COMENTÁRIOS GERAIS COM RELAÇÃO A SUAS PRESENÇAS EM NOSSOS AQUÁRIOS:

É possível comentar que, de uma forma geral, poucas situações tendem a ser tão frustrantes para um aquarista do que a observação, em seu ou seus aquários, de surtos de algas.

Após o gasto na compra de um aquário e móvel, de espécies aquáticas, de todo o aparato necessário para o adequado e eficiente funcionamento desse pequeno ecossistema, após o dispêndio de tempo e dedicação em estruturá-lo de uma forma geral, o aquarista pode vir a ser surpreendido e presenteado com uma exuberante “decoração”, indesejada, em motivo de algas.

E por quê?

Desde já, um “ponto” tem que se tornar claro: As algas são parte integrante de seu ou seus aquários, independente de aprovação ou não.

São seres universais em distribuição, prosperando em todos os corpos de água, doces ou marinhos; linhas costeiras (divergindo com relação às ações das ondas dos mares, de acordo com as elevações das marés, de acordo com as temperaturas, de acordo com a intensidade de luz requerida pela fotossíntese... Portanto, poderão ser encontradas em diferentes zonas ou camadas dos oceanos, praias e penhascos); rochas; ambientes terrestres com suficiente umidade... Algumas espécies adaptam-se em locais de extremas temperaturas: altas ou baixas. Enquanto que outras sobrevivem em solos desérticos e arenosos.

Portanto, eliminá-las de nossos aquários será praticamente impossível, controlá-las tenderá a ser a saída mais correta.

QUANDO AS ALGAS ESTÃO PRESENTES EM PEQUENAS QUANTIDADES, DE FORMA BALANCEADA, são indicativas de uma boa qualidade da água e controladas serão facilmente pelo aquarista, através de suas simples remoções, durante a manutenção periódica nos aquários, ou por meio da introdução de peixes que, de uma forma geral, as apreciem.

Esse “tipo” de algas é uma conseqüência natural por criarmos e mantermos um habitat completamente propício e adequado, como organismos vivos que são, as suas necessidades básicas de sobrevivência. Ou seja, por mantermos um objeto, no caso, uma cuba de vidro preenchida por água, com fonte de luz e uma série de outros nutrientes, as algas encontram constituído um “lar” que lhes ofereça, em regra, tudo o que precisam. Desta forma, porque não se desenvolverem aí?

QUANDO AS ALGAS ESTÃO FORA DO CONTROLE, além de em alguns casos tais explosões, especificamente comentando, serem prejudiciais às formas de vida em geral que mantemos em nossos aquários, com certeza tal fato indicativo é de que algum ou alguns dos parâmetros com respeito aos mesmos precisam voltar a equilibrarem-se. Sendo que, também, esses parâmetros em excesso, prejudiciais serão às inúmeras formas de vida que nesse ecossistema abrigamos.

O QUE É POSSÍVEL FAZER PARA QUE CONSIGAMOS CONTROLAR AS ALGAS EM NOSSOS AQUÁRIOS?

No combate às algas, algumas medidas são recomendadas no sentido de propiciar ao aquarista o desfrute a um aquário “controlável”, saudável e visualmente satisfatório, posso comentar assim.

ANTES DE PASSARMOS PARA O ITEM “A”, UM BREVE COMENTÁRIO:

Os vegetais e, por conseguinte, as algas, para seus crescimentos, desenvolvimentos e manutenções, necessitam da contribuição de uma série de elementos químicos. Por exemplo, e de uma forma geral, podem ser necessários aos diversos “grupos” vegetais o carbono, o hidrogênio, o oxigênio, o nitrogênio, o fósforo, o potássio, o cálcio, o magnésio, o enxofre, o ferro, o zinco, o cobre, o manganês, o boro, o iodo, o molibdênio, o sódio, o selênio, o cobalto, o silício...

Portanto, uma vez presente em nossos aquários qualquer um ou mais desses elementos supra-referidos - e desde que sejam eles necessários ao desenvolvimento, ao crescimento e à manutenção de determinada ou determinadas espécies de algas - a tendência será no sentido de propiciarmos, darmos margem aos seus surgimentos e desenvolvimentos. Dessa forma, evitemos excessos... Utilizemos, simplesmente, o que seja necessário à manutenção e ao desenvolvimento adequado às formas de vida que, em geral, ali cultivamos. Nada mais.

