totalmente rígido, sendo vulnerável a ataques. Todo seu ciclo de vida se dá em água doce. Produzem poucos ovos de grandes dimensões, apresentam desenvolvimento pós-embrionário direto, onde as fases larvais completam-se ainda dentro do ovo. Na eclosão são liberados indivíduos jovens e com características semelhantes ao adulto. Os jovens são protegidos e carregados pelas fêmeas sob o abdome, caracterizando cuidado parental.

Alimentação e respiração: Onívoros, geralmente se alimentam de detritos e animais mortos. Brânquias internas, obtêm oxigênio da água, não necessitando vir à superfície para respirar. Porém, as lamelas branquiais anteriores são adaptadas para trocas gasosas aéreas.

Perigo para humanos ou peixes: Bastante agressivos, não é recomendado sua manutenção em aquários comunitários. Ficam vulneráveis após a ecdise, até a solidificação completa do exoesqueleto, podem ser predados por peixes maiores nesta ocasião.

Provável Dilocarcinus pagei, todas as fotos cortesia de Santiago@ (Era de Aquários).
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Re: Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Walther » 07 Ago 2010, 07:49

Caranguejos Uca (crustáceos decápodes da infraordem Brachyura, família Ocypodidae, gênero Uca)

Também chamados de “caranguejo violinista”, devido à sua pinça (quelípede) assimétrica e grande, quando realiza pequenos movimentos com sua pinça menor ao se alimentar realmente parece que está tocando um violino. Possui vários outros nomes populares regionais, como “caranguejo cavador”, “chama-maré”, “chora-maré”, “catanhão-tesoura”, “ciecié”, “maracauim”, “siri-patola”, “tesoura”, “vem-cá” e “xié”. A palavra Uca vem do termo indígena da tribo Seminole (que vivia na região da Flórida) para designar estes pequenos caranguejos. Curiosamente o nome indígena para o caranguejo-do-mangue brasileiro (Ucides cordatus) é “Uçá”, mas deve ser somente coincidência. Existem cerca de 94 espécies deste gênero no mundo, 6 na costa brasileira.

Tamanho: a maior espécie tem carapaça de até 6 cm, mas a vasta maioria é bem menor.

Identificação: Cefalotórax alto, de forma quadrada. Coloração bastante variável. Olhos compostos na extremidade de longos bastões, são retráteis se amoldando em fendas na borda anterior do cefalotórax. Dimorfismo sexual bem demarcado, uma das garras do macho é desproporcionalmente grande. Além disso, semelhantes aos demais caranguejos, o macho possui abdômen estreito, e a fêmea abdômen largo, onde fixa seus ovos.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em ambientes semi-aquáticos, na zona transicional de marés de litorais marinhos ou manguezais. Ampla distribuição por todos os continentes, exceto regiões polares. Cavam tocas alongadas no solo, que chegam a 30 cm de profundidade, e que podem se interconectar. Durante a maré alta fecham sua entrada com um cimento feito de saliva e areia, que pode ter 10 cm de espessura, para evitar que a água entre. Na maré baixa saem das suas tocas para se alimentar. Como todos os demais crustáceos, realizam mudas (ecdises) durante o crescimento, abandonando a carapaça antiga (exuvia). Logo após a muda, seu exoesqueleto ainda não é totalmente rígido, sendo vulnerável a ataques. Nesta época costuma permanecer entocado. Possuem vida relativamente curta, não ultrapassando dois anos na natureza (podem viver até três anos em cativeiro). Após a cópula, por duas semanas de gestação a fêmea carrega seus ovos na região abdominal, no momento do nascimento libera-os na água do mar, durante a maré alta. Larvas planctônicas passam por vários estágios em mar aberto, por um período de duas semanas. Adultos se dirigem ao litoral, e passam o restante da sua vida na zona de maré.

