De vez em quando escutamos histórias sobre peixes devorando outros em aquários caseiros. Em primeiro lugar, não é preciso a presença de peixes “carnívoros” para que isso aconteça. Praticamente todas as espécies podem comer outras menores, o que na natureza é coisa bem normal.Também não é preciso ter dentes pontiagudos para que um peixe adore se servir de outros. Até as carpas podem comer filhotes de platis ou guppies, dependendo da fome.

Oscar (Astronotus ocellatus)Veja que não estamos falando aqui de peixes reconhecidamente carnívoros ou predadores, como piranhas, pirambebas, traíras, tucunarés, jacundás, aruanãs, peixes-faca, Lepisosteus, dourados, além de alguns bagres e bótias, ciclídeos como Zebrinha e Green Terror, e peixes das espécies Gobi e Polypterus, entre outros. Se bem que essas espécies são verdadeiros atrativos para quem gosta de aquários “hard”.

Ainda bem que já existem rações apropriadas para essa turma, e por isso, eles não dependam tanto de “alimento vivo”, no caso aqui, de pobres peixes pequenos. Já vi um amigo que mantinha um grande aquário com um Oscar e vários peixes. Ele dizia que o Oscar fazia o controle populacional do aquário.

Mas o que pretendo tratar é o canibalismo que acontece entre os peixes que sabemos ou acreditamos serem dóceis, normalmente, mas que vez ou outra terminam devorando outros da mesma espécie, ou diferentes. Acontece, muitas vezes, do criador colocar junto em um aquário de 80 litros, peixes incompatíveis, e que isso termine gerando brigas e agressões entre eles.

Cardume de tetrasUm peixe ferido pode servir para que os outros avancem sobre ele, e no outro dia o criador estará se perguntando onde se meteu o seu peixe. A questão da compatibilidade depende mais das condições ambientais do tanque (tamanho, volume e alimentação, principalmente) do que do gênio de certas espécies para poderem conviver entre si ou não (claro, não falamos daqueles peixes carnívoros).

Espécies como barbos e tetras podem agir como verdadeiras piranhas, nesse sentido. O que também pode gerar esse canibalismo: pouco espaço para os peixes, alimentação deficiente, falta de esconderijos para certas espécies, ou de plantas, para outras, alto grau de estresse para uns, além de disputas por territórios ou por fêmeas, para outros.

De experiência própria, já perdi neóns por causas dessas disputas entre eles. Só que um neón dificilmente matará outro, porém, ao ferir seu oponente, os outros peixes, como por exemplo, Tetras do Congo ou Barbos Zebra podem aproveitar para devorá-lo. 

O sumiço de um peixe, retirando-se outras opções de morte como doença, salto fora do aquário, ser sugado pela bomba do filtro, terá no canibalismo uma grande possibilidade. Por motivo de esquecimento ou viagem, se o aquário ficar vários dias sem alimentação, poderemos incorrer na predação, inclusive entre membros da mesma espécie.

Como sinais de canibalismo no aquário, temos agressões e ferimentos graves entre seus habitantes, mordidas em barbatanas e caudas, e aparecimento de peixes sem olhos e escamas arrancadas. Às vezes, pode ocorrer canibalismo em peixes que morreram por doenças ou brigas, e geralmente os locais mais atacados são os olhos e o abdômen.

Uma dica que posso deixar, ao pensar na população de seu aquário, é que não coloque peixes com grande diferença de tamanho quando adultos, nem se misture peixes predadores e carnívoros com espécies mansas. Um bom limite seria, no máximo, companheiros com o dobro de tamanho dos outros, ou de tamanho similar. Mais do que isso começa a ficar perigoso de os maiores devorarem os menores, dependendo dos peixes. 

 

Ficou com dúvidas? Então acesse: Canibalismo no Aquário

Sobre o autor:
Katsuzo Koike
Autor: Katsuzo Koike
Katsuzo Koike, aquarista e laguista incurável, é natural de Recife-PE e professor com doutorado em História. Filho do piscicultor japonês Johei Koike, ex-professor da Universidade Rural de Pernambuco, seu gosto pelo aquarismo começou na década de 70 por influência de seu pai, que durante a sua infância, sempre o levava ao Centro de Piscicultura da UFRPE para acompanhar a criação de diversas espécies de peixes, tendo crescido sempre próximo à esse meio. Prioriza sempre a qualidade de vida dos seres em relação à beleza e ao paisagismo do aquário.