PASSAREI, ENTÃO, AO ITEM “A” POR DIANTE, CITANDO E EXPONDO, BREVEMENTE, INFORMAÇÕS GERAIS SOBRE ALGUNS DESSES ELEMENTOS SUPRA-REFERIDOS.

Observação: Quanto aos demais e inúmeros outros elementos também importantes e contribuidores ao surgimento, desenvolvimento e manutenção das mais diversas formas de algas, e que também talvez sejam necessários à manutenção e ao desenvolvimento das formas e/ou espécies aquáticas que por nós foram escolhidas para a aquisição, “cultivo” e preservação em nossos aquários - e que nessa oportunidade não tecerei comentários - faço uma breve afirmação: Tenhamos conhecimento de todos ou pelo menos de todos os possíveis compostos, “substâncias”, elementos que nesses nossos pequenos ecossistemas façamos uso. E mais: Façamos seus usos de forma controlada, de acordo, correspondendo, apenas, com o que seja necessário, ideal à manutenção e ao desenvolvimento adequado das formas de vida que, em geral, selecionamos e ali abrigamos.

A) QUANTO AO NITROGÊNIO:

Esse elemento é de suma importância aos vegetais, pois será através dele que os mesmos, inclusive as algas, obtêm sua nutrição e seu metabolismo formador de proteínas. Ou seja, o nitrogênio habilita os vegetais a criarem as proteínas essenciais para desenvolverem novos tecidos, e intervém, também, na produção da clorofila. Portanto, tal elemento está diretamente relacionado à altura, ao vigor e ao crescimento em geral dos mesmos.

CICLO DO NITROGÊNIO:

A despeito da alta percentagem de N2 no ar atmosférico, os vegetais normalmente não conseguem absorvê-lo e fixá-lo em suas células para a obtenção de proteínas.

Como, então, os vegetais obtêm o nitrogênio?

Deverá ser ele encontrado e retirado do meio onde os vegetais vivem, sob a forma de nitratos.

Os vegetais conseguem fazer isso graças a três tipos de microorganismos existentes no solo e nos ecossistemas aquáticos: os organismos fixadores do nitrogênio, os decompositores e as bactérias nitrificantes.

Todavia, para completar o ciclo do nitrogênio na natureza, ainda atua um quarto grupo de microorganismos, o das bactérias denitrificantes.

VEJAMOS MELHOR COMO TUDO ACONTECE:

Os nitratos surgem nos ambientes, naturalmente, em função de fenômenos meteorológicos ou pela atividade de microorganismos.

a) Em função de fenômenos meteorológicos, por meio de descargas elétricas provenientes de relâmpagos na atmosfera. Essas descargas elétricas ocasionam uma combinação de átomos de nitrogênio com átomos de oxigênio, formando, assim, os óxidos de nitrogênio que se precipitam para o solo. Tais óxidos reagem com a água e demais substâncias do solo, por fim resultando em nitratos.

b) Mas como a quantidade de nitratos formada, através desse processo, não é o bastante, “entram em cena” os microorganismos.

E quem são esses microorganismos? Bactérias, Algas Cianófitas, fungos.

As bactérias do gênero “Rhizobium” têm notável capacidade de reter o nitrogênio livre, formando nitratos. Devido a tal capacidade, elas associam-se a plantas leguminosas, como, por exemplo, o feijão, a soja, a vagem, a ervilha, formando nódulos nas raízes dessas plantas, onde vão nutrir-se dos Hidratos de carbono que as leguminosas produzem. Em troca, as bactérias oferecem os nitratos que tais plantas não têm condições de produzir. Sem a ação dessas bactérias, as leguminosas encontrariam grande dificuldade em reproduzirem-se. Retratamos, então, um caso típico de mutualismo.

As Algas Cianófitas também têm notável capacidade de assimilar o nitrogênio livre no ar atmosférico, o que contribui para justificar o grande poder que esses microorganismos têm para adaptarem-se em ambientes estéreis, procedendo como seres pioneiros na instalação de comunidades bióticas.

Alguns fungos, da mesma forma, assimilam bem o nitrogênio livre e, devido a isso, se associam às raízes de plantas, formando, também, casos de mutualismo.

ENTRETANTO, OS MICROORGANISMOS QUE POSSUEM MAIOR IMPORTÂNCIA NO CICLO DO NITROGÊNIO SÃO OS DECOMPOSITORES E AS BACTÉRIAS NITRIFICANTES.