Alimentação e respiração: Se alimentam de detritos, microorganismos e algas, coletam porções de areia e sedimentos com sua pinça menor, levando-os à boca, de onde o alimento é separado com suas peças bucais. O sedimento já processado é eliminado pela boca formando uma pequena esfera, e devolvido ao solo. Algumas espécies usam estas bolinhas para demarcar seus territórios. Respiram ar, usando suas brânquias internas.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos, exceto se deliberadamente seu dedo for colocado na sua pinça maior, como já fez este que vos fala aos 10 anos... :oops: :lol: Não ataca peixes ou camarões. Por outro lado, é predado por peixes maiores.

Curiosidades:
- Como os demais crustáceos, possuem capacidade de regenerar membros perdidos. Um fato curioso, na maioria das espécies, se perderem a pinça maior, a menor cresce progressivamente e substitui a contralateral. No local onde havia a pinça maior, nasce uma menor.
- São animais sociais e territoriais, realizam disputas entre os machos por território e fêmeas. Para tal fazem uma dança com sua pinça maior, agitando-a ao alto, e golpeando o solo.
- Em algumas espécies, a garra maior pode representar 75% da massa total do animal.

Manutenção em aquários: Por serem animais extremamente robustos, geralmente são vendidos como animais aquáticos e de água doce. Se mantidos em aquários nestas condições têm expectativa de vida bastante reduzida, não sobrevivendo por um tempo maior do que alguns meses. A forma correta de criá-los é em aquaterrários dedicados, com parte do ambiente emerso, água salobra e substrato arenoso.
- Sugere-se um volume de cerca de 10 litros por animal, mas o mais importante do que o volume é a área de substrato, cerca de 800 cm2 por animal. São sociais e gregários, sugere-se um mínimo de 2 casais, embora com mais de um macho em ambientes pequenos possa ocorrer brigas, mas geralmente sem grandes conseqüências, são mais exibições do que combates reais.
- Apesar de existirem espécies marinhas, as comercialmente disponíveis no Brasil são coletadas em manguezais. Desta forma, necessitam de água salobra, idealmente numa densidade de cerca de 1.005. Nunca se deve usar sal de cozinha, mas sim adicionar água do mar à água doce. Pode ser aquela água que seria descartada de TPAs de aquários marinhos. Para atingir tal densidade, deve-se diluir 1 parte de água do mar para 4 partes de água doce.
- Os demais parâmetros não são críticos, mas se possível é desejável uma água alcalina e dura. Temperatura de cerca de 24~29 graus.
- Não são exigentes quanto à alimentação, podem ser alimentados com rações industrializadas para peixes ornamentais. Alguns criadores sugerem suplementar com alimentos ricos em cálcio, como cascas de ovos triturados ou osso de siba.
- O substrato ideal é arenoso, ou barrento, este último dificulta bastante a manutenção do tanque. Desta forma, sugere-se areia de praia fina, limpa e lavada, para que possam se enterrar e criar suas tocas. Mas podem viver em outros substratos de maior granulometria. Precisam de uma parte seca, por respirarem ar. Se mantidos em aquários, irão escalar plantas e filtros até a superfície, para poder respirar. Pedras e outros objetos podem ser interessantes, para ajudar a demarcar territórios. Mas deve-se tomar cuidado para que estes objetos não possam ser escalados, permitindo a fuga dos animais do aquário.
- A reprodução doméstica em cativeiro não é possível, por apresentar diversas etapas larvares em alto mar.

Uca sp. macho, belíssima foto de Machini (Era de Aquários).
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Outras belas fotos de Uca burgersi ("Saltpan Fiddler Crab", algo como "salinas", devido à padronagem com manchas irregulares claras lembrando sal evaporado), cortesia de sergious(FórumAquário). Macho:
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Fêmea:
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Na primeira imagem, a exuvia (exoesqueleto antigo abandonado) da ecdise.
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Uca burgersi fêmea, carapaça com cerca de 1 cm. Coletado em Caraguatatuba, SP, num mangue próximo do mar.
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Um macho que havia perdido a quela maior.
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Uca sp. macho, carapaça com cerca de 2,5 cm. Coletado em Caraguatatuba, SP, habitava um terreno marginal bastante lodoso de um riacho que se comunicava com o mar, mas relativamente distante deste (cerca de 20 metros).
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Uca thayeri, macho, foto gentilmente cedida pelo biólogo Heideger Nascimento.
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Uca maracoani, macho, foto gentilmente cedida pela bióloga Mariângela Di Benedetto, extraída da sua tese de mestrado. Fotografado no Baixio Mirim, Baía de Guaratuba (PR). Nota o formato bem característico da sua quela.
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Última edição por Walther em 15 Ago 2010, 08:40, editado 1 vez no total.
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Re: Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Walther » 07 Ago 2010, 07:50

