Este texto tem por objetivo oferecer algum tipo de conhecimento sobre o habitat natural dos ciclídeos africanos. 

Lago Malawi

 

 Lago Malawi

 

O Lago Malawi localiza-se na parte meridional da África, compondo o chamado Complexo ou Sistema Great Rift Valley.    

É circundado por 3 países: Malawi (a oeste e ao sul), Tanzânia (ao norte e leste) e Moçambique (a leste). Nestes dois últimos países, o Lago Malawi também é conhecido como Nyasa e Niassa, respectivamente.    

É o 9° lago em extensão no mundo, com cerca de 600 Km de comprimento.

Possui uma largura não homogênea, ou seja, que varia em alguns pontos do Lago. Portanto, podemos dizer que a máxima largura encontrada no relevo do Lago Malawi corresponde a cerca de 87 Km e a mínima corresponde a cerca de 16 km.    

Sua superfície estende-se por volta de uma área correspondente a 30.000 km².    

E sua linha costeira mede por volta de 245 Km.    

É o terceiro maior lago da África.

Possui uma profundidade máxima por volta de 760 metros e uma profundidade média por volta de 290 metros.    

Tem um volume correspondente a 8400 Km³.    

O Lago Malawi é o lago situado mais ao sul, em comparação com os outros Lagos que compõem o Complexo denominado de Great Rift Valley da África.

Sua formação deu-se por meio de fenômenos sísmicos e vulcânicos entre 1 ou 2 milhões de anos atrás. Fenômenos estes que proporcionaram a movimentação do solo e por conseqüência, rachaduras no mesmo, originando a formação do Lago, que primeiramente era menor, posteriormente obteve um aumento em sua largura, para, por final, ocorrer um aumento de sua extensão.    

Quanto à biologia do Lago:    

O Lago Malawi é bastante conhecido por sua fauna diversificada, tanto que organismos internacionais são responsáveis por sua conservação e gerência.

Sabe-se que, em média, de 500 a 1000 ou mais espécies e 49 gêneros da família dos Ciclídeos vivem no Lago Malawi. A maioria, contudo, ainda não foi descrita.    

A quantidade de espécies de Ciclídeos encontrada no Lago Malawi é a maior com relação a qualquer outro lago do mundo. Para ter-se uma idéia, a diversidade de espécies encontrada no Lago Malawi consegue ser maior do que todas as espécies de água doce encontradas nas águas da Europa e América do Norte juntas.    

Quanto aos Ciclídeos do Lago Malawi, os estudiosos dividem-nos em duas espécies: M-bunas e Não-Mbunas (incluindo-se nesta categoria os Haps e Peacoks).    

Os Mbunas encontram-se prevalentemente nas zonas litorâneas do Lago. 1/3 da costa do Lago Malawi é composta por rochas. A maior difusão de Mbunas encontra-se nas zonas do Lago onde haja formações rochosas.

As algas e outros microorganismos que cobrem as rochas e pedras adentradas no Lago, constituem a principal fonte de alimentação para os Mbunas.    

Além da característica de rochosidade da linha litorânea do Lago Malawi, podemos encontrar partes desta linha, em minoria, compostas por areia. É aí onde a maioria dos Haps e Peacocks vivem.    

Apenas umas poucas espécies de Ciclídeos habitam outras áreas do Lago, principalmente as que são próximas aos locais de desembocamento de outros rios no Lago Malawi.    

Enfim, o litoral do Lago Malawi tem como característica a rochosidade e a arenosidade.

Além das inúmeras espécies de peixes, podemos citar outros tipos de fauna existentes no Malawi, são elas:     Zooplankton: Mesocyclops Leuckarti, Diaphanosoma Excisum, Bosmina Longirostris, Diaptomus sp.    

Podemos também citar a flora do Lago:     Macrophytes emersas: Phragmites Mauritianus.