Os principais representantes dos organismos decompositores são as bactérias de putrefação, como o “Clostridium putrificum”, o “Clostridium aerofetidum”, o “Bacillus subtilis” e o gênero “Proteus”, que promovem a decomposição das proteínas - existentes em seres mortos e em excrementos - em produtos finais, como uréia, amônia (NH3), íons amônio (NH4+), metano, ácido sulfídrico, indol, escatol e gases fétidos.

Algumas plantas conseguem absorver os íons amônio. Todavia, o mais comumente observado é a ação de bactérias nitrificantes que aproveitarão a amônia (NH3). As bactérias nitrificantes compreendem as “Nitrosomonas sp.” e as “Nitrosococcus sp.”, que se denominam bactérias nitrosas. Essas terão, então, a “função” de oxidar a amônia, e o resultado dessa ação será o ácido nitroso. Em seguida, o ácido nitroso reage com outras substâncias, originando nitritos. Por isso, costuma-se dizer que as bactérias nitrosas oxidam a amônia em nitritos.

Após a ação das bactérias nitrosas, é a vez das chamadas bactérias nítricas (gênero “Nitrobacter”) entrarem em ação. Elas oxidam os nitritos a nitratos. É, então, desse modo que as plantas obtêm os nitratos imprescindíveis a sua nutrição e ao seu metabolismo formador de proteínas.

ENTÃO, APÓS ESSA EXPOSIÇÃO, COMO EVITARMOS OS EXCESSOS DE NITRATOS EM NOSSOS AQUÁRIOS:

De uma forma geral, além da utilização de outros vegetais, outras dicas poderão ser eficazes quando quisermos evitar excessos quanto aos mesmos:

1) Limpeza do aquário em geral e regulares trocas de água: Além de reduzir os nutrientes necessários às algas, proporcionará aos peixes uma água com melhor qualidade e um aquário em condições saudáveis e equilibradas;

2) Checagem da água de torneira: A água da torneira também poderá conter altos níveis de nitratos;

3) Mantenha uma apropriada e suficiente filtragem: O aquarista, também, não poderá esquecer de realizar periódicas manutenções e limpezas no sistema de filtragem do seu ou seus aquários. Tal medida proporcionará um rendimento ao máximo com relação aos filtros;

4) Alimentar moderadamente os peixes: Alimentação em excesso, além das sobras que poderão ocorrer, proporcionará maior excreção de alimentos e, por conseqüência, uma maior taxa de nitratos resultará formada;

5) Evitar superpopulações no aquário: Além de não constituírem um lar saudável a nossos exemplares quanto ao espaço, os aquários superpopulados poderão ser “vítimas” de altos níveis de nitratos. E por quê? Porque o número maior de peixes proporcionará uma maior digestão e excreção de alimentos e, por conseqüência, maiores níveis de nitratos resultarão;

Também a superpopulação, muito provavelmente, causará um desequilíbrio em nosso pequeno ecossistema, quanto a teores de amônia e nitritos. O que, logicamente, não será saudável para a integridade de nossas espécies.

Enfim, os nitratos resultantes de casos assim, entre outros, servirão como fonte de alimento às algas, propiciando suas florescências.

6) Utilizar alimentos de qualidade e adequados às espécies contidas no aquário: Pois tudo o que não for assimilado e, portanto, sobrar como restos servirá como fonte para resultar em nitratos;

Portanto: Alimentos inadequados, além de possivelmente debilitar a saúde de nossos exemplares, provavelmente não serão totalmente assimilados pelos organismos dos mesmos e, portanto, serão eliminados por suas excreções. Dessa forma, quanto mais nutrientes forem eliminados por nossos exemplares, mais fontes estaremos deixando às bactérias, por conseqüência, e, posteriormente, às algas.

Observação: Se o aquarista não possuir aquários do tipo Plantado, os níveis de nitratos sempre deverão beirar o nada, caso contrário, sobrando estarão nutrientes a fim de alimentar as algas.

Observação 2: Além do combate às algas, o aquarista deverá tomar cuidado em não permitir concentrações exorbitantes, quanto aos níveis de nitratos, uma vez que tais concentrações poderão causar danos à saúde de nossos exemplares, como perda de apetite, de coloração, alterações gerais em seus comportamentos, etc.