Caranguejos Sesarmídeos (crustáceos decápodes da infraordem Brachyura, família Sesarmidae)

Representados no Brasil por vários gêneros como Sesarma e Armases, são pequenos caranguejos que habitam estuários e manguezais. Sua classificação é meio confusa, porque passou por recentes modificações, deixando de fazer parte da família Grapsidae, a Sesarmidae se tornando uma família própria. As espécies arborícolas (Aratus) ganharam fichas próprias devido à sua importância, apesar de alguns deles pertencerem ao mesmo grupo.

Tamanho: Carapaça de até 7 cm, mas a maioria é bem menor.

Identificação: Carapaça quadrada, relativamente achatada, pernas longas dispostas lateralmente. Coloração bastante variável, muitos com cores vibrantes. Dimorfismo sexual semelhantes aos demais caranguejos, o macho possui abdômen estreito, e a fêmea abdômen largo, onde fixa seus ovos.

Habitat e ciclo de vida: Animais semi-aquáticos, habitam estuários e manguezais, em geral vivendo entre raízes e base dos caules da vegetação local. Geralmente permanecem a maior parte do tempo fora d´água. Cavam tocas no solo, não tão profundas como os Ucas. Como todos os demais crustáceos, realizam mudas (ecdises) durante o crescimento, abandonando a carapaça antiga (exuvia). Logo após a muda, seu exoesqueleto ainda não é totalmente rígido, sendo vulnerável a ataques. Reprodução variável, algumas espécies com reprodução especializada, outras não. Algumas ainda têm reprodução totalmente abreviada, espécies totalmente terrestres, não necessitando retornar à água nem mesmo para se reproduzirem.

Alimentação e respiração: Onívoros, se alimentam basicamente de material vegetal em decomposição, animais mortos e insetos. Brânquias internas mistas, parcialmente adaptadas para extrair oxigênio do ar, necessitam de ambientes úmidos.

Perigo para humanos ou peixes: Geralmente são inofensivos para humanos e peixes (existem alguns relatos de agressividade com animais do gênero Pseudosesarma), por outro lado, é predado por animais maiores. Pode se alimentar de plantas mais macias, aquáticas ou emersas.

Curiosidades:
- Uma espécie ornamental asiática, Geosesarma notophorum, conhecido como “Mandarin Crab” possui um cuidado parental especial, após o nascimento, os pequenos filhotes são transportados no dorso da mãe até 2 a 3 dias de vida. Inicialmente se agarram nas pernas e região lateral da carapaça, locais de maior umidade, mais adiante escalam as regiões mais altas, próxima aos olhos e boca. Quando estão bastante ativos, a mãe os deposita suavemente com sua quela no substrato. Durante todo este processo a mãe não se alimenta.
- Existe uma pequena espécie jamaicana, Metopaulias depressus, totalmente terrestre e altamente especializada, vive no interior de poças d´água de bromélias. Deposita cerca de 90 ovos neste local, e remove cuidadosamente folhas mortas deste local, acrescentando conchas de caramujos, para manter o pH adequado e fornecer cálcio. A mãe caça baratas e milípedes para alimentar seus filhotes. Eliminam também ninfas de libélulas nestas poças, que possam predar seus filhotes.
- Algumas espécies de Geosesarma se especializaram em viver no interior de reservatórios líquidos de plantas carnívoras Nepenthes, como o G. malayanum e o G. perracae.

