Quando comecei a vasculhar fóruns atrás de informação (isto depois de ler muitos artigos) fiquei com duas impressões muito fortes. A primeira é que a maioria dos aquaristas já passou pelos kinguios. A segunda é que 90% deles passaram os kinguios adiante.
Faço parte dos 10% que resolveu mantê-los. Cometi todos os erros que um recém-chegado a este mundo de vidro e água pode cometer e garanto que meu primeiro kinguio (uma fêmea) só não morreu sob meus “cuidados” por ser um peixe muito resistente.
Sendo assim, gostaria de compartilhar algumas coisas simples e básicas sobre estes peixes, aprendidas depois de muita pesquisa, um tanto de observação e uma dose de bom-senso.
Kinguios (Carassius auratus)Para começar, digo o óbvio: kinguios crescem muito e vão precisar de espaço para nadar. Como qualquer peixe. Procurando um referencial, encontramos desde 30 litros para cada peixe adulto, 40 litros, 50 litros, até combinações de litragem conforme o número de peixes.
A referência mais indicada é a que adoto e considero a mais confortável: 100 litros para o primeiro kinguio e 40 litros a mais para cada novo kinguio colocado no aquário. Parece muito, mas imagine que estes peixes quando adultos vão atingir um tamanho médio de 20cm (kinguios com corpo ovóide) a 30cm (kinguios com corpo alongado). É um cálculo com razoável margem de segurança, principalmente se surgir um peixe de última hora. Ah, sim: se estiverem em lago, a tendência é que cresçam mais ainda.

Item dois: é habitual dizer (tanto em artigos como em fóruns) que “kinguios são sujões”, “kinguios são porquinhos”, os “porquinhos do aquário”. Verdade. Só complementando: são sujões porque não possuem estômago, o que faz com que a taxa de absorção dos alimentos seja baixa. E porque as coisas são assim, devemos atentar para dois itens em especial. Um é o uso de rações específicas, uma vez que a taxa de absorção aumenta e a quantidade de excrementos diminui. Ameniza muito a situação. O outro é um excelente sistema de filtragem (mecânica, química e biológica) e sua adequada manutenção.

Três: “kinguios e plantas não combinam”, “em aquário de kinguios, só plantas artificiais”. Sou partidária de que todo aquário deve possuir plantas, já que consomem nitratos e oferecem refúgio aos peixes.
Neste caso, vale a orientação geral: plantas de folhas largas e duras, como as campeãs de indicação, anúbia e samambaia-de-java (Microssorium pteropus). Em meu aquário tenho higrófilas rio e sinemá. O gosto deve ser muito ruim, visto que estão inteiras até agora. Há também as rabo-de-raposa, mas estas os kinguios comem. A grande vantagem é a de ser uma planta barata e de crescimento rápido, além do aquário não ficar um nojo amplo, completo e irrestrito após as refeições.
Kinguios são onívoros, alimentam-se de proteínas vegetais e animais. Mas é bom lembrar que são basicamente vegetarianos, o que significa planta=comida. Uma forma de diminuir os ataques à flora (além de escolher plantas resistentes) é oferecer vegetais como alface, brócolis, espinafre, alga nori, etc. Se tudo falhar, vá de spirulina mesmo. Ervilha (não as enlatadas) é ótima opção.

Quatro: kinguios são peixes de água fria. Mas por favor, não deixe seu aquário sem um aquecedor com termostato. Variações bruscas de temperatura são danosas a quaisquer peixes.

Cinco: com relação a companheiros de aquário, deixo aqui não referências, apenas minha opção. Como não queria apenas kinguios, fui pesquisar peixes compatíveis. Cheguei às seguintes indicações: ottos, corydoras, colisas, tanictis, molinésias e tricoglaster leeri. Parti para as fichas técnicas destes peixes, mas não me informaram o suficiente. O próximo passo foi a leitura nos fóruns, para saber quem tinha estes peixes com kinguios e como era a convivência. Resumo da ópera: fui eliminando um a um, até restar apenas os corydoras. Foi uma excelente escolha.Kinguio (Carassius auratus)

Seis: enfim, quero comentar um comportamento que gosto muito de observar nos kinguios, como eles se “divertem” contornando obstáculos. Qualquer coisa serve: pedras, plantas, galhos, objetos decorativos, até cortina de bolhas. Fazem umas manobras absolutamente desnecessárias que é bonito de olhar. Observo vários aquários sem plantas ou ornamentos, apenas substrato e peixes. Então imagino que colocando ali dois pedaços de cabo de vassoura cruzados em X no meio do aquário, os kinguios já teriam uma diversão. Um obstáculo para contornar. Prático e barato, pena que pavorosamente feio.

Uma última coisa: se a um ano atrás alguém perguntasse se meu kinguio vivia bem, eu diria que sim. Nada no espaço que tem para nadar, come bem a ração que dou para comer, revira o substrato, toma um arzinho na superfície, tem um comportamento normal... Sim, vive bem.
Agora imaginem um kinguio de 8cm vivendo em uma beteira de 5 litros, com uma plantinha artificial, substrato de pedrinhas azuis, comendo uma ração de bolinhas feita só Deus sabe do quê, sem filtro, sem aeração, sem temperatura estável. Esta é a kinguio fêmea que sobreviveu à minha ignorância.

Busquem sempre conhecimento. Pesquisem, questionem, ponderem.
Peixes não conseguem pedir socorro.

Agradecimentos a Senfft e Toninhoc.


Artigos de referência.
Kinguios – Moacir Costa.
http://www.aquaflux.com.br/ler_artigos. ... F453FBFE23
Goldfish y su cuidado – Jennifer Wilkinson
http://elgoldfish.com/articulos/wilkinson2.html
Así que quieres tener plantas acuáticas – Olga Betts
http://elgoldfish.com/articulos/betts1.html

Sobre o autor:
Solange Nalenvajko
Autor: Solange Nalenvajko
Solange Nalenvajko, mais conhecida como Xica, é natural de Curitiba-PR e aquarista desde 2010, época em que começou a estudar e planejar o que chamou de "seu primeiro aquário de verdade", daí para diante foi puro amor pelo hobby. Sua paixão e alvo de maior dedicação sempre foram os Kinguios ou "Gordos" como gosta de chamar, em geral mantidos em aquários com plantas naturais e de baixa manutenção. Uma das pessoas mais carismáticas do AqOL, é formada em Administração de Empresas pela FAE, atualmente ocupa a posição de Rainha do Lar convivendo com a nobreza.