O índice de concentração de clorofila encontrada no Lago, varia conforme a profundidade em questão. A uma profundidade de mais ou menos 10 metros, a média anual encontra-se por volta de 0.70 micro g. A uma profundidade de 50 metros, a média anual encontra-se por volta de 0.55 micro g.    

O Lago Malawi é caracterizado, também, por suas marés ou correntezas. Incomum é não tê-las. Por isto os habitantes de tal Lago estão acostumados a águas movimentadas.    

Quanto à composição química do Lago, o pH deste tem uma variação entre 7,5 a 8,5. Essa diferença de valores dá-se, principalmente, em razão do nível de dióxido de carbono disssolvido na água. Em áreas de águas mais turbulentas, onde a aeração é maior e o dióxido de carbono dissolvido é menor, o pH é mais alto. Podemos citar como exemplo a superfície do Lago. Enquanto que em zonas mais profundas do Lago, onde as águas são mais calmas, o nível de dióxido de carbono dissolvido é maior, por consequência o pH é mais baixo.    

A dureza total da água deste Lago encontra-se entre 4 a 6 dH. Enquanto que dureza em carbonatos encontra-se por volta de 6 a 8 dH.

O Lago Malawi encontra-se a uma altitude de 500m em relação ao nível do mar.    

No Lago predomina o clima tropical. Quanto à temperatura na superfície do Lago, ela varia entre 23 a 28° C. Contudo, de novembro a abril, ela poderá chegar a 30° C. Quanto às demais partes do Lago, geralmente podemos encontar uma temperatura homogênea de uns 21° C. Ventos provenientes do sudeste, principalmente entre junho a agosto, causam variações de temperatura na superfície do Lago Malawi, principalmente na parte ao sul. A temperatura nesta área poderá chegar a 20° C.    

Precipitações também provocam alterações de temperatura na superfície do Lago.   

Apesar de haver variações de temperaturas, estas não caem muito e, portanto, não há períodos de congelamento no Lago Malawi.


O Lago Malawi possui um índice pluviométrico correspondente, em média, entre 1000 a 1300 mm anuais.    

Ao final da estação de chuvas, mais ou menos em maio, o nível do Lago pode estar mais alto, por volta de 1 a 2 metros a mais do que em relação ao nível que fica no fim da estação seca e ventosa. Podemos observar assim, que o Lago Malawi apresenta um volume relativamente regular de suas águas.    

O Lago Malawi possui uma única bacia fluvial, com cerca de 706 metros de profundidade, próxima a costa oeste e por volta de 45 km, ao norte, da Baía Nkhata.    

O Lago possui em média 2,5 a 3 horas de incidência de luz solar.    

A variação de temperatura estacional e as chuvas também podem fazer variar notavelmente a visibilidade da água. A transparência da água, dependendo do mês do ano, pode ser pouca ou alcançar uma variação em torno de 13 a 23 metros.

Outra informação: pela disposição que o Lago Malawi tem, impedida é a grande circulação vertical da água. Desta forma, somente nos primeiros 200 metros de profundidade há oxigênio suficiente para permitir vida evoluída. Abaixo disto, somente microorganismos anaeróbicos conseguem viver. Algumas outras curiosidades gerais:


O Lago Malawi é muito utilizado para a navegação, mergulho observatório, turismo pesqueiro ou pesca profissional. Várias localizações do Lago atraem o interesse de viajantes, especialmente durante a estação das secas onde a transparência das águas é maior.    

Aproximadamente, 21000 toneladas de peixes são apanhados por ano, alguns dos quais são exportados para todo o comércio de aquarismo no mundo. O Cabo Maclear e a Baía Nkhata são os lugares do Lago que, geralmente, abastecem tais atividades.

Na zona meridional do Lago, próximo a Monkey Bay, encontra-se o primeiro parque natural de água doce do mundo: “Lake Malawi National Park”. Fundado em 1980 para proteger e estudar as centenas de espécies de Ciclídeos no Lago e outras particularidades do parque. Desde 1984 é patrimônio da Unesco.    

