O substrato em um aquário plantado é de vital importância para o sucesso destas montagens. É responsável pela fixação e nutrição das plantas. Plantas aquáticas podem absorver nutrientes pelas folhas, mas para muitas a absorção pela raiz é preferêncial, principalmente para aquele grupo de plantas chamadas de anfíbias, aquelas que podem viver tempos completamente submersas como completamente emersas (adaptaram-se aos períodos de seca e cheia na natureza). Esse grupo de plantas é o mais extenso em uso no aquarismo, portanto a ausência de um substrato fértil neste aquário não proporcionará vida plena a estas plantas, o que leva ao insucesso da montagem como um todo.

Vou comentar aqui o uso de materiais mais freqüentemente usados por aquaristas e encontrados no comércio, portanto com alguma referência de uniformidade. Não são contudo, os únicos materiais usados, há diversos outros materiais, uns já testados, outros apenas de enorme potencial, porém não muito testados ainda, mas a forma de montar é a mesma, a disposição das camadas, quaisquer que sejam os materiais, deve ser separada e montada da seguinte forma:

Camada fértil – tudo aquilo que contém material para nutrição das plantas constitui essa camada. Será a camada mais profunda, longe do contato com a coluna livre de água.

Camada inerte – será a camada que recobrirá a camada fértil, isolando-a da coluna livre de água. Também é o primeiro local de fixação das plantas, como na figura abaixo.

 

Materiais mais usados como camada inerte são cascalhos de rio de fina granulação e areias. As areias não podem ser muito finas, como as areias de praia por exemplo, pois compactam demais o substrato, o que não é desejável. A granulação de areias encontradas no comércio é muito variada e nem sempre muito constante, é comum não achar a granulação ideal de tempos em tempos. Para não cair no erro de usar a que tem na hora da procura, que pode ser ou muito grossa ou muito fina, procure sempre as boas lojas do ramo, mais acostumadas com aquários plantados, pois elas mantém um estoque constante. O cascalho de rio fino já é um material que preserva mais uniformidade na apresentação, as granulações são sempre constantes. É mais fácil de ser achado nas lojas do que as areias. Procure sempre por cascalho de rio fino. Ambos os materiais, o cascalho e as areias, devem ser inertes quimicamente, não devem ter poder de alterar propriedades da água, devem ser neutros nesta característica.

Abaixo da camada inerte de cobertura vem a camada fértil. Há diversos materiais para serem usados para a composição dessa camada, porém o intuito desse artigo é mostrar os mais usados, que sejam de resultado eficaz e fáceis de serem encontrados, que são: Laterita e os fertilizantes orgânicos comerciais e caseiros.     

A Laterita pode ser encontrada basicamente em duas versões, a do tipo cascalho ou a do tipo concentrada. A do tipo cascalho vai ocupar mais espaço físico do que a concentrada, pois é apresentada como um cascalho mesmo. Portanto na hora de calcular a quantidade da camada inerte de cobertura, quem está usando a laterita do tipo concentrada terá que possuir maior quantidade da camada de cobertura do que quem está usando a laterita do tipo cascalho, pois a laterita tipo concentrada vem em muito pouca quantidade se comparada a do tipo cascalho, e portanto precisa ser misturada com a outra camada. Veja a figura abaixo:

 

 

 

 

A quantidade a ser usada do tipo concentrada vem descrita na bula que acompanha o produto, já a do tipo cascalho não. Também há variações na forma de usar a laterita do tipo cascalho, interferindo aí mais uma questão de gosto pessoal do que comprovação científica. Geralmente é montada uma camada entre 3 a 5 cm de altura por toda a área do substrato, pouco a mais ou pouco a menos também não interfere em nada. A quantidade a ser usada está intimamente ligada ao tamanho do aquário, portanto cada tamanho é uma quantidade aproximada. Oriente-se pelas lojas, pois já estão mais acostumados com as diversas quantidades para os variados tamanhos de aquários.

Os próximos materiais da camada fértil são os fertilizantes orgânicos comerciais e caseiros. Só mais um lembrete em questão a laterita. A laterita exclusivamente não categoriza um substrato como fértil. Ela contém certas quantidades de minerais necessários para a nutrição vegetal, porém não é completa, daí a necessidade de uso dos fertilizantes orgânicos.     

