Muitas pessoas dizem que o aquário dulcícola, perde para os marinhos pela falta de invertebrados, mas quem disse que não podemos ter um aquário de água doce com belos invertebrados? As Ampulárias são um exemplo disso.

As Ampulárias são conhecidas por vários nomes, Corbículas, Caracol da maçã, na verdade Ampullariidae é uma família de caracol, essa família se divide em gêneros no qual o mais conhecido por nós são os do gênero Pomacea, por isso nesse texto falarei das espécies mais facilmente encontradas nas lojas, são eles o Pomacea diffusa (antiga bridgesi), Pomacea canaliculata e Pomacea paludosa.

Mas primeiro vamos falar um pouco do gênero Pomacea em geral. Os Pomacea são cada vez mais populares em aquários do mundo todo, algumas das razões são, seu colorido que pode variar entre o amarelo, brancos, marrons e pretos, ou pela sua utilidade no controle de algas em aquários, entre muitos outros motivos, existem espécies que chegam a 15 cm de diâmetro como é o caso do Pomacea maculata, por isso não os recomendo para aquários pois quando morrem acabam poluido muito a água, muitos são verdadeiros devoradores de plantas, sendo que acabariam com um jardim aquático em poucos dias, já outros preferm folhas mortas e algas sendo muito úteis mesmo em aquário plantados. Por isso é muito importante saber distingüir cada espécie, mas isso não é uma tarefa fácil já que são muito parecidos só diferenciando em alguns hábitos e em mínimos detalhes físicos.

As Ampulárias necessitam de uma água rica em cálcio, para que possam manter suas conchas saudáveis, em água com deficiência de cálcio sua concha se torna quebradiça, Quanto a qualidade da água, eles vivem tanto em água limpas, bem oxigenadas quanto em águas mais poluídas com baixo teor de oxigênio, pois possuem respiração branquial retirando oxigênio da água e respiração pulmonar retirando oxigênio da atmosfera. Não necessitam de iluminação artificial mas mesmo habitando lugares mais escuros, como brejos, eles não se incomodam muito com a luz procurando um lugar mais escondido durante o dia e tornando-se mais ativos durante a noite. Tolera temperaturas entre20 e 30ºC, em águas mais frias seu metabolismo fica mais lento e ele meve-se mais devagar, alimenta-se menos, mas vive mais e em águas mais quentes ele tem seu metabolismo acelerado conseqüentemente envelhece mais rápido e vive menos, temperaturas menores que 20ºC podem ser fatal.     Agora vamos falar um pouco das principais espécies encontradas nas lojas.

Pomacea diffusa, é originário do Brasil, Paraguai e Peru , atingem 10cm de diâmetro, esse caracol é o único que pode ser mantido em aquários plantados sem causar grandes danos, seu apetite não é tão voraz como o de seus "primos", na verdade, eu os acho muito úteis em aquários além de serem bonitos, preferem folhas mortas, aquelas folhas amarelas que se desprendem das plantas e ficam decompondo-se no fundo do aquário, algas e ração de peixes, contanto que não falte outro tipo de alimento a eles, não comerão as plantas saudáveis. Sua cor costuma variar do amarelo claro até o marrom, mas é possível achá-lo em outras cores.

Pomacea diffusa

ovos com 3 dias

concha de um P. diffusa

Pomacea canaliculata, é originário do Brasil, Argentina, Bolivia, Paraguai e Uruguai, atinde 10cm de diâmetro, esse sim é um devorador de plantas insaciável, não gosta muito de algas, prefere as folhas verdes das plantas, pode devastar com um aquário plantado em poucos dias, também aceita ração de peixes. Sua cor costuma variar de amarelo claro até quase preto, mas há excessões.

Pomacea canaliculata

ovos com 7 dias

concha de um P. canaliculata

Pomacea paludosa, é um pouco mais difícil de achar nas lojas que os dois citados acima, mas as vezes é encontrado e vendido simplesmente com o nome de Ampulária como os outros, é originário da Flórida (EUA) e Cuba, atinge 10cm de diâmetro e também é um grande devorador de plantas aceitando também ração de peixes.

Para diferenciá-los você não deve se basear na cor da concha, ovos, etc. O modo mais seguro é pelo formato da concha:

brigesi

canaliculata

paludosa

P. diffusa P. canaliculata P. paludosa

Carne não será rejeitada por eles, quando um peixes sumir do aquário, pode ter certeza que ele morreu e sua Ampulária se encarregou do corpo, mas não fique preocupado pois Ampulárias só comem a carne em decomposição, não conseguem pegar um peixes vivo, mesmo a noite quando os peixes estão dormindo, já as vi esbarrando num peixe parado que nem se mexeu e ela imediatamente se encolheu para dentro de sua concha e se afastou, você também pode oferecer a suas Ampulárias folhas de alface bem lavada, fatias de batata, pepino e abobrinha, mas só se não houver algas suficientes para elas, pois se não abandonam as algas e só querem comer essas coisas. Já ouvi dizer que as fezes das Ampulária servem de alimento para filhotes de peixes mas ainda não comprovei nada.

A reprodução é não é muito difícil de ser conseguida, as Ampulárias não são hermafroditas, ou seja é necessário um macho e uma fêmea, a fecundação é interna, o macho possui uma espécie de "pênis" por onde introduz o esperma na fêmea, os ovos são depositado fora d'agua, sua cor pode variar desde branco até vermelho dependendo da espécie. A fêmea tem a capacidade de guardar espermas para várias posturas. Para distingüir o macho da fêmea é fácil, é só retirar o caracol da água e esperar ele se esticar pra fora da concha, o pênis fica bem visível no corpo do macho a fêmea lógicamente não possui nada.

Sobre o autor:
Marne Campos
Autor: Marne Campos
Marne Campos, natural de Campinas-SP, é aquarista desde 1990 quando, aos 7 anos de idade, ganhou o seu primeiro aquário e se apaixonou completamente pelo aquarismo. Bacharel em Análise de Sistemas pela PUC-CAMPINAS e técnico em Eletro-Eletrônica pela UNICAMP, criou o projeto Aquarismo Online em 1999, além outras iniciativas ligadas ao aquarismo que vieram logo em seguida, entre elas a idealização do CBAP (Concurso Brasileiro de Aquapaisagismo) onde ocupou o cargo máximo por 12 anos. Dedica-se à aquários plantados desde 1998, tendo como principal área de interesse atualmente, a manutenção de ambientes aquáticos por longos períodos.