Manutenção em aquários: Apesar de ainda não serem disponíveis comercialmente no Brasil, caranguejos deste grupo são bastante populares em outros países, em especial os do gênero Geosesarma oriundos do sudeste asiático, bastante coloridos, chamados de “Vampire Crabs”.
- São mantidos em aquaterrários de forma semelhante aos Ucas, passando a maior parte do tempo emerso. Não são agressivos com outros animais, e podem ser mantidos com outros caranguejos como os Ucas. Entretanto, existem relatos de agressividade com alguns gêneros, como Pseudosesarmas.
- Alguns vivem em água doce, mas a maioria necessita de água salobra (vide ficha dos Ucas). Algumas poucas espécies não necessitam de ambiente aquático.
- Crescem mais do que os Ucas, desta forma necessitando de mais espaço. Sugere-se um aquário a partir de 40 cm para um casal. Apesar de que também têm comportamento social, sugerindo-se a manutenção em grupos. Nestes casos, deve-se manter um número reduzido de machos, para evitar confrontos.
- Não é exigente quanto à alimentação, na natureza são onívoros, sua base de alimentação é material vegetal em decomposição, acrescidos com proteína animal. Criadores estrangeiros deixam folhas de árvores (amendoeiras, por exemplo) se decomporem na porção aquática do tanque. Complementam com alimentos vegetais, como frutas, verduras e legumes, atentando para não deixá-los por muito tempo, comprometendo a qualidade da água. Alguns sugerem ainda suplementar com alimentos ricos em cálcio, como cascas de ovos triturados ou osso de siba.
- O substrato não é crítico, mas o ideal é arenoso, porque também escavam tocas. Pedras e outros objetos podem ser interessantes, para ajudar a demarcar territórios. Mas deve-se tomar cuidado para que estes objetos não possam ser escalados, permitindo a fuga dos animais do aquário.
- Expectativa de vida de 2 a 4 anos. Algumas espécies exóticas podem ser reproduzidas em aquário, como os Geosesarma asiáticos.

Caranguejo sesarmídeo, Sesarma rectum, exemplar do Aquário Público de Ubatuba. Carapaça com cerca de 3 cm.
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Comparação de tamanho com um Uca.
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Armases augustipes, coletados em São Luis MA, num pequeno riacho que desaguava no litoral. Carapaça com cerca de 2 cm.
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Fui molhar o animal para retirar a lama, e ele começou a espumar (caranguejo raivoso rsrs :lol: ).
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Comparação das pleuras do macho (esquerda) e fêmea (direita).
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Armases augustipes, coletado em Peruíbe SP.
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Última edição por Walther em 21 Jan 2011, 22:50, editado 2 vezes no total.
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Re: Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Walther » 07 Ago 2010, 07:50

Aratus (alguns crustáceos decápodes arborícolas da infraordem Brachyura, famílias Sesarmidae e Grapsidae)

Aratu (“aratupeba”, “aratupinima”, ou “artu”), é o nome popular de uma dúzia de pequenos caranguejos que vivem em manguezais, de hábitos arborícolas, passando quase que a totalidade de seu tempo emerso. As duas espécies mais importantes são Goniopsis cruentata (popularmente conhecidos também como “maria-mulata”, “carapinha”, “espia-moça” ou “túnica”, um grapsídeo) e Aratus pisonii (também chamado “marinheiro”, um sesarmídeo). Em especial a primeira, comestível, coletada e bastante utilizada na culinária regional.

Tamanho: Carapaça de até 8 cm.

Identificação: Carapaça quadrada, relativamente achatada, pernas longas dispostas lateralmente. Goniopsis possuem uma cor avermelhada com rica padronagem de manchas brancas, enquanto Aratus apresentam uma cor parda acinzentada. Dimorfismo sexual semelhantes aos demais caranguejos, o macho possui abdômen estreito, e a fêmea abdômen largo, onde fixa seus ovos. Um sinal útil na identificação do Aratus pisonii é o fato de terem os dedos das pernas ambultórias bastante curtos.