B) QUANTO AOS FOSFATOS:

O fósforo é um elemento fundamental na síntese de ácidos nucléicos. Em regra, é um grande contribuidor para as fases da germinação, clonação e floração dos vegetais.

CICLO DO FÓSFORO:

O maior reservatório de fósforo, na natureza, é representado pelas rochas fosfatadas e pelos depósitos de guano (excrementos de aves aquáticas ricos em fósforo) e de ossos fósseis.

Esses materiais vão sofrendo erosão e liberando fosfatos dissolvidos que são assimilados pelos vegetais e aproveitados para a síntese de protoplasma, passando para outros níveis das cadeias alimentares.

Portanto, a decomposição de vegetais e animais mortos, os seus resíduos de excreção, e os ossos e dentes de animais, conduzem fósforo para o ambiente. A partir desses restos, por ação das bactérias fosfatizantes, formam-se fosfatos dissolvidos.

Uma considerável parte desses fosfatos escapa para o mar depositando-se em sedimentos rasos, de onde pode retornar ao ciclo pela assimilação dos peixes e aves marinhas. Outra parte é praticamente perdida, ficando imobilizada em sedimentos marinhos profundos.

COM RELAÇÃO AOS NOSSOS AQUÁRIOS, OS FOSFATOS NELES ADENTRAM POR MEIO DE VÁRIAS FORMAS:

1) A água de torneira pode conter fosfatos;

2) Tamponadores de pH e KH podem conter fosfatos;

3) O carvão ativado pode conter fosfatos;

4) Comidas para peixes podem conter fosfatos: Inúmeras rações para peixes vendidas hoje no mercado contêm fosfatos. Se você não conseguir evitá-las, procure as que possuam alta qualidade com teores reduzidos de fosfatos.

E mais, não superalimente seus peixes, pois dessa forma, o aquarista estará evitando adicionar fosfatos além da necessidade em seus aquários.

Outra, o aquarista deve utilizar alimentos que possuam qualidade e que sejam adequados às espécies contidas em seus aquários. Do contrário, tudo o que não for assimilado e, portanto, sobrar como resto, servirá como fonte para resultar em fosfatos.

Alimentos inadequados, além de possivelmente debilitar a saúde de nossos exemplares, provavelmente não serão assimilados pelos organismos de nossas espécies e, portanto, serão eliminados por suas excreções. Dessa forma, quanto mais nutrientes forem eliminados por nossos exemplares, mais fontes estaremos deixando para as bactérias fosfatizantes;

5) Também não superpopule seus aquários: Quanto maior for a quantidade fecal presente em nossos aquários, mais subsídios encontrarão as bactérias fosfatizantes para compor os fosfatos;

6) Alguns tipos de sais podem conter fosfatos;

7) A decomposição de vegetais e animais mortos no aquário também tornar-se-á fonte para a ação das bactérias fosfatizantes formarem fosfatos.

Observação: Se o aquarista, uma vez identificando as fontes de fosfatos, não conseguir eliminá-las, por meio de produtos livres de tal componente, pelo menos que tente reduzi-las ao máximo.

Portanto, e de uma forma geral, além da utilização de outros vegetais, OUTRAS DICAS, TAMBÉM, PODERÃO VIR A SEREM EFICAZES QUANDO QUISERMOS EVITAR EXCESSOS QUANTO AOS FOSFATOS EM NOSSOS AQUÁRIOS:

Fosfatos poderão ser removidos dos aquários através de uma boa manutenção geral, como limpezas no substrato quanto a restos de comidas e dejetos, manutenções periódicas nos sistemas de filtragem e regulares trocas de água, desde que a água da torneira não contenha altos níveis de fosfatos.

Um outro método de eliminação de fosfatos é através do uso de produtos absorvedores de fosfatos.

Observação: Se o aquário não for do tipo Plantado, os teores de fosfatos devem sempre ser muito baixos, a fim de que esse elemento não fique presente no aquário e sirva como alimento às algas.

C) QUANTO AO POTÁSSIO:

BREVE COMENTÁRIO: Tal elemento é muito abundante como constituinte de rochas ígneas (feldspato); encontra-se em vários minérios (cainita, carnalita, etc). Os sais de potássio encontram-se em quantidades aproveitáveis em certos lagos (Mar Morto); encontram-se em pequena quantidade por todo o solo, de onde são retirados pelas plantas terrestres.