O crescimento agrícola, populacional e industrial pesqueiro, principalmente na parte meridional da captação do Lago Malawi, está causando preocupação entre os ecologistas em razão do desmatamento e das mundanças possíveis que poderão existir com relação à química da água e à biodiversidade existente no Lago. Estes danos, inclusive poderão repercutir na própria saúde dos habitantes nativos de tais áreas.

Não existe, no entanto até agora no Lago Malawi, contaminação tóxica. As áreas de pesca e de estabelecimento de colônias, até o presente momento, não produziram poluição significativa que alterasse o ecossistema do Lago.

Bibliografia:
Eccles, D. H. (1974) An outline of the physical limnology of Lake Malawi (Lake Nyasa), Limnol. Oceanogr., 19: 730-743.
Herdendorf, C. E. (1982) Feature Article, Large lakes of the world. J. Great Lakes Res., 8 (3): 379-412.
Griffiths, J. F. (1972) Mozambique. "World Surveys of Climatology, Volume 10, Climate of Africa" (ed. Griffiths, J. F.), p. 404. Elsevier Scientific Publishing Company, Amsterdam, London, New York.
 


Lago Tanganyika 

 

Lago Tanganyika

 

O Lago Tanganyika, localizado na parte meridional da África, também compõe o chamado Complexo ou Sistema Great Rift Valley.    

Em comparação com o Lago Malawi e o Victoria, o Lago Tanganyika encontra-se mais à oeste.

O Lago atinge os países da Tanzânia (à leste), Zaire (à oeste), Zambia (ao sul) e Burundi (à nordeste).    

Está a uma altitude aproximada de 700 metros acima do nível do mar.

O Lago Tanganyika é destacado por sua extraordinária extensão, de norte a sul, correspondente a mais ou menos 680 Km. Sendo o mais comprido do mundo.    

O tamanho de sua linha costeira é de 1900 Km.

É o 7° Lago mais largo no mundo, tendo em média 72 km de largura.    

É o 2° maior Lago da África, sendo o Lago Victoria o primeiro.    

Possui uma área de superfície aproximada de 33000 Km².

É o segundo Lago mais profundo do mundo, depois do Lago Baikal na Rússia, e o primeiro mais profundo da África, alcançando uma profundidade máxima correspondente a 1470 metros e uma média correspondente a 572 metros.

Tem 17800 Km³ de volume. 1/6 da água doce da Terra encontra-se somente nesse Lago.    

O Lago Tanganyika contém três bacias principais. Estas, formaram-se separadamente e posteriormente juntaram-se, quando os níveis de suas águas aumentaram, e assim permanecendo até o presente.

Todos os rios, exceto um, o Lukuga, correm para dentro do Lago Tanganyika. Esse Rio Lukuga, desta forma, é o único local de vazão do Lago. O Rio Lukuga inicia-se na metade da costa oeste, fluí a partir daí para oeste, para juntar-se ao Rio Zaire e escoar no Atlântico.    

Por este motivo, ou seja, pelo fato de que o Lago Tanganyika tem, ao mesmo tempo, inúmeros rios escoando em suas águas e apenas um único lugar para o seu escoamento, elevados níveis minerais permanecem nele.

Podemos concluir, à princípio, que há mais água entrando no Lago Tanganyika do que saindo... Contudo, existe a evaporação: 95% da água que sai do Lago Tanganyika dá-se através da evaporação. Porém, pela evaporação, não é possível ser “liberar” minerais. Desta forma, eles acumulam-se no Lago Tanganyika, somente conseguindo ser liberados através do Lago Lukuga. Conclusão: existem mais minerais entrando do que saindo, por isto a afirmação com relação a encontrarmos altos níveis minerais no Lago.

Em torno do Lago Tanganyika encontramos um relevo, que em geral, é composto por montanhas e rochas. Estas, facilmente alcançam alturas de 2000m. Pobre é o desenvolvimento da planície costeira deste Lago, com exceção do lado leste.    