Habitat e ciclo de vida: Habitam estuários e manguezais, possuem hábitos arborícolas, permanecendo a maior parte do tempo emerso, correndo agilmente em troncos e galhos de árvores do mangue. Aratus constroem tocas no solo onde se refugiam, mas Goniopsis não as constroem, invadindo tocas de outros caranguejos. Como todos os demais crustáceos, realizam mudas (ecdises) durante o crescimento, abandonando a carapaça antiga (exuvia). Logo após a muda, seu exoesqueleto ainda não é totalmente rígido, sendo vulnerável a ataques, quando permanecem entocados. Reprodução não-especializada, a fêmea libera seus ovos nas águas estuarianas, larvas planctônicas passam por vários estágios em mar aberto, adultos se dirigem ao litoral, e passam o restante da sua vida na zona de maré.

Alimentação e respiração: Onívoros, se alimentam basicamente de material vegetal em decomposição, animais mortos e insetos. Brânquias internas mistas, parcialmente adaptadas para extrair oxigênio do ar, necessitam de ambientes úmidos.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivos para humanos e peixes, pode se alimentar de plantas mais macias, aquáticas ou emersas.

Curiosidades:
- A captura do caranguejo Goniopsis é feita por um artefato artesanal formado por vara, linha e isca. Os tipos de isca utilizados são tripa de galinha, carne de charque e a própria carne do caranguejo Aratus. É uma atividade tipicamente feminina, com canções tradicionais que eram cantadas durante a captura, para atrair o caranguejo.
- Houve uma grande redução na população nativa de Aratus, pela coleta extensa, um fungo patógeno, e principalmente pela destruição de seu habitat. Sua pesca é controlada pelo IBAMA, com controle das dimensões do animal, e também de períodos reprodutivos onde há proibição da sua coleta.

Manutenção em aquários: Existe pouca experiência na criação em cativeiro destas espécies, apesar do interesse comercial. Imagina-se que demande condições semelhantes a outros pequenos caranguejos do mangue, descritos na ficha dos sesarmídeos. Lembrando somente que Goniopsis atingem maiores dimensões, necessitando de ambientes maiores.

Aratu, Goniopsis cruentata, as duas fotos abaixo gentilmente cedidas pelo biólogo André Benedito. Fotografado no Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC), Cananéia, SP.
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Outro Goniopsis cruentata, foto cortesia de Germano Woehl Junior (Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade). Fotografado no Manguezal de São Francisco do Sul, SC (litoral Norte).
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Goniopsis cruentata, coletado em Peruíbe, SP. Na primeira foto, uma grande exúvia (muda).
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Aratu, Goniopsis cruentata, foto gentilmente cedida pelo fotógrafo José Angelo Pinto.
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Aratu-marinheiro, Aratus pisonii, fotografado em São Luis (MA). Na primeira foto, sobre um caranguejo Armases.
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Aratu-marinheiro, Aratus pisonii, também cortesia de Germano Woehl Junior (Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade). Também fotografado no Manguezal de São Francisco do Sul, SC (litoral Norte).
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As duas fotos abaixo mostram Aratu-marinheiro, Aratus pisonii, fotos gentilmente cedidas pelo fotógrafo norte-americano Alan Cressler. Fotografado na Ilha Chokoloskee, Collier County (Florida), mas esta espécie também ocorre no Brasil.
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Aratus pisonii, foto gentilmente cedida pela fotógrafa norte-americana Andrea Westmoreland. Fotografado na Indian River Lagoon Preserve Park, New Smyrna Beach (Florida), mas esta espécie também ocorre no Brasil.
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Última edição por Walther em 24 Jan 2011, 08:06, editado 1 vez no total.
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Re: Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Walther » 07 Ago 2010, 07:51

Guaiamus (crustáceos decápodes da infraordem Brachyura, família Gecarcinidae, gênero Cardisoma, espécies guanhumi e armatum)