Esse elemento se vê associado à criação e ao transporte de açúcar, celulose e amido nos vegetais em geral, assim como, com relação à assimilação, ao aumento da clorofila nas folhas dos mesmos, dando-os mais verdor. O potássio tem grande influência na constituição das folhas e partes lenhosas dos vegetais, concorrendo para o próprio esqueleto dos mesmos. Também possui como função prolongar o período de crescimento do vegetal. Auxilia a regular as aberturas das “Estomas”, umas diminutas glândulas situadas no contorno das folhas, e que são responsáveis, entre outras funções vitais, pela transpiração dos vegetais. Também tal elemento é necessário para o bom desenvolvimento de suas raízes, equilibrando a ação do nitrogênio e do fósforo. O potássio protege o vegetal contra enfermidades e ataques de pragas, etc.

A falta de potássio caracteriza-se pelo aparecimento – nas folhas dos vegetais – de manchas redondas descoloridas entre as nervuras, seguindo do progressivo escurecimento de suas bordas, que terminam por morrer em casos graves de deficiência desse elemento.

Por conseguinte, como tal elemento é imprescindível para o desenvolvimento e o bem-estar dos vegetais, incluída nessa “categoria”, vamos dizer assim, também estão as algas. Portanto, quando em excesso em nossos aquários, isto é, quando em sobras de uma forma geral em nossos aquários, o potássio poderá servir para o abastecimento das algas, resultando em suas florescências e surtos.

O potássio pode ser encontrado, em regra, em muitos fertilizantes, na água, rochas, na terra (substrato, vamos dizer assim) ou mesmo poderá estar sendo adicionado, pelo aquarista, sob a forma de sais.

Trocas parciais de água poderão vir a serem úteis a fim de que possamos “livrar nossos aquários”, em casos de excessos, desse elemento.

D) QUANTO AO CÁLCIO E AO MAGNÉSIO:

O cálcio é fundamental para os vegetais, pois participa da formação da substância intercelular cimentante, unindo as células; é fundamental com relação à criação de um tecido novo, portanto, necessário far-se-á para um bom e adequado desenvolvimento dos mesmos.

CICLO DO CÁLCIO

Tal elemento encontra-se na natureza somente em forma de compostos, que são muito comuns, sobretudo o carbonato. Contudo, são abundantes, também, o sulfito (anidrita, gipsita); o fosfato (fosforita, corprólito, apatita); e vários silicatos (feldspatos).

Muitos organismos são ricos em sais de cálcio em suas estruturas, notadamente carbonatos e fosfatos de cálcio. Esses sais são encontrados na organização do corpo dos espongiários e dos corais, bem como nas conchas de moluscos (ostras, mexilhões, mariscos, caramujos), nas carapaças dos crustáceos (siris, lagostas) e no esqueleto interno dos equinodermos (estrelas-do-mar, ouriços-do-mar), e nos esqueletos dos vertebrados. Quando esses animais morrem, há, lentamente, a decomposição dessas estruturas e os seus sais de cálcio são, então, dissolvidos na água e no solo. Com o passar do tempo, pode ocorrer a sedimentação desses sais em determinadas regiões, surgindo assim os terrenos sedimentares de calcário, dentre os quais os tipos de rochas calcárias mais conhecidos são o mármore, calcita, dolomita, cré, estalagmitas e estalagtitas, etc.

Se mecanismos orogênicos, como dobramentos da crosta terrestre, por exemplo, fazem aflorar as rochas calcárias, aí então, poderá ocorrer a erosão e o escoamento de sais de cálcio para os rios e mares. Isso tornará possível a sua absorção e aproveitamento por novos animais para a formação de seus esqueletos, conchas e carapaças, reiniciando, assim, o ciclo.

O MAGNÉSIO

BREVE COMENTÁRIO: Largamente tal elemento é distribuído na natureza, em forma de compostos, dos quais os mais importantes são magnesita, dolomita, cainita, carnalita e vários silicatos como olivina, enstatita, amianto, serpentinita, espinélios, espuma do mar, talco, esteatita, etc. Encontra-se em certas águas minerais (sal amargo ou sal de Epsom) e, em pequena quantidade, na água do mar.