O Lago Tanganyika é o menos acessível dos 3 grandes Lagos que compõem o chamado Complexo Great Rift Valley, pois o caminho que leva a ele é mínimo.    

Sua origem é muito antiga entre 7 a 12 milhões de anos, competindo apenas com o Lago Baikal na Rússia.    

Como já foi dito, o Lago Tanganyika formou-se a milhões de anos atrás, muito antes do Lago Malawi ou Victoria (que também são milenares), quando um poderoso vulcão ativo na região causou bruscas deslocações na crosta da terra. Por consequência, promovidas foram inúmeras fendas neste solo. Tais fendas, hoje, são conhecidas como Rifts.


Através dos milênios, essas fendas foram preenchidas com água proveniente de inúmeras correntes e rios, formando assim, o Tanganyika.    

Devido a sua antigüidade, o Lago Tanganyika passou por um longo periodo de isolamento, antes mesmo da existência da raça humana, resultando no fato de que um grande número de organismos nativos evoluíram nele. Como por exemplo: mais de 200 espécies de peixes, crustáceos (tais como o Platytelphusa Armata, e mais umas 8 espécies de caranguejos e umas 15 espécies de camarões), umas 60 espécies de moluscos (tais como o Grandideria Burtoni, Brazzaea Anceyi, Tiphobia Horei, Bythoceras Iridescens, Paramelania Domoni), esponjas, pelo menos uma espécie de cobra d’água, alguns gastrópodes, zooplankton (Cyclops, Diaptomus Simplex, Limnochida Tanganika), etc.

A fauna, devido a idade do Lago, é absolutamente diversa, em relação à escala da história da evolução atual, da dos Lagos Victoria e Malawi.    

Os representantes maiores e menores da família dos Ciclídeos são endêmicos do Lago Tanganyika.

Das mais de 200 espécies de peixes nativos no Lago, por volta de 176 são endêmicos. E dentro deste número de endêmicos, por volta de 30 gêneros são formados por Ciclídeos e 8 por não Ciclídeos. Os Ciclídeos, contudo, foram os que mais densa e extensamente colonizaram o Lago.

Observação interessante: Qualquer forma de vida que viva no Lago Tanganyika, mesmo que não seja endêmica a ele, por fim terminará, vamos dizer assim, por receber esta denominação. E o que quer dizer isto? Quer dizer que espécies que até agora agregaram-se ao Lago Tanganyika, acabaram tornando-se parte integrante de seu ecossistema, ao invés de simplesmente tornarem-se agentes causadores de desestabilização, como geralmente ocorre em outros lagos. Tal característica do Lago Tanganyika não será encontrada em nenhum outro lugar do mundo.    

Sobre a flora presente no Lago, podemos citar:

  • Macrophytes emersas: Cyperus papyrus, Thpha, Carex.
  • Macrophytes flutuantes: Nymphaea, Trapa, Azolla, Pistia.
  • Macrophytes submersas: Potamogeton, Ceratophyllum, Utricularia.
  • Phytoplankton: Kirchneriella, Treubaria, Chroococcus limneticus, Chrysochromulina parva, Chromulina sp., Nitzschia, Anabaena, Stephanodiscus sp., Strombidium.    

Quanto a outras características do Lago Tanganyika:    

O Lago Tanganyika tem por característica possuir bastante movimentação em suas águas. Contudo, a maior parte do Lago possui pouca oxigenação, abaixo de uns 100 ou 200 metros de profundidade ela não existe mais. A vida aquática, geralmente, encontra-se bem acima disto, utilizando como limite em relação à profundidade por volta de uns 40 a 50 metros. O motivo reside no fato de que, até esta profundidade, a oxigenação é maior.    

O pH da água do Lago Tanganyika varia entre 8,5 a 9,2.    

Sua dureza total varia entre 11 a 17 dH e sua dureza em carbonatos, entre 16 a 19 dH.    

Quanto à transparência da água, o Lago Tanganyika é um dos mais claros do mundo, possui uma transparência possível de ser alcançada até por volta de uns 20 metros. Mas ela dependerá muito da época do ano em questão, pois muitas vezes poderá ser menor do que este valor, alcançando profundidades de 14 metros ou mesmo menos.