São caranguejos terrestres com ampla distribuição pelo litoral brasileiro, mais comum nas regiões tropicais. Chamados também de “guaiamum”, “goiamum”, “caranguejo-mulato-da-terra” e “fumbamba”. A espécie mais comum de Guaiamu é o Cardisoma guanhumi, um grande caranguejo azulado com quelas bem assimétricas. Porém, muitas fontes relatam uma segunda espécie, Cardisoma armatum, menor e bem mais colorida. Esta espécie tem uma história bem interessante: originalmente descrita na África, não se sabe ao certo se se trata de uma espécie invasora, ou de uma espécie encontrada nos dois continentes (outro exemplo bem conhecido é a Atya gabonensis). Estudos sugerem mais esta segunda hipótese, sendo um exemplo freqüentemente citado da evidência de fusão original dos dois continentes, africano e americano.

Tamanho: Carapaça de até 11 cm, podendo pesar mais de 500 gramas, é um dos maiores artrópodes terrestres do mundo.

Identificação: Cefalotórax alto, em forma de coração (Cardisoma significa isto), pernas longas dispostas lateralmente, com pequenos espinhos nas regiões terminais. Coloração azulada, as fêmeas, à época de desova assume a coloração em tons na cor creme ou amarelada. O Cardisoma armatum tem cores mais fortes e variadas, numa base azul, com regiões laranja-avermelhadas e brancas. Exemplares pequenos são bem difíceis de serem diferenciados, só é possível pelo aspecto do gonopódio. Dimorfismo sexual semelhante aos demais caranguejos, o macho possui abdômen estreito, e a fêmea abdômen largo, onde fixa seus ovos. Semelhante aos Ucas, possui quelas desiguais no macho, mas de forma menos exuberante do que nestes.

Habitat e ciclo de vida: Animais terrestres, habitam terrenos arenosos localizados entre o mangue lamacento e o início da mata, onde constroem suas tocas. As tocas são bem profundas, podendo atingir dois metros, e no seu fundo existe uma pequena piscina. Como todos os demais crustáceos, realizam mudas (ecdises) durante o crescimento, abandonando a carapaça antiga (exuvia). Logo após a muda, seu exoesqueleto ainda não é totalmente rígido, sendo vulnerável a ataques, geralmente permanecendo entocado neste período. Ecdises mais infrequentes à medida que o animal cresce, realiza cerca de 60 ao longo da sua vida. Reprodução não-especializada, a fêmea libera seus ovos nas águas estuarianas, larvas planctônicas passam por vários estágios no mar. Expectativa de vida bastante longa, chegam a viver 12 anos.

Alimentação e respiração: Onívoros, se alimentam basicamente de material vegetal em decomposição, mas também de animais mortos. Respiram ar, usando suas brânquias internas adaptadas, mas precisam retornar à água periodicamente. Suportam até 2~3 dias sem água, em ambientes úmidos.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivos para humanos, apesar do seu grande tamanho. Sua manutenção com animais menores é bem controversa, existem registros de predação, mas existem também vários relatos de manutenção com sucesso juntamente com outros animais (como no Aquário Público de Ubatuba, SP). Pode se alimentar de plantas mais macias, aquáticas ou emersas.

Curiosidades:
- Possui coleta controlada pelo IBAMA, com proibição da pesca nos períodos reprodutivos (início da primavera).
- Existem relatos sugerindo algum grau de inteligência, com animais reconhecendo o dono e se alimentando nas suas mãos.

Manutenção em aquários:
- No Brasil são coletados na natureza para alimentação, sendo bastante criados para engorda ("cevar"), antes do abate.
- Geralmente em locais improvisados, como quintais e cercados, com uma pequena área molhada, sendo alimentadas com polpa de côco, além de outras frutas e verduras. A água pode ser doce, mas sempre mantida limpa (costuma-se deixar uma torneira gotejando no reservatorio).
- Algumas fontes citam que não devem receber salsa, devido ao alto teor de ácido prússico.
- Em outros países o Cardisoma armatum é comercializado para criação em aquaterrários, sendo conhecido como “rainbow crab” (“caranguejo arco-íris”). São mantidos em aquaterrários de forma semelhante a outros caranguejos, necessitando porém de tanques bem maiores.

