Tanganyica de 288 litros de Marne CamposEm Abril/2012 voltamos a destacar um tipo de montagem que se popularizou bastante entre os aquaristas que apreciam aquários de ciclídeos africanos, estamos falando dos peixes oriundos do Lago Tanganyica, no leste do continente africano. De forma bem leiga, podemos dizer que os peixes desse lago se diferem de seus "primos" do Lago Malawi por uma maior diversidade de formas e exigência por parâmetros ainda mais peculiares, como um pH muitas vezes acima de 9,0. Não poderia deixar de salientar que o aquário desse mês pertence a mim, e como já aconteceu anteriormente, escrever sobre um aquário de minha própria autoria é sempre mais difícil, então já me desculpo antecipadamente no caso de alguma falha.

Devido aos altos preços praticados na venda da maioria das espécies do Tanganyica, sua popularização só se tornou mais significativa no Brasil nos últimos anos, talvez pela melhora do poder aquisitivo do brasileiro e possibilidade de maior investimento em hobbys. Foi pela maior procura que os importadores começaram a trazer uma variedade maior de espécies para o nosso país, e os criadores passaram a investir na criação das de maior procura, sendo que hoje temos um bom número de espécies nascidas em terras brasileiras.

 

Tanganyica de 288 litros de Marne CamposEsse tipo de montagem não costuma dar muito trabalho, e apesar de sabermos que a amônia se torna mais perigosa em pH alto, contanto que o aquarista respeite o limite populacional de seu aquário e possua uma filtragem dimensionada adequadamente, não deverá ter grandes dores de cabeça. Algumas dificuldades aprendidas em uma montagem anterior me fizeram dar boa atenção ao substrato e ao invés de utilizar algum material neutro e gastar quilos de sais anualmente para manter o pH, optei por um investimento um pouco maior no início, podendo aproveitar o poder alcalinizante da aragonita, o que representou, no mínimo, um pH acima de 8,0 e a possibilidade de utilizar uma quantidade bem menor de sais para tamponamento.

Caso um dia refizesse a montagem, incluindo uma reformulação da fauna, talvez colocasse menos indivíduos de uma mesma espécie. Nesse aquário foram colocados de 3 a 4 indivíduos de cada espécie, que apesar de serem de pequeno porte, criaram um ambiente propício para ferrenhas disputas por território, restando apenas um indivíduo de algumas espécie (quem se lembra do lema no filme Highlander? "Só pode haver um!"). Acredito que em um aquário de maiores proporções talvez isso não ocorresse, mas a lição foi bem aprendida, afinal que aquarista gosta de ver seus peixes mortos pela manhã após uma fatal dispusta com os demais?

Após a natureza corrigir o erro desse inconsequentente aquarista, o aquário teve sua população estabilizada e com isso vieram alguns "presentes" bastante curiosos, um deles foi o nascimento e desenvolvimento de várias ninhadas entre duas espécies diferentes, Chalinochromis brichardi e Neolamprologus brichardi, duas espécies onde o cruzamento não era esperado por não apresentarem tanta semelhança. A outra surpresa foi o surgimento de uma estrutura bastante interessante, que até hoje não foi identificada mas lembra uma espécie de líquen aquático.

 

Dimensões: 80 x 60 x 60cm
Volume bruto: 288 litros
Tempo de funcionamento: 24 meses
Filtragem: Cannister Ehein Classic 2215 (680 L/H).
Iluminação: 3 x LDD 20W e 1 x Azoo Coral Blue 20W.
Substrato: Aragonita.
pH: 9,2
GH: ?
KH: ?
NH3/NH4: 0 p.p.m.
NO2: 0 p.p.m.
NO3: ?
PO4: ?
Temperatura média: 26C
Alimentação: Sera Granugreen, Tetra Spirulina Flakes e Tropical Spirulina Super Forte Flakes.
Fertilização adicional: Não há.
Injeção de CO2: Não há.
Fauna: 3 Neolamprologus tretocephalus, 3 Lamprologus leleupi, 1 Julidochromis marlieri, 1 Chalinochromis brichardi, 2 Neolamprologus brichardi , 1 Tropheus moorii, 1 Eretmodus cyanostictus e 4 Lamprologus ocellatus.
Flora: Ceratophyllum demersum, Anubias barteri "Nana" e Microsorum pteropus.
Informações adicionais: Adição de Seachem Tanganyica Buffer.
 
Sobre o autor:
Marne Campos
Autor: Marne Campos
Marne Campos, natural de Campinas-SP, é aquarista desde 1990 quando, aos 7 anos de idade, ganhou o seu primeiro aquário e se apaixonou completamente pelo aquarismo. Bacharel em Análise de Sistemas pela PUC-CAMPINAS e técnico em Eletro-Eletrônica pela UNICAMP, criou o projeto Aquarismo Online em 1999, além outras iniciativas ligadas ao aquarismo que vieram logo em seguida, entre elas a idealização do CBAP (Concurso Brasileiro de Aquapaisagismo) onde ocupou o cargo máximo por 12 anos. Dedica-se à aquários plantados desde 1998, tendo como principal área de interesse atualmente, a manutenção de ambientes aquáticos por longos períodos.