Existem os fertilizantes orgânicos prontos encontrados em lojas, como por exemplo o Tetra Initial Sticks (TIS), Azoo Condensed Fertilizer entre outros. Pode-se também utilizar Húmus de minhoca de boa procedência, já pronto para uso ou preparar o seu próprio húmus para usar. (no endereço http://www.geocities.com/aquabrasilis/humus.html aprende-se a preparar o húmus).

Estes fertilizantes orgânicos deverão ser acomodados na camada fértil, onde já se encontra a laterita. Segue alguns exemplos de distribuição desses materiais nesta camada.

 

1°- com fertilizante comercial (ex. TIS)

 

 



 

Aqui o fertilizante é espalhado entre a camada de laterita. Pode-se “polvilhar” um pouco de fertilizante, recobrir com laterita, “polvilhar” de novo e assim por diante (seguir a bula do fabricante).

 

2°- com húmus

 

 

 

 

 

Aqui foi feita uma profunda camada uniforme de 0,5 a 1 cm de altura. Outra parcela de húmus foi misturada com a laterita.     

A quantidade de húmus na composição do substrato pode ser calculada em aproximadamente 1,5 kg para cada 50 litros. Pode-se também misturar fertilizantes, comerciais com húmus por exemplo, se obterá uma fertilidade mais completa para esse substrato, porém as quantidades de cada um deve ser reduzida para se evitar overdose de nutrientes.

Outro produto encontrado no mercado são as pastilhas. Essas pastilhas (ou bolas) são “vitaminas”, usadas quando se quer dar uma “turbinada” no crescimento de algumas plantas. As que fazem melhor uso de um produto assim são as plantas de vigorosa estrutura radicular como Echinodorus, Aponogeton, Cryptocorine, Crinum, Anubias, etc. Estas pastilhas são rapidamente consumidas, portanto não podem constituir exclusivamente a fertilidade do substrato. Na figura abaixo vê-se como aplicar esse produto:

 

 

 

 

Acomodação e alturas do substrato no aquário

 

Uma forma básica da acomodação do substrato é o formato “rampa”, onde a altura do substrato na frente é menor do que a parte de trás. Plantas maiores sempre são acomodadas na parte posterior, portanto demandam uma maior profundidade de substrato para a fixação. Plantas à frente são menores, requerem menos profundidade para atingir a camada fértil. O efeito estético que a disposição do formato “rampa” proporciona também é agradável. Deve-se evitar a montagem “plana” do substrato, nem tanto por estética, mas sim pela saúde das plantas de trás. Tomando como exemplo um aquário de 40 cm de altura, a porção dianteira pode possuir como altura total de 4 a 5 cm em média. Já a porção posterior de 10 a 12 cm de altura em média, como na figura abaixo:

 

 

 

A porção fértil do substrato pode manter uma constância de altura por toda a área, exceção apenas para a laterita do tipo cascalho, que pode ser levemente levantada no sentido da “rampa”, mas não é uma regra.     

O estilo “Rampa” não é a única variação na montagem do substrato. O paisagismo em aquários plantados é praticamente ilimitado, e a montagem em diferentes alturas não foge dessa característica, há inúmeras e inúmeras maneiras de se montar variando no paisagismo, mas não é assunto para este artigo.     Espero que esse artigo ajude a quem está com dúvidas iniciais na montagem e nos materiais mais usados no preparo de um substrato adequado para um aquário plantado.

Sobre o autor:
Marne Campos
Autor: Marne Campos
Marne Campos, natural de Campinas-SP, é aquarista desde 1990 quando, aos 7 anos de idade, ganhou o seu primeiro aquário e se apaixonou completamente pelo aquarismo. Bacharel em Análise de Sistemas pela PUC-CAMPINAS e técnico em Eletro-Eletrônica pela UNICAMP, criou o projeto Aquarismo Online em 1999, além outras iniciativas ligadas ao aquarismo que vieram logo em seguida, entre elas a idealização do CBAP (Concurso Brasileiro de Aquapaisagismo) onde ocupou o cargo máximo por 12 anos. Dedica-se à aquários plantados desde 1998, tendo como principal área de interesse atualmente, a manutenção de ambientes aquáticos por longos períodos.