Guaiamu, provável Cardisoma armatum, foto gentilmente cedida pela fotógrafa Tita Décourt.
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Cardisoma guanhumi, foto gentilmente cedida pela bióloga Dani Batista. Fotografado em Ilha Grande (RJ).
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Guaiamu, Cardisoma guanhumi, grande exemplar do Aquário Público de Ubatuba.
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Cardisoma guanhumi comendo um pedaço de côco, foto gentilmente cedida pelo biólogo Heideger Nascimento.
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Guaiamus num mercado em Itacaré (BA). Note que existem exemplares das duas espécies na foto, gentilmente cedida pelo fotógrafo Walmir Monteiro.
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Última edição por Walther em 15 Ago 2010, 08:53, editado 1 vez no total.
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Re: Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Walther » 07 Ago 2010, 07:52

Églas (crustáceos decápodes da infraordem Anomura, família Aeglidae, gênero Aegla)

Apesar de serem chamados de “caranguejos”, na realidade estes animais pertencem a uma outra infraordem, a mesma dos caranguejos-ermitões. A família Aeglidae possui somente um gênero, Aegla, com 63 espécies, 10 delas brasileiras. São os únicos anomuros encontrados em água doce, exceto por uma única espécie de ermitão dulcícola de uma ilha do pacífico. Alguns chamam estes animais de "Tatuí de água doce", mas geralmente são referidos erroneamente de “caranguejos de água doce”, ou pelo nome em castelhano, “pancora” (que também é um termo genérico para caranguejos dulcícolas). Ou ainda, pelo seu nome científico, embora vale a ressalva de que a pronúncia correta é "Égla".

Tamanho: carapaça de até 5 cm.

Identificação: Lembra bastante um caranguejo, com cefalotórax achatado, pernas dispostas lateralmente e primeiro par na forma de grandes garras (quelípodos). Entretanto, numa análise mais cuidadosa, destaca-se antenas finas e bastante longas, e abdomen relativamente desenvolvido, parecendo um lagostim com a cauda encurtada. O próprio cefalotórax é algo oval, novamente lembrando um lagostim achatado. Numa visão superior, só são visíveis 6 pernas ambulatórias (ao invés dos oito dos caranguejos), já que o último par de pernas é bastante curto, e fica oculto sob o abdômen, tendo função somente nas fêmeas, auxiliando a aeração dos ovos. Coloração variada, geralmente de cor marrom-escura avermelhada, mas pode ter aspectos variados, muitas vezes com tons azulados. O dimorfismo sexual não é muito evidente, machos têm garras maiores, e o aspecto ventral do abdômen também é diferente.

Habitat e ciclo de vida: Distribuição restrita à porção sul da América do Sul, no Brasil são encontrados somente nas regiões sul e sudeste, o que explica sua baixa tolerância ao calor. Vivem em riachos límpidos de leito rochoso, geralmente montanhosos, alguns também em lagoas e represas. Hábitos noturnos, permanece entocado durante o dia. Como todos os demais crustáceos, realizam mudas (ecdises) durante o crescimento, abandonando a carapaça antiga (exuvia). Logo após a muda, seu exoesqueleto ainda não é totalmente rígido, sendo vulnerável a ataques. Na natureza acasalam no verão, produzem ovos no outono/inverno, e o cuidado parental se dá na primavera. Produzem cerca de 50 a 100 ovos de cada vez, que eclodem em cerca de 6 semanas, passando de uma coloração laranja para marrom pouco antes da eclosão. Reprodução especializada, com filhotes sendo pequenas miniaturas dos animais adultos. Atingem a maturidade sexual aos 6 meses.

Alimentação e respiração: Onívoros, se alimentam de detritos e material orgânico em decomposição. Brânquias internas, com os quais obtêm oxigênio da água.

Perigo para humanos ou peixes: Apesar das garras impressionantes, não são agressivos, não representando perigo para humanos ou outros animais.