Nos meses de fevereiro a abril, por exemplo, época de chuvas na região do Lago, a visibilidade da água é provavelmente a pior do ano. Já de junho a agosto, época em que a temperatura do ar é mais fresca, o Lago ficará mais claro, embora, às vezes, seja possível ocorrer algum florescimento de algas. De setembro a novembro, onde a temperatura do ar é bastante quente, a visibilidade do Lago é muito boa.    

Durante todo o ano a temperatura da água variará em média entre 23 a 27° C.    

Quanto ao equilíbrio da temperatura em relação ao movimento vertical das águas do Lago Tanganyika, esta estabelece-se homogeneamente por volta de até uns 50m de profundidade.    

Quanto às variações sazonais, a temperatura mantém-se homogênea com a superfície até uns 80 metros de profundidade. Nas demais profundidades do Lago, a temperatura mantém-se em média a uns 23 ou 24° C, independente da estação.    

As horas diárias de incidência de luz do solar no Lago são por volta de 2 a 3.    

Não existe período de congelamento no Lago Tanganyika.    

O Tanganyika possui uma precipitação anual por volta de 750 a 1000 mm.    

E uma variação entre 5 a 110 mm por ano. É possível informar, desta forma, que o nível anual de flutuação da água do Lago não é regular.   

Quanto à concentração de clorofila no Lago: a concentração de clorofila na parte sul do Lago Tanganyika alcança uma média de 0.7 micro g; na parte central, uma média de 4.5 micro g; e na parte norte do Lago alcança em média 1.5 micro g.

Quanto à concentração de nitrogênio encontrada na água do Lago, esta corresponde em média a 85 micro g na parte sul, 72 micro g na parte central e 50 micro g na parte norte.    

A concentração de fósforo fica em média em 10 micro g na parte sul do Lago; 4 micro g na parte central ; e 7 micro g na parte norte.

Outras curiosidades:    

O Lago, além se ser utilizado para a pesca, também o é para a navegação.    

Anualmente são pescados 518400 toneladas de peixe.


Quanto à deterioração do Lago Tanganyika: Não existe informação sobre sua contaminação tóxica. Nas áreas pesqueiras e habitacionais, não existe poluição considerável que alterasse o equilíbrio biológico do Lago.

Bibliografia:

Serruya, C. & Pollinger, U. (1983) Lakes of the Warm Belt. 569 pp. Cambridge University Press, Cambridge. Hutchinson, G. E. (1975) A Treatise on Limnology, Vol.1. Part 1, Geography and Physics of Lakes. 540 PP, Wiley-Interscience. New York. Muller M. J. (1982) Selected Climatic Data for a Global Set of Standard Stations for Vegetation Science. 306 pp. Dr. W. Junk Publishers, The Hague. Hecky, R. E., Fee, E. J., Kling. H. & Rudd J. W. M. (1978) Studies on the Planktonic Ecology of Lake Tanganyika. 51 pp. Western Region Fisheries and Marine Service, Department of Fisheries and the Environment, Winnipeg. Readle, L. C. (1981) The Inland Waters of Tropical Africa (2nd ed.). 468 pp. Longman Inc., New York.
Ssentongo. G. W., Durand, J. R. & Harbott, B. (1981) The rational exploitation of African aquatic ecosystems. The Ecology and Utilization of African Inland Waters (ed. Symoens, J. J., Burgis, M. & Gaudet, J. J.), pp. 167-175. United Nations Environment Programme, Nairobi.
Herdendorf, C. E. (1982) Large lakes of the world. J. Great Lakes Res., 8(3): 379-412.
 

Lago Victoria

 

Lago Victoria

 

Localiza-se na parte meridional da África, compondo também o chamado Complexo ou Sistema Great Rift Valley.    

Em relação aos Lagos Malawi e Tanganyika, o Lago Victoria é o que localiza-se mais ao norte do Complexo Great Rift Valley.