VOLTANDO À QUESTÃO ALGAS:

Magnésio é o átomo central da molécula de clorofila e é essencial na absorção da luz. Auxilia os vegetais, também, com relação à absorção de outros nutrientes. Seu outro fim, posso referir-me assim, está em estabilizar a condição dos ácidos ou dos sais tóxicos que possam vir a depositarem-se nos vegetais. Também, tal elemento previne a “Clorose” (falta de clorofila; doença vegetal muitas vezes provocada por falta de luz solar).

Como é possível observarmos, o magnésio e o cálcio são elementos utilizados pelas plantas e, portanto, pelas algas para a manutenção de suas integridades de uma forma geral. Portanto, quando em excessos nos aquários, ou seja, quando tais substâncias sobrarem de uma forma geral nos aquários, poderão servir para abastecer as algas e, dessa forma, contribuir para seus surtos.

E ONDE O CÁLCIO E O MAGNÉSIO PODEM VIR A SEREM MANTIDOS?

Por exemplo:

a) Em alimentos para peixes;

b) Em fertilizantes;

c) Em substâncias como os Carbonatos, Bicarbonatos e Sulfatos de cálcio e de magnésio, ou em “elementos” que contenham tais substâncias (como, por exemplo, pedras calcárias).

d) Em certas águas minerais;

COMO PREVENIR?

De uma forma geral, além da utilização de outros vegetais, posso recomendar:

1) Valendo-nos de rações que possuam qualidade e adequadas sejam às espécies por nós mantidas nos aquários;

2) Não superalimentando nossos exemplares;

3) Não superpopulando nossos aquários;

4) Não excedendo quanto à dosagem dos produtos necessários aos diferentes tipos de aquários que existem. Ou seja, aplicando somente o necessário para que esses pequenos ecossistemas possam manter-se adequados e saudáveis quanto as suas exigências;

5) Utilizando um sistema de filtragem de forma eficiente;

6) Através de limpezas nos aquários, de uma forma geral, e nos sistemas de filtragens rotineiramente;

7) Por meio de regulares trocas parciais de água.

E) QUANTO AO FERRO:

BREVE COMENTÁRIO: As águas naturais contêm esse elemento na forma de bicarbonato; Raras vezes o encontramos em seu estado nativo (ferro meteórico). O minério de ferro mais comum é a hematita, seguindo-se a magnetita, a braunita, a limonita, a siderita, a pirita, a calcopirita, a laterita...

Sua carência ou sua não assimilação, devido a um pH inadequado, pode ser causadora da chamada Clorose Férrica (ou seja, as folhas superiores e os brotos novos dos vegetais amarelam, sendo visíveis os capilares das folhas que permanecem verdes).

Dessa forma, sendo o ferro um nutriente necessário aos vegetais, também o será às algas. Assim, evite excessos.

Fertilizantes, algumas comidas para peixes, a água de torneira, alguns minérios, terra (substrato) poderão conter ferro.

COMO DEVEMOS PROCEDER A FIM DE QUE POSSAMOS MANTER TAL NUTRIENTE SOB CONTROLE?

1) Utilizando rações de qualidade e adequadas às espécies por nós mantidas em nossos aquários;

2) Não superalimentando nossos exemplares;

3) Não superpopulando nossos aquários;

4) Não excedendo quanto à dosagem dos produtos necessários aos diferentes tipos de aquários que existem. Ou seja, aplicando somente o necessário para que esses pequenos ecossistemas possam se manter adequados e saudáveis quanto as suas exigências;

5) Utilizando filtragem de forma eficiente;

6) Através de limpezas nos aquários, de uma forma geral, e nos sistemas de filtragens rotineiramente;

7) Por meio de regulares trocas de água;

8 ) Observando a água de torneira e todo e qualquer “material” empregado nos aquários;

9) O aquarista poderá utilizar outros vegetais: Embora não sejam substitutos para a regular manutenção do aquário, os mesmos consomem nutrientes.

F) QUANTO AO CARBONO:

O carbono é essencial aos vegetais quanto à realização da fotossíntese.

O carbono circula pela natureza ora como carbono inorgânico, na composição do CO2 do ar atmosférico (num percentual em torno de 0,04%), ora na formação das cadeias de carbono dos compostos orgânicos (proteínas, lipídios, glicídios, etc), integrando a matéria dos seres vivos.

