Todo peixe é susceptível a doenças e adquirem-nas com certa facilidade em aquário, devido ao tamanho extremamente reduzido desse ambiente. Peixes saudáveis já apresentam maior resistência natural contra diversos seres invasores. Porém, quando sob certas circunstâncias, essa resistência cai e é nesse momento que seu organismo fica exposto a diversos agentes etiológicos que só estavam esperando por uma oportunidade como esta.

Transporte, variação nos parâmetros da água, má qualidade da água, incompatibilidade de peixes, entre outros, estressam os peixes, baixando assim, sua resistência natural. Nos aquários das lojas, na maioria das vezes, os peixes sofrem de pelo menos 2 desses fatores, e estão sempre muito estressados, por isso estão bem susceptíveis a contrariar diversos tipos de doenças.

Devido a isso que não podemos introduzí-los diretamente em nossos aquários, estabilizados e livres de parasitas. Antes de introduzí-los, devemos dar um período para que possíveis doenças se manifestem antes e assim, possamos tratá-los, se preciso. Esse período é chamado de quarentena e o aquário onde se passa esse período, chamamos de aquário-quarentena (AQ).

Como o peixe permanecerá por um tempo considerável nesse aquário (mínimo de 6 semanas), devemos ter todo o equipamento necessário para a manutenção dos peixes. Filtros, aquecedores... A única diferença do AQ para o aquário principal (AP), é a falta de ornamentos, substratos, etc. Isso, para facilitar sua manutenção e limpeza. Ele também não deve ser muito pequeno (pelo menos 50 litros, para peixes pequenos-médios).

Um dos problemas dos aquários de quarentena, é que normalmente não ficam funcionando direto (são desmontados na ausência de peixes). Por isso, não costuma ter as bactérias benéficas em quantidade significativa (essas bactérias começam a fazer efeito a partir de 6 semanas. O aquário só estabiliza em aproximadamente 6 meses), assim, toda a amônia formada não pode prosseguir no ciclo do nitrogênio e resultar em nitrato que não é tão tóxicos aos peixes. Uma característica das bactérias, é que se fixam em qualquer superfície de contato no aquário. Usamos cerâmicas e outros objetos porosos para sua fixação, para que haja maior superfície de contato onde as bactérias possam se fixar. Assim, em menor volume, tem-se um maior número de bactérias. Para que haja uma formação rápida de uma colônia de bactérias no AQ, basta então transferir as bactérias do AP (já estabilizado) para o AQ. Para transferir, podemos usar os elementos filtrantes do AP, no AQ. Não precisa nem usá-los, basta "lavá-los" dentro da água do AQ, que no meio das "sujeiras", haverá milhões de bactérias benéficas, que se fixarão no seu filtro, outra forma é manter um filtro de esponjas no AP, para que quando preciso, tenha uma boa quantidade de bactérias para transferir para o AP, mesmo assim, lembre-se que ainda não há a quantidade de bactérias necessárias, que só com o tempo se formarão, mas dessa forma já se evitaremos possíveis desastres.

Durante a quarentena, os peixes devem ser observados atentamente, diariamente. Procure manter a rotina e tipo de alimentação, temperatura, pH, etc, semelhantes aos do AP, para que já possam ir se acostumando. Esse período também é bom, para o fortalecimento dos peixes, já que na maioria das vezes, chegam fracos da loja. Mesmo que nada de anormal aconteça nas primeiras semanas, deve-se aguardar o período mínimo, já que há ciclos de parasitas que levam várias semanas e por isso, podem demorar a se manifestar.

Caso apareça algum sintoma, é preciso diagnosticar rapidamente e iniciar o tratamento. Quanto antes começar o tratamento, maiores são as chances de recuperação. O peixe deve ser tratado nesse mesmo aquário, que chamaremos agora de aquário-hospital (AH).

No AH, os parâmetros da água já não precisam ser iguais aos do AP, mas sim, ideais para o combate à doença, principalmente com relação à temperatura. A limpeza do aquário também deve ser feita com mais freqüência e é recomendável aumentar a oxigenação do aquário, ou seja, no AH, é necessário cuidado especial para com a qualidade da água, que é um fator determinante para o sucesso de qualquer tratamento, aliás, manter a qualidade da água é o melhor tratamento profilático contra doenças.

Tendo a certeza de que o peixe está totalmente curado, voltamos ao período de recuperação – quarentena (pelo menos mais duas semanas após a cura), mas num estágio mais avançado, onde se inicia o processo de introdução do peixe ao AP.

No entanto, mesmo após a quarentena, é preciso ter atenção aos peixes novos. Todos os peixes interagem com uma grande quantidade de microorganismos, incluindo alguns agentes etiológicos, porém, esta população é controlada e não consegue afetar o peixe, devido a um fator já discutido, sua resistência natural. O problema é que essa resistência é diferente em cada peixe e não sabemos como os microorganismos dos peixes do AP, interagirão com os peixes novos, a recíproca também é válida, então a quarentena não garante total sucesso na introdução de novos peixes, mas já ajuda bastante pois estes não estarão introduzindo novos agentes etiológicos no AP, ou pelo menos não tantos como estariam sem a quarentena. Aquaristas mais exigentes chegam a, no final da quarentena, introduzir dois peixes do AP no AQ e observar as suas reações na presença dos microorganismos presentes nos peixes novos que já estavam no AQ, evitando assim expor todo o sistema já estabilizado que existe no AP.

O processo de adaptação para o AP, consiste em realizar trocas parciais, usando a água do AP como a de reposição. Se os parâmetros das águas dos 2 aquários não estiverem muito diferentes, a transferência pode ser feita no mesmo dia. Do contrário, é melhor fazer no dia seguinte.

Seguindo todo esse processo, dificilmente terá problemas com peixes recém chegados ao AP. O risco de doenças também é muito menor. Lembre-se, todo peixe carrega consigo, bactérias e outros microorganismos, e muitos deles poderiam fazer mal a ele, mas num aquário estabilizado, sob condições ideais, dificilmente irão causar problemas. Somente quando há condições para o desenvolvimento desses seres, é que conseguirão vencer o sistema imunológico dos peixes. Por isso devemos sempre manter o aquário em boas condições.

Enfim, o aquário de quarentena, não é um artigo opcional, ou de luxo. É um básico do aquarismo, que deve ser considerado um equipamento integrante do aquário principal assim como um filtro ou aquecedor, por exemplo. Sem ele, arriscamos a vida de toda a população do aquário.

Como dizem, é melhor prevenir, que remediar!

Sobre o autor:
Eiti Yamasaki
Autor: Eiti Yamasaki
Daniel Eiti Yamasaki, é natural de São Paulo-SP. Cursou Engenharia de Controle e Automação pela UNICAMP, mas em 2004 antes de concluir o curso optou por dedicar-se profissionalmente ao ramo de aquarismo e hoje é gerente comercial de uma das maiores importadoras brasileiras da área. Teve contato com o aquarismo desde criança através dos lagos de carpas de seu avô e aquários de Kingyos de seu pai, mas considera que começou a se aprofundar no aquarismo mais técnico à partir de 1998 com a popularização da internet.