O Lago ocupa uma larga depressão próxima ao equador, entre o leste e o oeste do Great Rift Valley.    

Entre os Lago Tanganyika, Malawi e Victoria, o Victoria é o mais novo.

O Lago Victoria é o maior dentre todos os lagos africanos. É o segundo Lago mais comprido do mundo. É o lago tropical maior do mundo.    

Sua extensão atinge 3 países: parte setentrional com a Uganda, parte meridional com a Tanzânia e o setor nordeste com o Quênia.    

Existem inúmeras cidades costeiras que circundam o Lago Victoria, tais como: Kisumu (Kenya), Entebe e Jinja (Uganda), Bukoba, Muwanza e Musoma (Tanzania).    

O Lago Victoria recebe água do Rio Nilo. Este, despeja suas águas dentro do Lago Victoria pelo Owen Falls (que corresponde a uma barragem artificial).    

Quanto às dimensões:    

A área de superfície do Lago Victoria corresponde a 69481 Km².

O Lago tem aproximadamente 400 km de comprimento e 240 km de largura.    

Sua profundidade máxima atinge 84 metros e a média, 40 metros, aproximadamente.    

Seu volume corresponde a 2750 Km³.    

Possui uma linha costeira medindo 3440 Km.

A altitude do Lago, em relação ao nível do mar, é de aproximadamente 1134 metros.    

O Lago Victoria possui um litoral irregular, com reentrâncias, possuindo muitas ilhas, tais como Ukerewe, Sesse, Ukara, Kome, Lolui and Mfanganu.

Tais como os Lagos Malawi e Tanganyika, o Lago Victoria formou-se por meio de abalos símicos e vulcânicos que provocaram bruscas deslocações e decorrentes fendas na crosta da terra e que, através do tempo, foram preenchidas por meio de águas provenientes de correntes e de rios.    

Portanto, o relevo que cerca e atinge o Lago Victoria corresponde a uma zona montanhosa, com inúmeras pedras e rochas.    

A temperatura correspondente às águas do Lago Victoria é a de um clima moderado, com uma média anual por volta de 23° C. Sendo que, em épocas mais frias, como julho por exemplo, a temperatura poderá diminuir para 21 ou 22° C, e em época mais quentes, como janeiro por exemplo, a temperatura poderá alcançar 24 a 26° C.    

Não há períodos de congelamento do Lago.

No Lago Victoria, a temperatura da água mantém-se homogêna até por volta de uns 30 a 40 metros, em geral, de profundiade.    

Contudo, por um período breve e uma vez por ano, mais propriamente ao final de julho, uma completa e profunda mistura vertical ocorre em todo o corpo de suas águas. Nesta época o Lago torna-se isotermal.    

Misturas parciais que proporcionem homogenizações mais profundas do que a regra geral, em relação à temperatura das águas, poderão ocorrer em inúmeros outros momentos do ano, mas para que isto ocorra será preciso:    

  • Ventos intensos: Quanto mais intensos forem os ventos, mais profunda será a mistura vertical.
  • Ventos freqüentes: Quanto maior for a frenqüência dos ventos, mais vezes esta mistura ocorrerá.    

Podemos citar como exemplo da questão acima mencionada, o período de junho a julho, que corresponde à chegada da estação dos ventos alísios.     Portanto, períodos de calmaria são inversamente proporcionais à promoção de misturas verticais.     Quanto ao nível de água do Lago Victoria, ele é regular.

A média anual de precipitação no Lago fica entre 1000 e 1300 mm. Sendo que nos meses mais secos, como janeiro, a incidência de chuva ocorre por volta de 55 mm, e nos meses mais chuvosos, como em abril, ela poderá alcançar o valor de 180 mm.    

Quanto à transparência da água, ela dependerá da época do ano. Poderá ser muito pouca ou alcançar uns 2,5 a 3 metros de profundidade. A água do Lago Victoria é menos transparente do que a dos Lagos Malawi e Tanganyika.