Portanto, tem o carbono uma passagem pelo meio abiótico e uma passagem pelos sistemas vivos.

a) NO MEIO ABIÓTICO, o carbono integra o carvão mineral e suas formas alotrópicas, como o diamante e a grafita, bem como se apresenta na constituição do dióxido de carbono e monóxido de carbono, gases poluentes da atmosfera. Mas, também, está presente em alguns sais, como os carbonatos de sódio, carbonatos de cálcio, carbonatos de magnésio, etc.

Por exemplo: Durante a fotossíntese realizada pelos vegetais e por organismos inferiores autótrofos (no caso, as algas), o carbono inorgânico, sob a forma de CO2, é apreendido e passa a entrar na constituição das cadeias de carbono que integram a matéria orgânica.

Observação: Contudo - sais e demais “formas”, vamos dizer assim, que contenham esse elemento carbono, uma vez, por exemplo, dissolvidos em água e absorvidos pelo organismo dos animais, poderão propiciar, também, que o carbono venha a integrar a matéria orgânica.

b) Essa matéria orgânica tem ingresso nas cadeias alimentares e passa pelos seus diversos níveis tróficos, desde os produtores, aos consumidores e decompositores.

Em cada organismo, o material recolhido como nutriente sofre um reprocessamento, através da digestão e da assimilação, passando da qualidade de matéria heteróloga para matéria homóloga. Isso quer dizer que, por exemplo, quando uma rã come um gafanhoto, não incorpora diretamente ao seu “patrimônio” proteínas de gafanhoto, mas transforma essas proteínas em proteínas de rã. E assim por diante.

Através do processo respiratório, as moléculas orgânicas são metabolizadas e dão como produtos finais o CO2 e a água. O dióxido de carbono devolve, então, à natureza, o carbono outra vez na sua forma inorgânica.

Também, pela atividade dos microorganismos decompositores (bactérias e fungos), os excrementos e restos cadavéricos entram em putrefação e também liberam CO2 para o meio ambiente.

E COM RELAÇÃO AOS NOSSOS AQUÁRIOS, COMO O CARBONO ADENTRA NOS MESMOS?

Por exemplo:

1) Através da injeção de CO2;

2) Através da utilização de sais, pedras (e derivados das mesmas) que contenham esse elemento;

3) Por meio de superpopulações nos aquários;

4) Por meio das superalimentações de nossos exemplares;

5) A decomposição de plantas e animais mortos nos aquários, também, tornar-se-á fonte para a ação das bactérias decompositoras liberarem CO2.

Trocas de água parciais, sistemas de filtragens eficientes, manutenções gerais nos aquários e nos sistemas de filtragem, utilização de outros vegetais, também servirão para reduzir os níveis de carbono em nossos aquários.

E QUANTO À ILUMINAÇÃO?

Sobre o ponto luz, inicialmente gostaria de comentar que questões como qualidade, intensidade, duração com relação à iluminação, tendem a alterar-se de acordo com as inúmeras espécies de algas que hoje se encontram classificadas, são estudadas e cultivadas, inclusive porque muitas dessas espécies possuem capacidade para adaptar-se a condições que lhes sejam desfavoráveis com relação à “captação” desse nutriente.

Contudo...

Muito embora algumas espécies de algas não necessitem de consideráveis intensidades ou durabilidades, com relação à iluminação, para suas florescerências em aquários que se caracterizarem como meios ricos em outros nutrientes – com relação a outras espécies, posso comentar que uma iluminação muito duradoura e intensa, associada a excessos quanto a algum ou alguns nutrientes, serão fatores que proporcionarão seus florescimentos em nossos aquários. Portanto, para evitarmos ao máximo tais aparecimentos é costumeiro indicar aos aquaristas que: controlem fortemente excessos quanto a esses outros nutrientes; em média, em aquários que não sejam do tipo Plantado, não mantenham a iluminação nos mesmos por mais do que 8, 10 horas diárias; não realizem excessos quanto à intensidade com relação a tal iluminação, utilizem somente o que seja necessário ao adequado desenvolvimento e manutenção saudável com respeito às formas de vida selecionadas e mantidas.

Outra indicação que poderia vir a ser oferecida aos aquaristas, em sentido idêntido ao supra-referido, é que evitem a permanência de seus aquários em contato direto com a luz solar.