Curiosidades:
- Como os demais crustáceos, possuem capacidade de regenerar membros perdidos. Membros novos se formam no local onde havia o original, mas ocultos pelo exoesqueleto, sendo expostos somente no momento da ecdise.
- Comestíveis, são importante fonte de alimentação para populações ribeirinhas.
- Existem espécies cavernícolas, como o Aegla microphthalma, encontrado nas cavernas do Vale do Ribeira (SP), com olhos bastante atrofiados. Esta espécie está seriamente ameaçada de extinção.
- Por serem espécies sensíveis, são excelentes bioindicadores da qualidade da água.

Manutenção em aquários: Não são populares no Brasil como animais de aquário, mas em outros países (como na Argentina) são criados com sucesso já há algum tempo. Suas necessidades são:
- São aquáticos, podem ser mantidos em aquários, não necessitando de área emersa.
- Não são animais agressivos, podendo ser mantidos com peixes ou com outros Aeglas, independente do sexo. Também não predam seus filhotes. Alguns aquaristas relatam sucesso inclusive na manutenção junto a Neocaridinas. Há relatos somente de se alimentarem de pequenos caramujos. Ficam vulneráveis após a ecdise, até a solidificação completa do exoesqueleto, e podem ser predados por peixes maiores nesta ocasião.
- Por serem pequenos e pacíficos, podem ser mantidos em tanques pequenos, lembrando somente da requisição de alta taxa de oxigenação (vide adiante). A partir de 25 litros podem ser mantidos de 3 a 4 exemplares.
- Um aspecto bastante importante é sua sensibilidade a altas temperaturas, uma causa comum de insucesso na sua manutenção em cativeiro. Sugere-se uma temperatura de 18~25 graus. Alguns criadores argentinos sugerem baixar mais a temperatura no inverno (até 18 graus) para estimular sua reprodução.
- Por viverem em água corrente e fria, demandam também alta taxa de oxigenação. Vivem em águas duras e alcalinas, com um pH de 7,5~8,0 e GH maior que 12. Como os demais crustáceos, são bem sensíveis a compostos nitrogenados, assim como a metais.
- Não é exigente quanto à alimentação, na natureza são onívoros, se alimentando de detritos e material orgânico em decomposição, vegetal e animal. Aceitam bem ração em flocos, assim como proteína animal.
- Podem ser reproduzidos em aquário, com certa facilidade. Na natureza se reproduzem uma vez ao ano, mas em cativeiro, se bem alimentados, podem ter até 3 posturas anuais.

Aegla sp., foto cortesia de Josa. Coletado em Rio dos Cedros (SC).
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Aegla sp., foto cortesia de Joatan Kruk (FórumAquário). Espécie também nativa de SC.
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Re: Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Walther » 07 Ago 2010, 07:53

Bom, por ora é isso... Finalizo com uma seleção de links de interesse:

Este é um fórum alemão, excelente, tem uma pequena seção em inglês com fichas:
http://www.panzerwelten.de/forum/forum-53.html

Outro fórum alemão, esse é só em alemão, eu só fico olhando as fotos :lol: , que são excelentes!
http://www.wirbellose.de/arten.html

Um terceiro alemão, aqui a sua extensa galeria de fotos:
http://www.crusta10.de/templates/index. ... 54&katid=2

Existe um excelente livro sobre a identificação de crustáceos dulcícolas, o GoogleBooks disponibilizou praticamente toda a seção sobre Aeglas aqui.
E o autor do capítulo de Caranguejos disponibilizou um pdf do seu capítulo aqui:
http://decapoda.arthroinfo.org/pdfs/31205/31205.pdf

E claro, o Planet Inverts Brasil, onde colaboro. Ainda não tem material nosso na galeria, de certa forma esse álbum é uma "versão beta" do que pretendo disponibilizar ali também.
http://www.planetinverts.com.br/

Abraços a todos!! :wink:
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Re: Caranguejos dulcícolas e estuarianos

Mensagempor Senfft » 10 Ago 2010, 14:59

Opa Walther, como sempre o material é excelente !! É isso aí !! Em breve poderemos lançar essas infos no PIB. :wink:

Abração !!
Rafael Senfft


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