O pH da água do Lago Victoria encontra-se, em média, entre 7,5 a 8,6. E sua dureza em carbonatos varia entre 2 a 8 dH.    

Dependendo da época do ano e ponto do Lago, o oxigênio poderá ser encontrado entre 1,5 a 40 metros de profundidade.    

A concentração de clorofila encontrada no Lago tem um índice variável, dependendo da parte do Lago e da profundidade da água. Em toda a superfície, por volta 18 micro g é a média de concentração encontrada. A meio metro de profundidade, 14 micro g. A 1 metro de profundidade, 15 micro g. A 2 metros de profundidade, 15.5 micro g. A 3 metros de profundidade, 16.5 micro g. A 4 metros de profundidade, 15.5 micro g. A 10 metros de profundidade, 7.5 micro g. A 15 metros de profundidade, 17.8 micro g. A 20 metros de profundidade, 5.1 micro g. A 25 metros de profundidade, 6.1 micro g. A 30 metros de profundidade, 1.8 micro g...    

Quanto à concentração de nitrogênio do Lago, os índices encontrados variam também conforme o ponto do Lago.

NH4:    

  • Na superfície, 0.4 mg é a média de concentração encontrada.
  • A meio metro de profundidade, 0.15 mg.
  • A 1 metro de profundidade, 0.27 mg.
  • A 15 metros de profundidade, 0.37 mg.
  • A 20 metros de profundidade, 0.30 mg.
  • A 30 metros de profundidade, 0.35 mg.

NO3:    

Na superfície, a meio metro de profundidade, a 1 metro, 3 metros, 15 metros e 20 metros o índice de concentração é de 0.1 mg.

A 30 metros de profundidade, 0.2 mg.    

Concentração de fósforo na superfície do Lago: 0.002 mg.

  • Igual índice a meio metro de profundidade.
  • A 1 metro de profundidade, 0.004 mg. A 2, 3 e a
  • 15 metros de profundidade, 0.002 mg.
  • A 20 metros de profundidade, 0.003 mg.
  • A 30 metros de profundidade, 0.01 mg.


Concentração de cloro:

21 mg em dezembro e 9.5 mg em fevereiro.    

No lago Victoria é possível encontarmos a seguinte biologia:

Flora:

  • Macrophytes emersas: Typha spp., Phragmites spp., Cyperus papyrus, Potamogeton spp.
  • Macrophytes flutuantes: Vossia.
  • Macrophytes submersas: Ceratophyllum demersum, Hydrilla verticillata, Polygonum spp.
  • Phytoplankton: Melosira nyassensis, Lyngbya contorta, Spirulina spp., Anabaena spp., scillatoria spp., Pediastrum clathratum, Fragillaria spp., Cyclotella spp., cenedesmus spp., Glenodinium spp.


Fauna:

  • Zooplankton: Daphnia spp., Chydorus sp., Leptodora sp., Cyclops sp., Diaptomus, Caridina nilotica, Philodina spp., Keratella sp., Asplanchna brightwelli, Limnocnida victoriae.
  • Bentos: Melania tuberculata, Bellamysa sp., Corbicula sp., Caelatura sp., Chaoborus sp., Chironomus sp.
  • Espécies de peixes: Niloticus, Tilapia spp., Haplochromis spp., Labeo victorianus, Alestes baremose, Clarias spp., Bagrus docmac, Protopterus aethiopicus, Barbus, Scibe....


Observação:

É dito que 95% de Ciclídeos endêmicos do Lago Victoria pertencem ao gênero Haplochromis.    

E que existem mais do que 500 espécies de Ciclídeos no Lago, ou seja, tal Lago hospeda mais biodiversidade do que toda a Europa ocidental, que mantém apenas cerca de 60 espécies de peixes de água doce.