Claro que é muito possível possuirmos aquários que tenham um contato direto, por minutos ou mesmo horas, com a iluminação solar, sem que sejam “atingidos” por explosões, surtos de algas.... O que comento acima é no sentido de evitarmos a incidência solar direta de forma prolongada, uma vez que essa, muito provavelmente (aliada a excessos quanto a demais nutrientes), irá propiciar o maciço surgimento de certas espécies desses vegetais inferiores, além, é claro, de proporcionar oscilações de temperatura em nossos aquários, ou mesmo seus superaquecimentos.

DICAS ESPECIAIS:

a) Quando as algas aflorarem em pedras, objetos decorativos, aparelhagens e similares, a devida remoção e lavagem, em água corrente, é um método muito empregado e adequado para a limpeza dos mesmos. Contudo, se o aquarista encontrar alguma dificuldade na remoção das algas, poderá contar – por exemplo – com uma escova de dente ou similar como auxiliar. Basta que, embaixo d’água, o aquarista vá esfregando os objetos ou mecanismos... Brevemente, todo e qualquer resíduo de algas extinguir-se-á. Outro método é umedecer os aparatos ou mecanismos em uma solução de água da torneira com água sanitária a 25%. Sucessivas esfregações, também, serão muito bem-vindas para a retirada das algas desses objetos. Para que qualquer traço da água sanitária possa vir a ser, definitivamente, retirado de seus objetos, mergulhe-os, posteriormente, em uma solução de água e neutralizador de cloro.

b) Quando as algas aflorarem no substrato, nele, um simples sifonamento provavelmente irá resolver. Contudo, e em casos mais graves, a remoção da área afetada e a sua lavagem individual, em água corrente, parece-me vir a ser o método mais eficaz. Se necessário for, também esfregue bastante o substrato para que as algas dele desprendam-se totalmente.

c) Se as algas forem do tipo filamentosas, além das raspagens, o aquarista poderá valer-se de uma escova de dente ou algo similar, a fim de ir enrolando seus fios e livrar-se delas.

d) Em casos realmente sérios, o tratamento com 200 mg de Eritromicina para 40 litros de água, eliminará, geralmente, as Algas Cianófitas. Embora, válido será comentar que, tal tratamento, muito provavelmente, tenderá a causar efeitos nocivos ao nicho biológico de nosso aquário. Se a Eritromicina utilizada for como tratamento, os níveis de amônia e nitrito deverão vir a serem vigiados cuidadosamente.

e) Algicidas também poderão vir a serem utilizados. Contudo, se seu aquário contiver plantas, e dependendo do produto, poderão elas virem a ser danificadas com a utilização dos mesmos. Uma lembrança é válida: A utilização desses produtos denominados como algicidas é uma medida paliativa, pois somente irão ajudar o aquarista momentaneamente. Se os parâmetros do aquário permanecerem propícios ao afloramento de algas, novamente elas surgirão com certeza. Uma vez o aquarista optando por utilizar algicidas, recomendo que o mesmo siga corretamente as indicações para o uso de tal produto.

f) Outras formas, por exemplo, para a inibição de afloramentos de algas: O aquarista poderá utilizar esterilizadores ultravioletas; cartuchos de micrón, “Filtros de Diatomáceas” (também conhecidos como Diatomagic Filter) ou mesmo deionizadores.

PALAVRAS FINAIS:

Embora já mencionado no decorrer do texto acima, acredito que seja válido frisar,

A melhor e mais eficaz forma, a fim de que o aquarista possa vir a evitar surtos de algas em seus aquários, será: Sua preocupação, cuidado e dedicação com relação a manutenções gerais e rotineiras; seu cuidado quanto ao emprego de equipamentos eficientes; a não realização, em geral, por ele de excessos; e, acredito que, por fim, seu conhecimento ou a obtenção com relação ao mesmo sobre as características, qualidades e quantidades de todo e qualquer produto ou “elemento” que uma vez introduzidos forem nesses pequenos e sensíveis ecossistemas (mesmo que com relação à água).

Acredito que tal pensamento possa vir a ser exposto: Poucos e necessários nutrientes em geral presentes na água de nossos aquários poderão promover o surgimento de reduzidas e controladas quantidades de algas; os mesmos nutrientes, em grandes quantidades e desnecessariamente, no mínimo, darão margem a aflorações em maiores e descomedidas proporções...

Acho que é isso, pessoal, abraços, e espero que o texto seja, a vocês, de alguma valia...

Sobre o autor:
Autor: Alexandre Altieri