Outra: Estas inúmeras espécies de Ciclídeos evoluíram a partir de um único progenitor: Astoatilapia Nubile. Portanto, quaisquer espécies de ciclídeos do Lago Victoria possuem, em algum grau mesmo que distante, parentesco. Informações gerais :

Além da pesca esportiva e profissional, que hoje atinge uma média anual de 120000 toneladas, o Lago Victoria também é utilizado como meio de transporte e fornecedor de eletrecidade e água para locais como Uganda e Quênia. Problemas ambientais referentes ao Lago Victoria:

Embora a contaminação do Lago Victoria não esteja num ponto crítico, o desenvolvimento crescente da região, o uso maior de pesticidas e de fertilizantes na agricultura e a pesca predatória, estão proporcionando cada vez mais a degradação do solo e do relevo pré-histórico, a erosão, a contaminação das águas, a perda de muitas espécies de peixes, a afloração e a mudança na composição das algas, o desequilíbrio de nutrientes, etc.    

Algumas informações são pertinentes:    

Embora com todas as características acima mencionadas sobre a grandiosidade de sua área geral, o escoamento da bacia fluvial do Lago Victoria é relativamente pequeno, sendo pouco menos do que 3 vezes o valor da superfíce do Lago em área. Melhor dizendo: as águas do Lago Victoria são escoadas por volta de 600m³/segundo, em Jinja na costa setentrional, em Victoria Nilo, ao qual flui em direção ao norte via Lago Nilo Alberto, e em Nilo Branco. Formando a mais importante área extensa do Rio Nilo.    

E mais: O Lago Victoria, a pesar de sua área imensa, é um lago relativamente baixo, possuindo um volume muito lento de ventos.

Tais informações, além de conhecimentos geográficos, servem para termos consciência de que as contaminações do Lago Victoria podem alí permanecer por um tempo muito grande, pelo menos de 20 anos.    

Outro agente causador da deterioração do Lago Victória:    

O Lago Victoria era antigamente lar de mais de 500 diferentes espécies de Ciclídeos. Contudo, para aumentar o abastecimento de peixe local, dieta básica da população nativa, e desenvolver o comércio pesqueiro regional, introduzidas foram, no Lago Victoria, inúmeras espécies de peixes pertencentes ao Rio Nilo. Contudo, uma espécie em principal, deve chamar nossa atenção! Pois tem sido responsável, dentre outros fatores acima mecionados, por ser causadora do desequilíbrio biológico nativo. Tal espécie é denominada de Perca, ou também conhecida como Lates Niloticus.    

Tal peixe, além de ser predador, desenvolveu-se tanto no Lago Victoria que chegou a atingir aproximadamente 1,50 a 2 metros de comprimento.

Resutado: aproximadamente 250 dessas mais de 500 espécies de Ciclídeos foram dizimadas.

Bibliografia:
Questionnaire filled by Dr. P. B. 0. Ochumba, Kisumu Laboratory, Kisumu. Questionnaire filled by Dr. M. Nakashima, International Development Centre, Tokyo. Serruya, C. & Pollinger, U. (1983) Lakes of the Warm Belt. p. 569. Cambridge University Press, Cambridge. Talling, J. F. (1957) Comparative problems of phytoplankton production and photosynthetic productivity in a tropical and temperate lake. Mem. Ist. Idrobiol., 18, Suppl.: 339-424. Shimonaka, K. (ed.)(1984) Grand World Atlas (Sekai Dai Chizu-cho). p. 273. Heibon-sha, Tokyo.* Payne, A. I. (1986) The Ecology of Tropical Lakes and Rivers. John Wiley and Sons Ltd., New York.
Ochumba, P. B. O. (1987) Water Quality Bulletin, 12(3): 119-122.
Ssentongo, G. W., Durand, J. R. & Harbott, B. (1981) The rational exploitation of African aquatic ecosystems. The Ecology and Utilization of African Inland Waters (ed. Symoens, J. J., Burgis, M. & Gaudet, J. J.), pp. 167-175. United Nations Environment Programme, Nairobi.
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Fotografias: NASA

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Sobre o autor:
Autor: Alex Ribeiro